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Imobiliário em 2021: maior dinamismo à boleia da vacina

Eric van Leuven, diretor-geral da Cushman & Wakefield em Portugal, estima que a retoma da atividade aconteça no segundo semestre.

Annie Spratt on Unsplash
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Autor: Redação

Como será e/ou vai reagir o mercado imobiliário em 2021? Para Eric van Leuven, diretor-geral da consultora Cushman & Wakefield (C&W) em Portugal, as perspetivas para 2021 “são moderadamente otimistas, embora dependentes da eficácia da vacinação e subsequente controlo da pandemia, e distintas entre os diferentes setores imobiliários”. Segundo o responsável, acompanhando uma tendência europeia reforçada no ano passado, “o segmento de residencial para arrendamento (ou PRS - private rented sector) irá dinamizar o mercado, não só do ponto de vista do utilizador final, mas também enquanto produto de investimento, sendo já muitos os promotores e investidores que se estão a posicionar para concretizar projetos nesta área”.

Eric van Leuven prevê que, de uma forma geral, no “primeiro semestre deverá manter-se uma atitude cautelosa no mercado ocupacional, com tendência de adiamento dos processos de tomada de decisão”, seguindo-se “um segundo semestre com um efetivo início de retoma da atividade”. 

“A procura de espaços de qualidade em industrial e logística continuará dinâmica, por oposição aos setores mais afetados pelas medidas restritivas em vigor, nomeadamente retalho e hotelaria. Adicionalmente, a flexibilidade do trabalho continuará a gerar uma reavaliação da forma de ocupação de escritórios pelas empresas”, comenta o resonsável, citado no comunicado enviado pela C&W às redações, no qual a consultora apresenta um resumo da atividade do mercado imobiliário nacional em 2020 e as suas perspetivas para 2021.

"No primeiro semestre deverá manter-se uma atitude cautelosa no mercado ocupacional, com tendência de adiamento dos processos de tomada de decisão”, seguindo-se “um segundo semestre com um efetivo início de retoma da atividade”
Eric van Leuven

No que diz respeito ao mercado de investimento institucional, Eric van Leuven antevê que “os elevados níveis de liquidez atuais deverão contribuir para uma recuperação da atividade no início do ano”. “Desta forma, embora o volume de negócios com elevada probabilidade de concretização durante este ano se encontre apenas nos 1.800 milhões de euros, aos mesmos poderão acrescer transações ‘off market’ e negócios atualmente suspensos, num total de 1.800 milhões de euros, mas com possibilidade de conclusão até 2022”, acrescenta.

O ano imobiliário de 2020 à lupa

Sobre 2020, o responsável diz que foi “um ano desafiante para o imobiliário nacional”, estimando-se, ainda assim, que terão sido transacionados 2.800 milhões de euros no mercado de investimento imobiliário comercial, “o terceiro maior volume de sempre em Portugal”.

  • Mercado de investimento imobiliário comercial

Os 2.780 milhões de euros registados até 31 de dezembro de 2020 representam o terceiro máximo histórico no país, numa quebra homóloga de somente 14% face a 2019, e em linha com outros mercados europeus, conclui a C&W, salientando que o valor definitivo de fecho do ano ainda terá de ser confirmado, acreditando-se que deverá rondar os 2.800 milhões de euros.

À semelhança dos anos anteriores, o capital estrangeiro dominou a atividade do mercado, agregando 75% do volume investido em imobiliário em 2020. Destaque para os investidores alemães (555 milhões de euros) e ingleses (516 milhões milhões de euros). 

  • Escritórios

Foram arrendados na Grande Lisboa, entre janeiro e novembro, 118.200 metros quadrados (m2) de escritórios, uma quebra homóloga superior a 30%. As estimativas de fecho de ano apontam para uma retração na mesma ordem, traduzindo-se numa absorção total de 135.000 m2, o valor mais baixo dos últimos seis anos. 

Já o Grande Porto atravessa um “bom momento”, conclui a C&W,  salientando que se assistiu a um “comportamento em contraciclo”, com um aumento da absorção até novembro de 36%, para 45.400 m2. 

  • Retalho

Foi um dos setores mais afetados pela pandemia da Covid-19, lembra a consultora, sublinhando que “não só o e-commerce se revelou uma oportunidade, mas várias outras alternativas, como a presença reforçada nas redes sociais, o atendimento personalizado e exclusivo e o ‘click & collect’, tiveram uma maior adesão de forma a potenciar vendas e transmitir confiança ao consumidor”.

De acordo com a C&W, foram registadas no ano passado 370 novas aberturas de lojas/espaços comerciais, com uma área total de 92.100 m2. Trata-se de uma quebra na ordem dos 60% face a 2019.

“Mantendo a tendência dos últimos anos, o comércio de rua destacou-se largamente, representando 69% do número de operações, seguido pelos centros comerciais com 18%. Da mesma forma, o setor da restauração foi o mais ativo, com 61% dos novos arrendamentos, seguido pela moda com 10%”, nota a empresa.

  • Industrial & Logística

A atividade no mercado de industrial e logística registou uma maior resiliência durante 2020, com o aumento do comércio online a contribuir para um reforço da procura de espaços adaptados à sua operação. De acordo com a C&W, entre janeiro e setembro, foram transacionados 232.600 m2, mais do que duplicando o volume registado em igual período do ano anterior.

  • Hotelaria

O impacto da pandemia “foi particularmente negativo no setor hoteleiro, com quebras expressivas em todos os seus indicadores”, frisa a consultora, adiantando que, entre janeiro e outubro, o número de hóspedes e dormidas registaram uma contração de 61% e 63%, respetivamente, face a igual período de 2019.

“Com vários hotéis a encerrar voluntariamente durante 2020, verificou-se um adiamento estratégico de algumas aberturas, com o ano a registar a inauguração de cerca de 50 novos projetos hoteleiros, num total de 2.700 quartos”, refere a C&W, salientando que “a oferta futura, atualmente estimada em 190 novos projetos e 15.800 quartos até 2023, enfrenta agora uma elevada probabilidade de revisão em baixa”.