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Mediadoras imobiliárias pedem ao Governo e a Marcelo que autorizem visitas presenciais a imóveis

Carta aberta subscrita pela APEMIP e pelos presidentes das mediadoras C21, ERA, Remax e Sotheby’s alega que meios digitais ajudam, mas não são suficientes.

Imagem de Arek Socha por Pixabay
Imagem de Arek Socha por Pixabay
Autor: Redação

O setor da mediação imobiliária quer que o Governo e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, permitam a realização de visitas presenciais a imóveis e reconsiderem o levantamento deste impedimento, agora em vigor com o novo confinamento geral, alegando que afeta a atividade e o negócio. "No imobiliário os negócios são realizados com pessoas e implicam visitas a imóveis. Os meios digitais ajudam bastante, mas não são suficientes para ultrapassar este obstáculo, pois ninguém compra uma casa sem a visitar presencialmente", argumentam.

Numa carta aberta endereçada a Marcelo Rebelo de Sousa, ao primeiro-ministro António Costa e ao Ministro Adjunto e da Economia Pedro Siza Vieira, pode ler-se que "os agentes do setor, estamos verdadeiramente preocupados com as nossas agências e com os seus funcionários, mas também com os cidadãos que procuram e precisam de soluções habitacionais e assessoria especializada dos consultores imobiliários. Apelamos, assim, que se reconsidere a posição quanto à autorização de visitas presenciais pelos profissionais imobiliários, em função daquele que é o interesse geral e da garantia do cumprimento do direito constitucional à habitação, mas também em função da imperatividade de apoiar as famílias portuguesas a aceder às soluções habitacionais de que necessitam”.

O documento em causa é assinado por Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), pelo presidente da Century 21 Portugal, Joaquim Rocha de Sousa, pelo CEO da Century 21 Portugal, Ricardo Sousa, pelo administrador da ERA, Paulo Morgado, pelo presidente da Remax Portugal, Manuel Alvarez, e pelo administrador da Sotheby’s International Realty, Fernando Sapinho.

Os mediadores dizem estar conscientas da situação “terrível e sem precedentes” que o país vive, na sequência da pandemia da Covid-19, e mostram-se “disponíveis para fortalecer ainda mais os protocolos implementados pela DGS para evitar quaisquer contágios, através do limite do número de visitas e visitantes por via da obrigatoriedade de marcação prévia, da total higienização das instalações a cada visita e da imposição”, aos agentes imobiliários, da utilização da aplicação STAYAWAYCOVID.

“O nosso desejo é podermos exercer uma profissão que é imprescindível a todos os cidadãos nas melhores condições possíveis, garantindo que o imobiliário será, como sempre, uma das principais forças motrizes da dinamização económica do país”, lê-se na carta aberta.

“Um convite à mediação ilegal”

Os mediadores imobiliários dizem estar “surpreendidos” com a decisão de, no novo confinamento geral, estarem impedidos de continuarem a manter a sua atividade quando, por outro lado, “são permitidos todos os demais passos enquadrados na cadeia” da compra e venda de um imóvel. “Os peritos avaliadores continuam a fazer avaliações, o setor financeiro continua a fazer crédito à habitação, os notários continuam a fazer escrituras, os proprietários podem a título particular vender casas, os construtores podem continuar a laborar e até a vender”, lamentam, considerando que “esta situação é um verdadeiro convite à celebração de negócios em paralelo e à mediação ilegal”.

“A quebra deste elo dos clientes com a mediação imobiliária bloqueia vendas e arrendamentos e poderá mergulhar alguns dos nossos cidadãos em situações de angústia e fragilidade (...). Os consultores imobiliários assumem (...) um papel fundamental neste processo, e (...) não podemos deixar de apoiar as famílias portuguesas facultando-lhes o acompanhamento especializado de que tanto necessitam. No imobiliário os negócios são realizados com pessoas e implicam visitas a imóveis. Os meios digitais ajudam bastante, mas não são suficientes para ultrapassar este obstáculo, pois ninguém compra uma casa sem a visitar presencialmente”, alertam os subscritores da carta aberta.