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Profissionalização da mediação imobiliária - afinal porque é importante?

Massimo Forte diz que o mercado precisa de agentes imobiliários formados, éticos, acreditados e fiscalizados, para bem dos negócios e dos clientes.

Mediação imobiliária
Foto de Ivan Samkov en Pexels
Autor: Redação

Contra todos os prognósticos, o imobiliário tem vindo a dar provas de forte resiliência e dinamismo na pandemia a nível internacional. E em Portugal também, mantendo a curva de crescimento dos últimos anos: há mais transações que antes da Covid-19 e os preços batem recordes. O mesmo acontece com o número de agências imobiliárias (pela primeira vez há mais de 8 mil registadas no IMPIC) e de agentes, que continuam a aumentar. Mas esta evolução foi acompanhada pelos profissionais que atuam ou apoiam o mercado da mediação imobiliária? Apresentamos a análise de Massimo Forte - consultor, coach e formador - defensor de que a profissionalização deste setor será um caminho inevitável.

"A última década imobiliária que deixámos para trás, não há muito tempo, foi definitivamente marcada pelo positivismo do pós-crise do subprime. Nada faria prever que estes quase dois anos de uma nova década seriam marcados pela incerteza inicial de uma crise pandémica, mas também nada faria prever os resultados da mediação imobiliária em Portugal, e noutros países europeus como Espanha e Itália, de um resiliente período de franca evolução no que diz respeito a número de agentes, número de agências, número de marcas/redes e consequentemente, resultados de produção, ou seja, volume de negócios, faturação e quota de mercado face às vendas realizadas sem intervenção da mediação", começa por dizer Massimo Forte, neste artigo preparado para o idealista/news.

Tudo isto é natural quando se enquadram estes resultados após um período de crise financeira profunda, mas a pergunta que se impõe é: esta evolução, foi acompanhada pelos profissionais que atuam ou apoiam o mercado da mediação imobiliária?

O que espera um cliente de um agente imobiliário?

Mediação imobiliária
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Tema mais complexo e subjetivo de análise, pois se neste mercado a falta de dados quantitativos compilados de acesso fácil e generalizado o torna opaco, a falta de dados qualitativos, contribui para uma falta de homogeneização no que deverá ser a análise do conceito e nível de serviço face ao que é esperado por um cliente que até à pouco tempo viveu num mundo VUCA (de volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade), e que hoje vive num mundo cada vez mais BANI (Brittle, Anxious, Nonlinear e Incomprehensible que se traduz em frágil, ansioso, não-linear e incompreensível).

Em todos estes cenários há sempre algo em comum: o cliente, seja ele comprador, vendedor ou investidor, pretende que lhe resolvam um problema ou uma situação e recorrem a um agente imobiliário com a expectativa de uma resposta assertiva, baseada em factos e quase imediata. Muitas vezes de ajudar a concretizar o sonho de ter uma casa.

Foto de Blue Bird en Pexels
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Hoje vivemos num mundo stressante com cada vez menos tempo para cada vez mais informação, o tempo para o cliente se preocupar com a transação do imóvel não se encaixa quando este se apercebe que, afinal, não é um processo assim tão fácil, não basta carregar num botão em qualquer aplicação para iniciar realmente o processo, nem é um caminho para se atravessar sozinho sem a consciência de que terá de lidar com muita “concorrência” e muita burocracia.

Porque há tanta resistência em reconhecer o valor que o agente imobiliário pode aportar?

Relevância, segurança e principalmente confiança. Escolher um agente profissional não é uma tarefa fácil em Portugal, um país onde existe apenas a necessidade de licença para mediadores (agências e não agentes) e para não pensar que somos os menos desenvolvidos, em Espanha, nem sequer existe lei sobre o tema, nem necessidade de qualquer tipo de licença. Escolher um profissional não é fácil e elevar o nível de profissionalização é apenas dependente da vontade individual de quem realmente quer passar de curioso a profissional.

Foto de Rebrand Cities en Pexels
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Em qualquer atividade, ser profissional implica 3 pontos de partida muito importantes:

  1. Educação
  2. Ética
  3. Capacidade de aplicação de conhecimento de forma consistente

O primeiro constrói-se por observação e aprendizagem primeiro junto do nosso círculo familiar e social, e depois vai-se formando a par da nossa identidade junto das pessoas com quem nos cruzamos, por exemplo, em lugares de liderança, ou de orientação de formação, papéis com grande responsabilidade de influência no desenvolvimento no campo das atitudes.

A ética vem da educação, mas não implica ter educação. Um agente pode ser ético e não ser educado, ou pode ser muito educado, e não ser ético. É por esta razão que a educação deve envolver valores éticos que serão muito úteis na construção da pessoa como pessoa e claro, como profissional. Como a ética é subjetiva, necessita de haver regras que clarifiquem a atuação dos agentes imobiliários. Em 2021 a APEMIP lançou um código de ética que, a meu ver, e ainda numa fase inicial de coordenação com a lei em vigor, está bem feito e é sem dúvida um primeiro passo a par de muitos passos importantes e necessários no caminho para a profissionalização e certificação do setor.

Formação gera valor para o negócio e rima com ética, acreditação e fiscalização

Sensibilizados para uma postura de respeito pelo outro e para uma conduta orientada por um código de ética para cada uma das suas ações, o agente imobiliário está pronto para receber o conhecimento que lha dará a capacidade de aplicação de conhecimento de forma consistente. Formação, cada vez há mais marcas e empresas que percebem o valor que cria para o seu negócio e cada vez mais ainda se apercebe que a formação não deverá ser apenas teórica, o treino simulado e constante vai garantir que quem aprende evolua definitivamente para um profissional confiante.

Foto de Alena Darmel en Pexels
Foto de Alena Darmel en Pexels

Uma coisa é certa, se não existir educação e ética, a formação técnica de pouco servirá para a formação de um verdadeiro profissional de topo que sabe o que significa servir.

Em Itália, já há uma lei bem estruturada e uma acreditação de mediadores e agentes que resulta na obtenção de uma carteira profissional, mas mais uma vez o puzzle não está completo, falta a fiscalização.

"Sem a fiscalização poderá correr-se o risco de se deitar por terra tudo o que foi construído. O rigor da implementação e o controle pedagógico numa fase inicial, e mais corretivo numa fase seguinte, pode ser o caminho para a profissionalização e acreditação da atividade de mediação imobiliária, uma atividade tão importante em momentos decisivos na vida de tantas pessoas", remata Massimo Forte.