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Construção de casas para arrendar vai disparar e jovens entre 18 e 34 anos serão o motor da procura

Mercado do ‘multifamily’ está a dar os “primeiros passos” em Portugal e a “gerar um crescente interesse entre os investidores”.

StockSnap por Pixabay
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Autor: Redação

O interesse pelo setor de ‘multifamily, que consiste na habitação construída de raiz para o arrendamento tradicional, vai disparar em Portugal nos próximos cinco anos. Esta é uma das conclusões do mais recente relatório da consultora imobiliária JLL, European City Dynamics. Segundo o mesmo, os jovens entre os 18 e os 34 anos serão o principal motor da procura de arrendamento em Portugal e, também, na Europa.

“[Em Portugal], o mercado do ‘multifamily’ dá os primeiros passos e está a gerar um crescente interesse entre os investidores, devido à sua resiliência e ao facto de não existir resposta para a procura atual. Este segmento vai disparar nos próximos cinco anos nas zonas de Lisboa, Porto e respetivas coroas urbanas, sendo os jovens um dos segmentos mais relevantes da procura para este mercado”, diz Fernando Ferreira, Head of Capital Markets da JLL, citado em comunicado.

De acordo com a consultora, os jovens portugueses estão cada vez mais disponíveis para arrendar casa, sendo este um mercado sem oferta disponível. “Por um lado, procuram aceder à sua primeira habitação sem o ónus da compra, seja porque preferem soluções mais flexíveis, seja porque nos próximos anos, também em resultado da atual crise, irá haver maior dificuldade em aceder ao financiamento para aquisição de habitação. Por outro lado, existe esse crescente fluxo de estudantes, agora mais dominado pelas migrações internas, que também não tem oferta adequada às suas necessidades para arrendar”, refere a consultora, salientando que Lisboa e Porto estão entre as cidades “muito pouco acessíveis” para arrendar casa, embora não se classifiquem ainda entre as que são consideradas “inacessíveis”. 

“[Em Portugal], o mercado do ‘multifamily’ dá os primeiros passos e está a gerar um crescente interesse entre os investidores, devido à sua resiliência e ao facto de não existir resposta para a procura atual"
Fernando Ferreira, Head of Capital Markets da JLL

Para Fernando Ferreira não há dúvidas, existe “um enorme potencial de crescimento nesta franja mais jovem para o desenvolvimento de projetos residenciais destinados ao arrendamento, disponibilizando casas adequadas à sua capacidade financeira, mas também ao seu estilo de vida”. “Para estes jovens, arrendar não é só uma questão financeira. Estas novas necessidades habitacionais são um tema geracional e cultural. Os millenialls não querem necessariamente possuir uma casa, querem usá-la e ter flexibilidade e mobilidade nas suas opções de vida. Esse é o seu lema para quase tudo. Vão ser um importante motor deste mercado de arrendamento institucional também em Portugal”, conclui o responsável.

Cidades estão a ser re-imaginadas

Segundo o estudo da JLL, a pandemia da Covid-19 está a mudar de forma rápida o cenário imobiliário a nível mundial, estando as cidades estão a ser re-imaginadas. Mudanças essas que apresentam novas oportunidades e desafios para os investidores, operadores e promotores do setor de imobiliário residencial. 

“Os residentes urbanos jovens continuarão a impactar a dinâmica do mercado imobiliário e a procura por casas na cidade no mundo pós-pandémico. Em todas as grandes metrópoles urbanas, cerca de 22% da população tem entre 20 a 34 anos, sendo que além de terem maior mobilidade, os jovens são também o grupo mais representativo de inquilinos no setor ‘multifamily’ e aquele que tem maior probabilidade de viver sozinho, reforçando a sua importância para o mercado de arrendamento da maioria das cidades. Com mais de 40% dos jovens acima dos 20 anos a frequentar o ensino superior na Europa, este grupo é também o principal residente no alojamento para estudantes. Em 14 dos mais importantes países europeus, 25% dos estudantes com menos de 22 anos vivem neste tipo de acomodação. Em Portugal, essa percentagem é bastante menor, não chegando a 10%”, lê-se no documento.