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Regresso ao escritório: como gerir a ansiedade em tempos de Covid-19

A partir da próxima segunda-feira, dia 14 de junho, o teletrabalho deixa de ser obrigatório e começam a surgir dúvidas e ansiedades de voltar à rotina no escritório.

Reunião num escritório
Imagem de Malachi Witt por Pixabay
Autor: Redação

A pandemia da Covid-19 obrigou milhões de trabalhadores em todo o mundo a adaptar a sua vida de modo a exercer a sua atividade laboral a partir de casa. Já passou mais de um ano e o teletrabalho poderá mesmo chegar ao fim para muitos portugueses e, para outros, poderá a fazer parte da sua rotina laboral apenas alguns dias por semana.

O mais recente anúncio do Governo socialista de António Costa indicou o dia 14 de junho, como a data em que o teletrabalho vai deixar de ser obrigatório passando a ser apenas recomendado. Note-se que pode ser dado um passo atrás nos concelhos em que a taxas de incidência da Covid-19 excedam os limites estabelecidos consoante a respetiva densidade populacional. Se acontecer, nestes concelhos - e só nestes – o teletrabalho passa a ser obrigatório novamente.

Isto quer dizer que a partir de dia 14 de junho, há milhares de portugueses que regressam ao escritório e a todas as suas rotinas antes da pandemia da Covid-19, o que significa em muitos casos acordar mais cedo, andar de transportes públicos, partilhar objetos, fazer refeições em zonas comuns… Este conjunto de rotinas que ficaram no passado vão dentro de uma semana passar a fazer parte do presente de muitos portugueses. Tudo isto tem gerado desconforto e ansiedade. Como saber lidar com o regresso ao escritório?

Ansiedade no trabalho
Sebastian Herrmann/ Unsplash
Como lidar com os colegas?

Estar novamente com os colegas pode ser um motivo de preocupação para quem regressa ao escritório, devido ao risco de contágio do novo coronavírus. Mas recorde-se que as empresas devem optar por horários de trabalho faseados de forma a evitar a aglomeração de trabalhadores e incluir regras de higiene e segurança adequadas. Por outro lado, o ritmo de vacinação contra a Covid-19 também é um fator que pode gerar confiança já que, até à data, 40,82% da população portuguesa já recebeu a primeira dose da vacina e 21,23% está completamente vacinada.

Há que focar dois pontos: primeiro “sabemos como nos proteger” e depois a “vacinação reduz a probabilidade de morte”, o que por si só é “bastante tranquilizante”, explica a especialista em psicologia clínica Patrícia Romão ao Público. “Regressar ao trabalho e à rotina social pode ser facilitador de um bem-estar emocional”, refere ainda.

Espaços devem ser adaptados

Não só os horários deverão ser adaptados. Os espaços de trabalho também. António Uva, professor da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), afirma que “é desejável que os locais de trabalho sejam adaptados”, exigindo “um espaço unitário de trabalho mais gordinho”, disse ao Público. É recomendado que os postos de trabalho mantenham dois metros de distância uns dos outros e que assegurem todas as condições de higiene e segurança. Além disso é importante também esclarecer os trabalhadores sobre o procedimento a adotar no caso de terem sintomas, isto é, onde ir, o que fazer e quem contactar.

Ansiedade no trabalho
Christian Erfurt/Unsplash
Como posso gerir a ansiedade?

Identificar situações concretas que te levam a ter medo pode ser o primeiro passo para começar a gerir a ansiedade associada ao regresso ao escritório, refere ainda Patrícia Romão na mesma publicação. Assim que identificadas as causas é mais fácil pensar nas soluções, o que produz a “sensação de maio controlo”, explica.

Se o medo estiver diretamente associado ao risco de contágio é importante teres sempre contigo máscaras para trocar e desinfetantes. E também é de evitar situações que causam ansiedade e desconforto (como retirar a máscara). A especialista aconselha ainda a confiar nos profissionais de saúde e protegerem-se. Por outro lado, também é importante regressar à vida social, mas apenas na medida em que te sintas confortável.

Vantagens do regresso ao escritório

Focar nos aspetos positivos do regresso ao trabalho presencial pode ser uma boa forma de também reduzir a ansiedade. O professor da ENSP refere algumas: “Para suarmos a camisola, termos suporte profissional e, até, para aprendermos uns com os outros, necessitamos de contacto com os nossos colegas de trabalho que têm outras experiências. Todos nós vivemos muito deste contacto”, resume.

Regresso ao escritório
Imagem de Free-Photos por Pixabay
Como será o teletrabalho no futuro?

Para António Uva, “o teletrabalho tem de ter duas características obrigatórias: ser voluntário e em tempo parcial”. Na sua opinião, este regime de trabalho pode não ser uma solução para as microempresas (com menos de dez trabalhadores) que empregam 30 a 40% de toda a população ativa empregada. Mas vê “grandes vantagens” para as grandes empresas se tiverem métodos de gestão por objetivos. Mas não esquece que há uma esfera “negativa” associada: “o facto de arrombar, inundar e impregnar a nossa vida privada”, disse ainda.