José Maria Espírito Santo Silva Ricciardi, um dos nomes mais influentes da banca portuguesa e uma das vozes mais críticas da liderança de Ricardo Salgado no Grupo Espírito Santo (GES), morreu esta quarta-feira, dia 25 de março, aos 71 anos. O economista, que nasceu em Lisboa a 27 de outubro de 1954, fez praticamente toda a carreira profissional no universo Espírito Santo, onde se destacou na área da banca de investimento e assumiu um papel central num dos períodos mais turbulentos do grupo.
Ricciardi licenciou-se em Ciências Económicas Aplicadas pela Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica, e iniciou a carreira no final da década de 1970, no Rio de Janeiro, no Banco Inter‑Atlântico, recorda o Expresso.
Regressou depois à Europa para integrar a área financeira do GES, vendo a sua ascensão consolidar‑se nos anos 1990 com a nomeação como administrador da Espírito Santo Sociedade de Investimentos (ESSI), que viria a dar origem ao Banco Espírito Santo de Investimento (BESI). Em 1995 tornou‑se vice‑presidente do BESI e, a partir de 2003, enquanto presidente da comissão executiva, conduziu a expansão internacional do banco, que se afirmou como um dos principais operadores portugueses na banca de investimento, com presença relevante em Espanha, Brasil e Angola.
O colapso do Banco Espírito Santo (BES), em 2014, marcou o momento de rutura com o primo Ricardo Salgado. De acordo com a publicação, Ricciardi decidiu afastar‑se da liderança então em vigor e, numa carta dirigida ao Banco de Portugal (BdP), alertou para a concentração de poder "num núcleo pequeno sob a direção" de Salgado, antecipando problemas que mais tarde se confirmariam.
Após a resolução do BES, o BESI foi vendido ao grupo chinês Haitong por 379 milhões de euros, dando origem ao Haitong Bank, instituição que Ricciardi liderou como CEO até ao final de 2016, numa fase de transição e tentativa de estabilização dos ativos herdados do GES.
Conhecido pela frontalidade, foi protagonista de vários testemunhos contundentes. Em declarações ao Jornal de Negócios, citadas pelo Expresso, classificou a atuação do BdP na resolução do BES como "patética" e, em 2016, admitiu à revista Sábado que era "visto como um traidor pela família".
Depois da saída do Haitong, entrou em 2018 na Optimal Investments, fundada por Jorge Tomé, antigo CEO do Banif e da Caixa Banco de Investimento, e manteve a sua presença pública, com destaque para a candidatura à presidência do Sporting em 2018, para suceder a Bruno de Carvalho, e a criação de um novo banco após o colapso do GES – que nunca chegou a concretizar.
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