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Residências universitárias otimistas com negócio este ano letivo, apesar da Covid-19

Operadores privados admitem dificuldades como a redução de alunos de Erasmus, mas contam com procura nacional para atingir boas taxas de ocupação.

Photo by LinkedIn Sales Navigator on Unsplash
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Autor: Elisabete Soares (colaborador do idealista news)

O ano letivo 2020/21, que arranca em plena pandemia da Covid-19, vai apresentar muitos desafios, mas a expetativa é positiva para os operadores de residências universitárias. Ao idealista/news, as três principais empresas a operar neste mercado - a U.hub/Xior, a Livensa Living e a Milestone - dizem acreditar que vão atingir boas taxas de ocupação, sobretudo com os alunos nacionais, mostrando-se assim confiantes de que este é um segmento de mercado que continua em alta e apetecível para o investimento em Portugal.

O atraso no início das aulas universitárias, face aos anos anteriores, devido à tardia publicação dos resultados de colocações dos novos alunos e, sobretudo, à necessidade de implementar medidas de segurança necessárias ao combate à pandemia do novo coronavírus veio penalizar o negócio no arranque da temporada. Entretanto, algumas universidades já anunciaram o começo das aulas para o dia 21 de setembro de 2020 no caso dos alunos já inscritos, e o início de outubro próximo para quem vai entrar para o primeiro ano, contribuindo para traçar melhores perspetivas.

Outra dificuldade que esta atividade está a viver sente-se ao nível dos estudantes de Erasmus, já que a maioria decidiu cancelar ou adiar os cursos nas universidades nacionais, reduzindo substancialmente aquele que era o principal mercado das residências privadas, até ao momento.

“Continuamos otimistas nas taxas de ocupação”

“Apesar deste enquadramento desafiante para os operadores, continuamos otimistas relativamente às taxas de ocupação, já que a residência da Xior Campus Asprela foi posicionada para abranger diferentes segmentos de mercado, oferecendo quartos individuais com casa de banho que se enquadra no poder de compra de muitos pais portugueses”, afirma Hugo Gonçalves Pereira, administrador da U.hub.

U.hub.
U.hub.

A unidade faz parte de um lote de residências compradas no final de 2019 pelo operador belga Xior ao promotor U.hub Investments, ligada à gestora de ativos Atrium, tendo começado a funcionar este mês, depois da conclusão da obra do edifício ter decorrido durante os meses de confinamento.

“Procura de alojamento continua forte”

“A procura de alojamento por estudantes premium continua forte, mas existem algumas restrições devido à situação internacional”, revela Gary Clarke, CEO da Milestone, esclarecendo que devido a restrições de viagens, os estudantes estrangeiros de alguns países, que tinham uma forte presença em Portugal (por exemplo, Brasil), estão a chegar em menor número do que antes. Dá nota de que também os estudantes portugueses estão, este ano, a aguardar consideravelmente mais tempo para tomarem a sua decisão  - em parte devido ao atraso na matrícula e nos exames de admissão.

Milestone
Milestone

Contudo, o responsável diz que na empresa estão convencidos de que "os alunos não querem ficar arredados do seu percurso estudantil”, frisando que “os nossos números de reserva confirmam essa suposição até agora”.

De referir que a Milestone Porto Asprela continuou aberta durante os meses de confinamento. “Implantámos medidas de segurança, como limpeza das áreas comuns mais frequentes, realização de eventos online, só para citar alguns”, refere.

“Esperamos um ano diferente”

Também as residências Livensa Living "estiveram abertas ao longo do ano, em linha com os nossos princípios de garantia da segurança e bem-estar dos residentes”, começa por indicar a responsável da Temprano Capital Partners – promotor que em janeiro deste ano fez uma ‘joint-venture’ com o fundo canadiano Brookfield Asset Management, para criar 19 residências de estudantes em Portugal e Espanha. Conta depois que “tivemos de adequar a nossa operação e alguns de nossos serviços para atender às novas diretrizes governamentais e promover a segurança dos alunos”.

Livensa Living
Livensa Living

Sobre o ano letivo que se aproxima, a operadora antecipa que "seja um ano diferente", uma vez que "alguns alunos do exterior podem não conseguir ou não se sentir confortáveis para viajar", pelo qual esperam "mais procura nacional”.

Residências preparadas para nova conjuntura

Na atual situação de pandemia, as entidades envolvidas consideram vital trabalhar em conjunto para garantir a segurança dos alunos, professores e funcionários.

Gary Clarke, por exemplo, aponta que a Milestone “está intimamente ligada aos parceiros das universidade, nas suas unidades, para fazer cumprir as regras de segurança”.

A Livensa Living, por sua vez, alerta que “todas as entidades envolvidas no ensino devem trabalhar em conjunto para salvaguardar o bem-estar dos alunos e funcionários (professores), mas também para garantir que o ensino superior realmente desempenhe o papel que deve ter na vida dos alunos”.

Já o responsável da U.hub realça que “o novo ano letivo irá trazer alguns desafios ao nível da organização da atividade docente nas universidades, sendo importante que as entidades governamentais competentes emitam recomendações claras e atempadas sobre as medidas a tomar ao nível das universidades”. Acredita que é possível ter um ensino misto presencial/online seguro desde que seja feito um planeamento adequado das aulas e sejam tomadas as devidas medidas de precaução para evitar surtos de Covid-19 nas universidades.

Ao oferecer salas de estudo amplas com gabinetes para vídeo conferência e internet de elevada performance, os operadores das residências universitárias privadas defendem que se posicionam como um parceiro ideal para que as atividades letivas possam continuar sem sobressaltos, neste novo modelo de ensino que vai exigir que os estudantes tenham as necessárias condições nos seus locais de alojamento.