"O regime híbrido não enfraqueceu o escritório. Tornou-o mais exigente e estratégico", diz a diretora executiva do Lionesa Business Hub.
Comentários: 0
Escritórios modernos no Lionesa Business Hub
Eduarda Pinto, diretora executiva do Lionesa Business Hub Créditos: Lionesa Business Hub

O centro empresarial Lionesa Business Hub (LBH), em Leça do Balio, Matosinhos, é mais que um espaço de escritórios. “Ao longo de mais de duas décadas, o campus foi-se tornando um ecossistema onde empresas globais, talento internacional, projetos emergentes, cultura, bem-estar e território convivem de forma orgânica”, revela ao idealista/news a diretora executiva do LBH. Para Eduarda Pinto, o escritório já não é o lugar onde se vai todos os dias por obrigação, mas sim o lugar onde se vai quando é importante estar junto. E deixa uma mensagem: “Pensar escritórios é, acima de tudo, pensar relações”.

Eduarda Pinto considera, de resto, que a força dos modelos flexíveis não está apenas na flexibilidade contratual. “Está na mistura. Na fricção positiva entre pessoas diferentes. Na criação de redes informais que não aparecem nos organigramas, mas que muitas vezes são decisivas para a inovação e para o crescimento”. E afirma, nesse sentido, que o que estes ambientes oferecem é algo que os modelos tradicionais de escritórios “raramente conseguiram: contexto relacional vivo”. 

O LBH conta com empresas de referência, como a FedEx, a Oracle ou Vestas, e promove diariamente a colaboração entre mais de 7.000 profissionais de 47 nacionalidades, tendo uma localização privilegiada – a poucos minutos do centro do Porto, com excelentes ligações rodoviárias e transportes públicos. “O campus nunca foi tratado como algo fechado. Sempre foi pensado como um organismo vivo, em constante adaptação. É essa coerência que explica a sua longevidade e relevância”, diz a gestora.

Escritórios do futuro
Lionesa Business Hub Créditos: Lionesa Business Hub

Alguns players do segmento de escritórios falam numa espécie de “hotelização” dos escritórios. O que está em causa? Concorda com esta visão?

Vejo este conceito mais como um sintoma do que como uma solução. O que está verdadeiramente em causa não é trazer sofás bonitos ou serviços simpáticos para dentro dos escritórios. É reconhecer que ninguém quer passar uma parte significativa da sua vida num espaço indiferente.

A hotelaria percebeu há muito tempo que as pessoas não regressam por causa do edifício, mas por causa da forma como se sentiram nele. Os escritórios estão apenas a chegar agora a essa conclusão.

O mercado de trabalho mudou muito no pós-pandemia, com o regime híbrido a ganhar força. Os escritórios tradicionais, como os conhecíamos, vão deixar de existir?

Os escritórios não vão desaparecer, mas o seu papel mudou de forma profunda e mensurável. Durante a pandemia, vários estudos internacionais demonstraram que, apesar de a produtividade individual se ter mantido relativamente estável em muitas funções, a colaboração diminuiu de forma significativa. Um dos estudos mais citados mostra que, em ambientes totalmente remotos, o tempo dedicado à colaboração síncrona e às trocas informais caiu entre 20% e 30%, enquanto aumentaram as interações mais formais e hierarquizadas, como reuniões agendadas e comunicação escrita.

(...) É neste contexto que o escritório ganha um novo significado. Já não é o lugar onde se vai todos os dias por obrigação, mas o lugar onde se vai quando é importante estar junto. Para colaborar, para criar, para decidir, para reforçar relações e identidade"

O que se perdeu não foi o trabalho em si, mas aquilo que acontece entre o trabalho: as conversas espontâneas, a partilha informal de conhecimento, a criatividade coletiva e a tomada de decisão mais fluida. Esses momentos são difíceis de replicar à distância e são críticos para inovação, alinhamento e cultura organizacional.

É neste contexto que o escritório ganha um novo significado. Já não é o lugar onde se vai todos os dias por obrigação, mas o lugar onde se vai quando é importante estar junto. Para colaborar, para criar, para decidir, para reforçar relações e identidade.

Flexibilidade laboral
Lionesa Business Hub Créditos: Lionesa Business Hub

Os escritórios tradicionais, pensados apenas para trabalho individual e repetitivo, tenderão a perder relevância. Mas os espaços que assumem claramente o seu papel como plataformas de colaboração, encontro e construção de cultura continuam a ser fundamentais. O regime híbrido não enfraqueceu o escritório. Tornou-o mais exigente e mais estratégico.

No LBH, esta mudança não foi uma reação, mas uma confirmação. Ao longo dos anos, o campus foi sendo desenhado para potenciar exatamente aquilo que mais faltou no período remoto: encontros informais, cruzamento de pessoas e contextos, e uma vida de campus que incentiva a colaboração espontânea. É por isso que, mesmo num contexto híbrido, continuamos a ver uma utilização muito ativa dos espaços comuns e uma forte adesão das empresas aos momentos de presença física com propósito.

Quais as mais-valias do trabalho flexível e/ou do coworking? O que ganham os trabalhadores e os empregadores?

A força dos modelos flexíveis não está apenas na flexibilidade contratual. Está na mistura. Na fricção positiva entre pessoas diferentes. Na criação de redes informais que não aparecem nos organigramas, mas que muitas vezes são decisivas para a inovação e para o crescimento.

O que estes ambientes oferecem é algo que os modelos tradicionais raramente conseguiram: contexto relacional vivo.

Sendo impossível fazer futurologia, é possível antecipar como serão os escritórios do futuro? O que os distinguirá dos modelos atuais?

O que sempre nos interessou não foi o espaço, mas o que acontece entre as pessoas quando partilham um lugar. As conversas informais, os encontros improváveis, a energia que se cria quando há diversidade, curiosidade e liberdade. O escritório, para a Lionesa, nunca foi o centro da equação. Foi sempre o suporte.

"O que sempre nos interessou não foi o espaço, mas o que acontece entre as pessoas quando partilham um lugar. As conversas informais, os encontros improváveis, a energia que se cria quando há diversidade, curiosidade e liberdade. O escritório, para a Lionesa, nunca foi o centro da equação. Foi sempre o suporte"

Quando hoje se diz que o debate deixou de ser apenas sobre metros quadrados, isso não representa uma rutura. Representa um alinhamento tardio do mercado com algo que sempre foi evidente: o trabalho é humano antes de ser espacial.

O escritório que faz sentido hoje não é aquele que tenta prever tudo. É aquele que aceita a complexidade do trabalho e confia nas pessoas que o habitam. Não se trata de antecipar modelos, mas de compreender princípios. O princípio central é simples: criar condições para que as pessoas trabalhem melhor juntas. Tudo o resto vem depois.

Escritórios no Porto
Lionesa Business Hub Créditos: Lionesa Business Hub

Fale-nos um pouco sobre o LBH. Que espaço é este? Qual é o público-alvo?

Foi a partir desta forma de pensar que o LBH foi crescendo. Não como um plano fechado, nem como um conceito desenhado de uma vez. Cresceu como consequência natural de colocar as pessoas no centro e aceitar que os espaços têm de evoluir com quem os utiliza.

Ao longo de mais de duas décadas, o campus foi-se tornando um ecossistema onde empresas globais, talento internacional, projetos emergentes, cultura, bem-estar e território convivem de forma orgânica.

O público é diverso e cada vez mais internacional, mas com algo em comum: a procura de contextos de trabalho que façam sentido.

Escritórios modernos em Portugal
Lionesa Business Hub Créditos: Lionesa Business Hub

O que distingue o LBH de outros espaços ou empreendimentos que operam no país com o modelo de trabalho flexível?

Nunca foi sobre oferecer mais. Foi sempre sobre criar condições para que as coisas acontecessem. Para que as pessoas quisessem ficar. Para que as empresas crescessem sem perder identidade. Para que o trabalho não estivesse separado da vida, mas integrado nela.

O campus nunca foi tratado como algo fechado. Sempre foi pensado como um organismo vivo, em constante adaptação. É essa coerência que explica a sua longevidade e relevância.

"Pensar escritórios é, acima de tudo, pensar relações. A forma como trabalhamos influencia como vivemos, como nos relacionamos e como crescemos. Desenhar espaços de trabalho é também desenhar comportamentos, culturas e formas de colaboração. Não é uma questão estética. É uma questão de responsabilidade"

Pensar escritórios é, acima de tudo, pensar relações. A forma como trabalhamos influencia como vivemos, como nos relacionamos e como crescemos. Desenhar espaços de trabalho é também desenhar comportamentos, culturas e formas de colaboração. Não é uma questão estética. É uma questão de responsabilidade.

Os projetos que sempre partiram das pessoas têm hoje uma vantagem clara. Não porque seguiram tendências, mas porque nunca precisaram delas para justificar as suas decisões. Talvez por isso continuemos a acreditar, como referido, que pensar escritórios é, acima de tudo, pensar relações. Tudo o resto vem depois.

Acompanha toda a informação imobiliária e os relatórios de dados mais atuais nas nossas newsletters diária e semanal. Também podes acompanhar o mercado imobiliário de luxo com a nossa newsletter mensal de luxo.

Segue o idealista/news no canal de Whatsapp

Whatsapp idealista/news Portugal
Ver comentários (0) / Comentar

Para poder comentar deves entrar na tua conta