Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Venda de casas deve cair 15% em Lisboa e 25% no Porto devido à pandemia – e preços abrandam

Estudo da consultora CBRE sobre o mercado residencial conclui que continua a haver “uma carência significativa de casas, tanto para venda como para arrendamento”.

Rudy and Peter Skitterians por Pixabay
Rudy and Peter Skitterians por Pixabay
Autor: Redação

A venda de casas deve cair 15% em Lisboa e 25% no Porto em 2020 à boleia da pandemia da Covid-19. Esta é uma das conclusões do estudo “Mercado Residencial em Portugal: Desempenho e Perspetivas”, da consultora imobiliária CBRE, que analisa em detalhe os mercados residenciais das duas principais cidades portuguesas. Trata-se de um relatório que aborda, entre outros temas, o potencial de crescimento do mercado de investimento institucional em habitação para arrendamento e o futuro do mercado residencial no país.

“A escassez de habitação em Portugal, principalmente a preços acessíveis, era um dos principais desafios com que o país se deparava quando surgiu o novo coronavírus”, refere a CBRE, em comunicado. “A pandemia da Covid-19 veio reduzir o número de transações de habitação, prevendo-se um decréscimo de cerca de 10-15% em Lisboa e 20-25% no Porto em 2020, relativamente ao ano anterior, e travou a tendência de subida dos preços de venda”, lê-se no documento, que tem por base o referido estudo.

Segundo a consultora, “embora seja provável uma descida nos preços em algumas localizações nos próximos meses”, não se antecipam “quedas significativas, uma vez que continua a haver uma enorme escassez de oferta”. “Note-se que em 2019 foram concluídas apenas 3.000 casas novas na Área Metropolitana de Lisboa e 1.600 na Área Metropolitana do Porto, que compara com 11.000 e 6.900, respetivamente, em 2009”. 

Confiança no pós-Covid-19 

A CBRE mostra-se confiante na retoma da dinâmica do mercado residencial em Portugal, após controlada a pandemia, “tendo em conta que a habitação é uma necessidade básica e os fundamentos do mercado permanecem robustos”. 

A consultora considera que “subsiste uma carência significativa de casas, tanto para venda como para arrendamento”, mas lembra que “há um número significativo de projetos em licenciamento e planeamento”. E mais: continua a observar um elevado interesse, tanto por parte de promotores como de investidores institucionais, pelo setor de habitação em Portugal.

Arrendamento a crescer

Para a CBRE, depois de décadas de domínio absoluto do paradigma de promoção de habitação para venda, a construção de edifícios para arrendamento promete tornar-se uma classe de ativos emergente em Portugal. “Prevê-se que o seu desenvolvimento acelere na sequência do novo coronavírus, impulsionado por um agravamento na acessibilidade à aquisição de habitação própria pelas famílias num contexto económico recessivo, mas igualmente, como resultado de novas tendências sociais, culturais e demográficas”, refere a empresa, na nota enviada às redações.

Para Joana Fonseca, Associate Director do departamento de Strategic Advisory, “existem diversas tendências, correlacionadas, que estão a ter um impacto profundo na forma de viver das pessoas, contribuindo para uma perspetiva de redução, no longo prazo, da percentagem de casas próprias em Portugal e no crescimento do setor residencial para arrendamento”. “Em termos gerais estas tendências são: a urbanização, com um crescimento da população nas zonas urbanas; mudanças sócio-demográficas, como a idade mais tardia do casamento ou do nascimento do primeiro filho; e a crescente dificuldade em aceder aos atuais preços de compra de casa”, diz.

Sobre o setor residencial para arrendamento, Nuno Nunes, responsável pelo departamento de Capital Markets, refere que está, a par da logística, “no topo das preferências de investimento dos maiores investidores institucionais”. No entanto, o mercado de investimento privado em habitação para arrendamento ainda se encontra numa fase inicial em Portugal. De facto, começam a ser concebidos os primeiros projetos, nomeadamente em Lisboa e no Porto. Não obstante, já existe um número relevante e diversificado de grandes investidores institucionais que têm manifestado o seu apetite e empenho em investir nesta classe de ativos, caso encontrem o produto adequado”, conta.

Cristina Arouca, responsável pela área de Research da CBRE Portugal, afirma que “as tendências que têm vindo a moldar a forma de viver das pessoas vão muito além do novo surto de coronavírus”. E destaca, entre estas tendências, “o crescimento do mercado privado de arrendamento; um aumento da procura de casa fora dos centros urbanos; a importância de ter um espaço de trabalho adequado em casa; um incremento de soluções de sustentabilidade na habitação; a integração de serviços complementares, ao que designamos de ‘Hotelification’; e uma maior diversificação de conceitos, como são exemplo as residências de estudantes e o co-living”.