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Casas nos centros das cidades estão a ser convertidas em T0 e T1

Gtres
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Autor: Redação

A reabilitação está ao rubro e o número de casas que estão a ser colocadas no mercado, também. Encontrar um espaço para habitação permanente é que está difícil. A maioria das casas que surgem nos centros urbanos são de tipologias pequenas (T0 e T1) e quase sempre destinadas ao turismo e Alojamento Local (AL). Um cenário que complica a vida das famílias que estão à procura de arrendamentos de longa duração.

Neste momento, e de acordo com o Público, é possível encontrar um T0 com 15 metros quadrados (m2) em plena Rua de Cedofeita, no Porto, a custar 1.200 euros de renda mensal. Em Lisboa, o mesmo cenário. Um T1 em Alfama custa facilmente 2.200 euros por mês. Pouca oferta para arrendamento a longo prazo, rendas altas ou espaços em muito mau estado. Estas são as principais queixas de quem está procura de casa e não consegue encontrar uma solução.

Segundo Adriana Floret, fundadora de um dos primeiros gabinetes de arquitetura dedicados à reabilitação urbana no Porto, que falou com o diário, “enquanto o turismo estiver com esta força toda no centro da cidade, vai ser muito difícil convencer um proprietário a tirar casas do AL em troca de benefícios fiscais".

“Corremos o risco de estarmos a perder diversidade cultural e social dentro da cidade, de estarmos a criar uma cidade com cafés, restaurantes e hotéis. Uma monocultura”, defende Adriana Floret. Para a arquiteta, o alojamento de curta duração e as pequenas tipologias, que permitem colocar maiores números de frações no mercado e obter rentabilidade imediata, ainda são demasiado apetecíveis.

Reabilitação está em altas e "short renting" também

De acordo com a responsável, o "turismo tem permitido, para o bem e para o mal, reabilitar os edifícios". Mas "é preciso ter algum cuidado, porque têm vindo a ser muito alterados, e descaracterizados até, com a introdução de tipologias de pequena dimensão, e para dar resposta aos atuais níveis de exigência térmica e acústica", avisa, sublinhando que daqiu a uns anos será preciso "regressar a estes T0 e T1, para os reabilitar, para os fazer crescer".

Também Teresa Nunes da Ponte, arquiteta em Lisboa, concorda com a ideia de que há uma tendência para a ocupação das áreas do centro histórico com fogos T0 e T1 para utilização essencialmente turística, para atividades do tipo de "short renting". “Talvez seja a forma mais rentável, não sei se será uma inevitabilidade. Mas o que é certo é que são programas com muito sucesso neste momento, o que torna difícil contrariar a sua implementação”, refere.