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Banca converteu 36% de imóveis em "stock" em colateral de garantia de empréstimos

Autor: Redação

O valor (bruto de imparidades) dos imóveis em dação recebidos pelos bancos, em dezembro de 2016, ascendeu aos 7,4 mil milhões de euros. Tratam-se sobretudo de imóveis urbanos (com destaque para os habitacionais), concentrados no distrito de Lisboa. Ainda assim, as instituições bancárias registaram vendas significativas de imóveis recebidos entre 2012 e 2015 (2,1 mil milhões), compensadas pelos imóveis recebidos em 2016 em dação por incumprimento de crédito.

O Banco de Portugal (BdP) revela no seu Relatório da Estabilização Financeira de dezembro de 2017 que a exposição ao mercado imobiliário tem sido identificada como uma das principais vulnerabilidades do setor bancário português. Uma exposição que é essencialmente indireta, por via da concessão de empréstimos garantidos por imóveis e a empresas dos setores da construção e das atividades imobiliárias.

Segundo o Jornal Económico, que se apoia nos dados do BdP, a venda de imóveis pode traduzir uma recomposição entre exposição direta para indireta. Ou seja, os bancos recebem imóveis por incumprimento de crédito, vendem esses imóveis, financiam os compradores e ficam com o imóvel como colateral (garantia) do empréstimo.

“(...) Por referência às vendas registadas em 2016 cerca de 36% do volume de vendas decorreu no âmbito de operações em que a instituição bancária concedeu um empréstimo ao adquirente, mantendo o imóvel como colateral, e entre as restantes vendas incluem-se operações de transferências para fundos de investimento imobiliário, em que a contrapartida pode ter passado pela subscrição de unidades de participação desse fundo pela instituição bancária”, lê-se no documento.

Ainda assim, as vendas podem significar uma perda para a instituição bancária. De acordo com a publicação, cerca de 35% das vendas em 2016 foram efetuadas a um preço inferior ao valor de registo do imóvel em balanço (líquido de imparidades), o que geralmente se traduz numa perda para o banco. Os dados mostram que cerca de 27% dos imóveis foram vendidos acima do valor de balanço e 38% por um valor próximo do valor de registo do imóvel em balanço (líquido de imparidades).