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Costa rejeita congelamento de rendas como em Berlim - “É má solução” para Lisboa

O primeiro-ministro disse à Bloomberg que esta não é uma boa medida para replicar na capital portuguesa.

Photo by Iulia Topan on Unsplash
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Autor: Redação

Berlim vai avançar com o congelamento das rendas durante cinco anos, numa tentativa de travar a especulação imobiliária na cidade. Mas o primeiro-ministro português, António Costa, já veio dizer que esta não é uma medida para repetir em Lisboa. Em entrevista à Bloomberg, o socialista considera tratar-se de uma “má solução” para a preservação e renovação da capital portuguesa.

O governante lembrou a “experiência de congelar rendas durante 40 anos” no país, que se revelou “má”. Reconhece a necessidade de se controlar o mercado para evitar movimentos especulativos, mas aponta “outras ferramentas” para lá do congelamento para resolver o problema. Ainda assim, não descarta a possibilidade de este ser um bom modelo para Berlim.

 “Aqui é um assunto muito delicado", diz Costa, frisando que há uma grande diferença entre congelar por quatro ou quarenta anos. Considera que é preciso dar confiança aos proprietários e ao mercado, e diz que Lisboa passou de um mercado regulado para um mercado  completamente liberalizado “muito rápido”. O primeiro-ministro salienta que o problema no mercado imobiliário é global e vai para lá de Berlim ou Lisboa. “Com taxas de juros tão baixas, o mercado imobiliário é o refúgio para os investidores”, lembra.

Trata-se de uma posição já antes defendida pela secretária de Estado da Habitação, Ana Pinho, em entrevista ao idealista/news. A governante defende que, em Portugal, a solução para a crise habitacional não passa por limitar os preços do arrendamento por via administrativa sob o risco de se "perderem ainda mais casas".

Do lado do setor privado, a solução também não é bem acolhida, na própria Alemanha. O idealista/news também falou recentemente com o CEO da Century 21 Alemanha, Christian Ammann, que apelida este movimento em Berlim como uma “jogada perigosa”.

Ammann mostra-se cauteloso e “curioso para ver o que vai acontecer” e fala de um problema de falta de casas que é, de resto, a sua maior preocupação. O CEO da mediadora imobiliária argumenta que "a nova lei não vai construir nenhum apartamento novo". “Será o oposto e, na minha opinião, os investidores internacionais que têm investido em Berlim nos útimos 10 anos vão deixar de fazê-lo”, admite.