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Maioria das casas em Portugal tem o nível mais baixo de conforto interior

São poucas as residências onde se possa estar na totalidade do tempo em condições de temperatura perfeitamente confortáveis, sem recorrer a aquecimento ou arrefecimento.

Photo by Ava Sol on Unsplash
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Autor: Redação

Temperaturas altas em Portugal, por estes dias, é o que marcam os termómetros. E calor dentro de casa será o que a maioria dos portugueses estará a sentir. E, quando chegar o frio, será essa a sensação que terão também. Isto porque, a generalidade das habitações portuguesas construídas antes de 2016 tem o nível mais baixo de conforto interior, segundo a norma europeia de avaliação das condições térmicas nos edifícios (a norma EN 1525).

Em Portugal, segundo noticiou o Público, são poucas as casas onde os seus ocupantes consigam permanecer na totalidade do tempo em condições de temperatura perfeitamente confortáveis, sem recorrer a aquecimento ou arrefecimento, baseado no documento de análise da Estratégia de Longo Prazo para a Renovação dos Edifícios (ELPRE), que esteve antes do verão em consulta pública e veio confirmar o “expectável baixo conforto térmico nas habitações em Portugal”.

Este cenário resulta da conjugação entre “baixa utilização de energia para climatização face às necessidades energéticas” e um “parque edificado envelhecido e com um fraco desempenho energético”, refere o documento desenvolvido por um grupo de trabalho com elementos da Direcção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), da Agência para a Energia (Adene) e do Instituto Superior Técnico (IST) para o Governo, citado pelo jornal.

A ELPRE estima que o número de alojamentos em Portugal ronde os 6 milhões, para cerca de quatro milhões de famílias – o que pressupõe a existência de quase dois milhões de alojamentos vagos ou de uso sazonal.

E, excluíndo os “edifícios multifamiliares construídos após 2016, todos os edifícios apresentam uma categoria IV de conforto”, que é a mais baixa da escala. Isto quer dizer que o parque residencial “proporciona desconforto térmico” em mais de 95% das horas de ocupação durante o ano.

Dicas para melhorar o conforto térmico - e a saúde

O desconforto térmico (que tem reflexos na saúde dos ocupantes) é mais acentuado no inverno e, naturalmente, as habitações mais antigas e em zonas com clima mais severo são “as mais afetadas”. O documento, de acordo com o que escreve o diário, estima que “sem aquecimento ativo, as temperaturas mínimas interiores possam atingir com frequência valores abaixo dos 10° C”.

Estas situações, de acordo com a ELPRE, estas poderiam ser amenizadas com medidas como a substituição de janelas ou o isolamento das coberturas e fachadas, que permitiriam aumentar o conforto térmico interior em cerca de dois terços dos edifícios, que passariam para a categoria III, correspondente “a um conforto térmico aceitável sem necessidade de sistemas activos” de aquecimento ou arrefecimento.

Para os alojamentos onde as soluções passivas não bastam para aumentar os níveis de conforto (porque são edifícios mais antigos ou estão em zonas com climas mais severos, por exemplo), a ELPRE prevê medidas como a introdução de sistemas eficientes, como bombas de calor, recuperadores de calor, ou chillers, usados para refrigeração e desumidificação do ar, resume o Público, destancando que a estratégia passa ainda pela promoção de energia de fontes renováveis, como painéis solares térmicos para aquecer águas e painéis fotovoltaicos para produção de eletricidade.