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Conselhos de 8 mulheres para triunfar num setor (ainda e sobretudo) de homens

O idealista/news ouviu profissionais do imobiliário e quis saber, também, que desafios enfrentam num mercado cheio de rostos masculinos.

Autores: Leonor Santos, @Frederico Gonçalves, Tânia Ferreira

Gestores, construtores, engenheiros, promotores, arquitetos, entre outros... No mundo do imobiliário, a maioria das vozes influentes são masculinas. Ainda assim, o “império feminino” está a crescer, com cada vez mais mulheres a dirigir empresas e a ter cargos de liderança no setor. Mas, afinal, que desafios enfrentam? Que papel querem desempenhar no mundo de negócios? A propósito do Dia Internacional da Mulher, que se celebra este domingo, dia 8 de março, o idealista/news foi ouvir 8 profissionais do imobiliário para saber que conselhos têm para inspirar outras mulheres a triunfarem neste setor (e noutros).

Num mundo (ainda) maioritariamente masculino, estas oito mulheres são a prova de que a realidade tem tudo para mudar. Todas elas referem os avanços alcançados, mas reconhecem que ainda há muito por fazer. Apontam, sem exceção, o trabalho, empenho e entrega como pilares fundamentais para o sucesso, nesta e em qualquer outra área, e acreditam que uma dose equilibrada de emoção e sensibilidade podem ser uma mais valia, sobretudo quando se trata de falar de negócios. 

Não têm dúvidas de que o setor enriqueceu com os contributos do feminino, e sublinham a importância de se ultrapassarem todas e quaisquer barreiras associadas à maternidade. São unânimes no conselho sine qua non para alcançar os objetivos: ter atitude e desafiar os próprios limites, com motivação e garra.

Reproduzimos agora, na íntegra, os testemunhos de resilência e preserverança de oito mulheres, representantes do imobiliário no feminino, em homenagem ao 8 de março.

Uma verdade que aprendi com a vida é que o nosso sucesso resulta da nossa atitude, a atitude perante cada desafio que a vida nos apresenta. Na minha opinião, o sucesso não aparece do nada, necessita muito de trabalho, empenho, entrega, sendo que também é fulcral acreditar que somos capazes de fazer mais e melhor para nós, para a nossa vida e para o nosso trabalho, sempre de uma forma positiva. 

O meu conselho é sempre o mesmo: desafiar-se a si próprio, não esperar que alguém o faça por si. Isto porque o desafio funciona como um estímulo, que nos permite voltar a sonhar. É um estímulo para estar vivo, ativo, perseguir alguma coisa pela qual vale a pena lutar, nem que seja para provarmos a nós próprios que somos capazes de nos superar. 

Atualmente a maior limitação de uma mulher prende-se com aqueles pensamentos limitadores existentes, de que uma mulher não pode chegar a um cargo de direção, porque isso ao acontecer fará dela uma má mãe, uma má filha ou até uma má mulher. Esses são pensamentos muitas vezes adquiridos na nossa educação e são, no meu entender, o maior problema para uma mulher não vingar num mundo de homens. Quando tu mudas o teu pensamento, a tua forma de estar, de atuar, o teu mundo também muda e com ele aparecem os resultados pelos quais andaste a lutar, a estudar e a trabalhar.

Para começar, importa esclarecer que este já foi um setor com predominância masculina, mas que é cada vez mais paritário. Pelo menos é essa a realidade na Zome, onde temos 51% de homens e 49% de mulheres, muitas delas em funções de liderança – hub directors, business coachs ou finance and administration managers –,  como é normal numa organização que valoriza o desempenho e o talento, independentemente do género. 

Dentro dessa lógica de igualdade de oportunidades, porque não pode haver outra, o conselho é trabalhar sempre com paixão pelo que fazemos, porque o que determina o sucesso é a entrega que colocamos no trabalho diário, a eficiência dos nossos resultados e a qualidade das nossas relações humanas. Uma mulher vingar, nesta ou noutra área qualquer, tem de ser sempre, apenas e só, a consequência natural do seu valor profissional.

As mulheres tem vindo a fazer o seu percurso em inúmeros setores de atividade, ocupando cada vez mais cargos executivos e de grande responsabilidade. No setor imobiliário não tem sido muito diferente, ainda que haja um caminho a fazer.

Na minha opinião, para as mulheres terem sucesso no setor imobiliário terão de trabalhar com determinação, competência, ter boas capacidades de liderança e obter resultados, como aliás existem excelentes exemplos de mulheres no setor imobiliário.

O mercado imobiliário tem apresentado uma evolução interessante e acreditamos que parte das inovações se deve ao crescente número de mulheres a operar no setor.

Quando criámos a Staging Factory em 2012 escrevemos na parede: “fazer do imobiliário um mercado que faça sonhar!”. Uma visão feminina num setor masculino que fez com que fosse possível vender e valorizar “sonhos e emoções” em vez de “paredes e vigas”. Hoje, já não se compra betão a metro quadrados; compram-se habitats, estilos de vida e ambições. 

Porque acreditamos que o valor do espaço são as vivências que ele consegue gerar, transformamos metros quadrados em valor emocional; transformamos espaços em valor.

Na Staging Factory sempre sentimos a visão feminina bem-vinda e valorizada. A diferenciação nos acabamentos, a valorização do design de interiores na criação de ambientes, maior flexibilidade nas soluções e capacidade de integrar diversos pontos de vista são alguns dos contributos femininos que têm enriquecido o setor. 

Movimento-me, sobretudo, no setor da construção e imobiliário, onde apesar do crescente número de profissionais do género feminino, a maioria dos ‘decision makers’ são homens, o que influencia diretamente o meu dia a dia. 

O conselho principal que deixo a uma mulher que queira vingar no setor será de, transversalmente, atuar com extremo profissionalismo, ultrapassando os preconceitos que sintam sobre a condição de ser mulher. Isso implica uma dose igual de profissionalismo e descontração sobre desigualdades do género. Um bom ambiente de trabalho através de uma postura de profissionalismo permanente - estar sempre a par dos assuntos, saber resolver as crises, ser criativa, ser tolerante e exigente em doses iguais - no fundo mostrando sempre que se pode contar connosco e que quando não estamos, se for por questões familiares, é algo natural.

Além de ser um setor com uma percentagem maior de homens, acresce o facto de o nosso país ser ainda muito tradicionalista, mas creio que tudo se resolve através da dedicação e apresentação de resultados. Para mim isso não é fazer apenas o nosso trabalho dentro do esperado. É ir um passo mais além, embora considere que este conselho é transversal a homens e mulheres.

Para quem se movimenta no setor da construção, é importante marcar a posição desde o início. Aprendi cedo a fazer pouco caso de comentários sobre mulheres nas obras - um clássico - e a rapidamente desfazer a hipótese de que tal fosse aceitável. 

Também recomendo que não deixem que a maternidade seja um fator negativo no vosso ambiente de trabalho. Se tal acontece, algo está fundamentalmente errado na equipa ou chefia. 

Sou mãe de duas filhas, e assumo sempre isso com naturalidade no meu meio profissional, tenho um companheiro com quem partilho todas as questões relacionadas com as crianças, o que me parece ser o mais normal uma vez que são filhas de ambos, e aconselho a que dividam sempre as tarefas, ninguém tem de ser a “supermulher/mãe/profissional” e é muito importante assumir isso, caso contrário facilmente se chega a uma situação de esgotamento por excesso de responsabilidades e tarefas. 

Apesar de se tratar de um meio ainda muito masculino, tem se verificado a inversão desta tendência nos últimos anos. O Fragmentos tem passado por um processo de crescimento gradual e o número de arquitetas que se propõem às vagas que abrimos é substancialmente superior ao número de arquitetos. Será uma questão de tempo até se equilibrarem as posições, com cada vez mais jovens arquitetas a entrarem no mercado de trabalho. 

Há muitas mulheres a fazer arquitetura, diria mesmo que mais que homens. Ainda assim, poucas lideram os ateliers de maior renome. Estamos geralmente mais na “retaguarda”, mas julgo que será um desequilíbrio ultrapassado pela nova geração. A capacidade de síntese e de organização são qualidades que facilmente transportamos da necessidade de ter uma gestão equilibrada da família e do trabalho, e que hoje em dia são essenciais pelo momento acelerado que o mercado vive. 

Dedicação e organização são os grandes fatores diferenciadores num meio em que o equilíbrio entre número de mulheres e homens é cada vez maior.

É com orgulho que as mulheres representam mais de 50% da equipa do atelier. Caminhamos para um mundo mais justo e o Fragmentos tem desempenhado um papel de grande relevo no equilíbrio entre géneros.

Ser mulher num mundo de homens é algo a que nos vamos habituando desde a época de faculdade. Ainda assim, é necessária alguma resiliência e firmeza para nos destacarmos, porque nos querem fazer acreditar que somos o “sexo fraco” e que temos mais a provar que os homens. Felizmente, sinto que este estigma tende a dissipar-se na sociedade atual. Nos dias que correm, ainda é desafiante coordenar equipas masculinas habituadas a serem os alfas das suas famílias e equipas profissionais.

Em 2016, quando decidi abraçar o desafio de criar a minha empresa, senti que estava munida do saber necessário e da experiência fundamental para poder vingar, mas necessitava de uma equipa. A parceria com a MELOM e o Querido Mudei a Casa Obras, veio alavancar a empresa na medida em que nos deu a oportunidade de chegar a mais clientes e provar o nosso valor, com trabalho - fomos reconhecidos como a melhor Unidade Querido Mudei a Casa Obras e Prémio Faturação 2019.

Quando me pedem “Conselhos para vingar num setor (ainda e sobretudo) de homens”, eu prefiro apenas referenciar algumas máximas, sobretudo aquelas que eu vivencio diariamente e que me dão provas de estar no caminho certo. Ser mulher não é ser menos sábia, menos forte nem menos capaz, apenas temos de usar a nossa força naquilo que nos faz ser bons no que fazemos todos os dias.

Enquanto engenheira civil, gerente de uma empresa, eu diria que valorizar-nos e acreditarmos que somos capazes é a chave do nosso sucesso pessoal. Este selo traz consigo os valores que defendemos e que nos faz ser diferenciadores no mercado: desenvolver boas práticas no serviço prestado; ser humilde, sendo capaz de crescer e a aprender todos os dias, e munindo-nos de novas ferramentas e conhecimentos para continuarmos a nossa jornada; sermos profissionais capacitados e honestos pois o nosso cliente precisa de quem lhe construa sonhos e não de quem lhe apresente dificuldades.

Eu não acredito que sou uma mulher no mundo dos homens. Eu acredito que o mundo dos homens é feito também por grandes mulheres.

Não acredito que haja qualquer diferença nas capacidades ou competências entre homens e mulheres, desde que as mulheres não tenham receio de se impor num mundo (ainda) dominado por homens. Se acreditarem que conseguem fazer exatamente as mesmas coisas, sem condicionamentos sociais, religiosos ou outros, vingam.

Cresci numa família de muitos valores no que concerne a direitos e deveres de cada um, sem diferenças entre homens e mulheres, raça, cor, profissão ou título. Sou filha de uma mãe que era ‘líder’ no seu trabalho, e de um pai também ‘líder’, ambos por competência e esforço e não por títulos, cada um na sua área. Por isso, desde cedo percebi que a liderança ou as capacidades de vingar profissionalmente nada têm a ver com género. Têm a ver com motivação, garra, perseverança, valores e opções, sobretudo opções.

Penso que, ainda hoje, em pleno século XXI, é muito difícil para as mulheres ‘vingarem’ em qualquer setor se não trabalharem numa empresa correta, com valores em termos de direitos laborais, pois é fácil acumularem imensas tarefas domésticas que lhes são expectáveis e acabam por desistir. Na construção civil ainda mais difícil é! Decidi cedo estudar arquitetura e sempre adorei construir coisas. Também decidi cedo, que fizesse o que fizesse, o faria com paixão e competência, para fazer a diferença, tal como me tinha sido passado.

Confesso que as primeiras visitas às obras eram aterrorizadoras. Sentia os olhares e os pensamentos ‘uma miúda nas obras?’. Passei por comentários menos positivos e olhares, tanto aqui em Portugal, como em Angola, onde fazia regularmente fiscalização e coordenação de obra. Como tenho uma personalidade forte (ou mau feitio) fui sobrevivendo ao ‘machismo’ do setor, excluindo-me para ‘proteção’ de almoços só com ‘homens’ ou grandes confianças, como forma de manter o distanciamento necessário para desempenhar as minhas funções.

O melhor conselho para vingar neste setor de homens – neste caso, a construção – é, na minha opinião, mostrar-lhes (aos homens) que, nós mulheres, não temos medo de desafios. Que conseguimos trabalhar, carregar pesos, pintar, projetar e liderar ao mesmo tempo que passamos esses mesmos valores de igualdade de género aos nossos filhos.