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Fim das moratórias vai trazer mais imóveis para o mercado

Paulo Barros Trindade, presidente da ASAVAL, antecipa uma correção dos preços dos imóveis, mas que “não será muito acentuada”.

AL-MUT por Pixabay
AL-MUT por Pixabay
Autor: Redação

Os preços das casas subiram em flecha nos últimos anos, nomeadamente em Portugal, mas uma “nuvem” chamada pandemia pode fazer com que o crescimento abrande e que, por isso mesmo, se assista a uma descida generalizada dos mesmos. Um cenário já colocado em cima da mesa pela Comissão Europeia (CE) e pelas agências de notação financeira S&P e Moody's. Para Paulo Barros Trindade, presidente da Associação Profissional das Sociedades de Avaliação (ASAVAL), é de esperar, de facto, uma “correção de preços, verificando-se já esse efeito no mercado de arrendamento”.

O responsável alertou, no entanto, que “poderá haver comportamento diferenciado por segmento de mercado (comercial, hotelaria, logística, escritórios, residencial) e por zona do país”. Em entrevista ao Jornal de Negócios, Paulo Barros Trindade considera ainda que “o prolongamento da crise vai conduzir a uma correção de preços em todo o país”. Correção essa que, a confirmar-se, “não será muito acentuada”. 

Quando questionado sobre as moratórias bancárias, nomeadamente sobre as que incidem sobre o crédito à habitação, o líder da ASAVAL deixa um aviso: “Se a recuperação económica for lenta e continuar a subir o desemprego, o desaparecimento das moratórias poderá afetar a capacidade de as famílias cumprirem as suas obrigações contratuais, podendo determinar alguma pressão para a venda forçada de imóveis, com o correspondente efeito em baixa nos preços. Mas será sempre um movimento com bastante ‘delay’ atendendo a que as moratórias, já em vigor, se prolongam até setembro de 2021. Por outro lado, a manutenção nos próximos anos de taxas de juro muito baixas (próximas de zero) vai certamente dar uma ajuda significativa às famílias no pagamento dos seus créditos hipotecários”.