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Mediadores justificam arrefecimento no mercado imobiliário com falta de stock

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Autor: Redação

No segundo trimestre do ano foram vendidas 42.590 casas, menos 2,8% que no trimestre anterior, segundo dados recolhidos pelo Gabinete de Estudos da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP). A construção novaapesar do crescimento das licenças e dos novos projetos imobiliários que estão a chegar ao mercado, atualmente pesam, no entanto, menos nas transações de imóveis: representaram apenas 14,3%, o valor mais baixo desde 2009.

Este arrefecimento do mercado não surpreende o presidente da APEMIP, Luís Lima, que “já esperava” este reajuste por saber da “dificuldade que seria monitorizar um mercado com muita procura e pouca oferta”.

“Este ligeiro arrefecimento não é uma surpresa”, garante o representante dos mediadores, referindo-se à “diminuição do stock disponível”. “Há poucas casas no mercado, e muitas das que existem não correspondem às necessidades e possibilidades das famílias portuguesas”, explica alertando para a necessidade de haver um reajuste dos preços. “Há muitos proprietários que têm à venda cobre ao preço do ouro, convencidos de que tudo se vende, mas não é bem assim”, frisa Luís Lima.

Segundo o responsável, os potenciais compradores, mesmo os estrangeiros, começam a ser mais cautelosos na hora de avançar com o negócio. Para Luís Lima é importante ajustar os preços à realidade do mercado e do ativo que se tem a carteira.

“É cada vez mais gritante a necessidade de introduzir stock novo, dirigido para as classes média e média-baixa. Só assim se poderá aliviar preços e dar resposta às necessidades da procura, e não adianta dizer que há muitas casas vazias se estas se localizam onde não há procura”, remata o responsável.

Casas novas pesam menos nas transações

Foi no primeiro trimestre de 2010 que as casas novas apresentaram maior quota de mercado, representando 38% das transações de imóveis. Desde aí, e ao longo da última década, o peso tem vindo a diminuir. Um cenário em grande parte explicado, mais uma vez, pela falta de oferta.

Na Área Metropolitana de Lisboa (AML), no segundo trimestre deste ano, por exemplo, a habitação nova representou apenas 9,7% das transações de imóveis. Patrícia Barão, diretora de residencial da consultora JLL, justifica esta evolução de números, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com a escassez de oferta de casas novas no mercado.

“Há muitos anos que, por exemplo, em Lisboa praticamente não chegam novos empreendimentos ao mercado", assevera a responsável ao Jornal de Negócios, para quem cenário deverá mudar  "dentro de um ano ou ano e meio", face aos vários projetos em licenciamento ou em construção prestes a chegar ao mercado.