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Visitas aos imóveis com marcação prévia: o pedido da APEMIP ao Governo para evitar "tragédia"

Para Luís Lima, presidente da APEMIP, não há motivos para não permitir que as mediadoras imobiliárias continuem a fazer o seu trabalho.

Imagem de Tumisu por Pixabay
Imagem de Tumisu por Pixabay
Autor: Redação

O presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), Luís Lima, diz que o setor está absolutamente solidário com as ações do Governo para tentar travar a pandemia e compreende a necessidade de um novo confinamento geral, na sequência da pandemia da Covid-19, mas defende que o acesso à habitação é essencial aos cidadãos e à sobrevivência do imobiliário. Nesse contexto, pede ao Executivo de António Costa que seja revista a possibilidade de se fazerem visitas a imóveis com marcação prévia.

A APEMIP diz, em comunicado, que o impedimento à manutenção da atividade dos mediadores imobiliários, na sequência do novo confinamento geral, pode significar “uma tragédia” para o setor. 

“Não há nenhum motivo para não permitir que as empresas de mediação imobiliária continuem a fazer o seu trabalho. Podemos ter a porta fechada e funcionar com marcação, garantindo como temos feito até agora, o cumprimento de todas as regras de higiene e segurança. O teletrabalho não resolve o nosso problema e não temos ao nosso dispor alternativas como o ‘takeaway’. No imobiliário, o negócio é realizado com pessoas e implica visitas a imóveis. Os meios digitais não são suficientes para ultrapassar este obstáculo, pois ninguém compra uma casa sem a visitar presencialmente”, considera Luís Lima, citado no documento.

Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) / APEMIP
Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) / APEMIP

“Como é que comprar um automóvel pode ser considerado mais essencial que a compra ou arrendamento de uma casa? Não é uma questão de uns serem mais ou menos importantes que outros, mas sim de justiça”, acrescenta, salientando que “o imobiliário não pode continuar a ser o parente pobre da economia”. “Temos de lembrar que foi este setor que alavancou a recuperação económica?!”, questiona, apelando apela ao Governo uma revisão das exceções existentes para o enquadramento das atividades imobiliárias.

Este porta-voz dos mediadores considera que “não faz sentido que os peritos avaliadores continuem a fazer avaliações, que os bancos continuem a fazer créditos, que os notários continuem a fazer escrituras, que os proprietários possam a título particular vender casas, que os construtores continuem a laborar e até a vender” imóveis quando “a grande força de vendas está parada”. 

Luís Lima mostra-se, também, preocupado com a sobrevivência das empresas do setor, argumentando que este novo confinamento tem um impacto pior que o primeiro: “Se no primeiro confinamento as empresas conseguiram revelar alguma resiliência e ultrapassar o momento, desta vez será muito difícil as imobiliárias conseguirem sobreviver, uma vez que o fundo de maneio existente foi-se esgotando ao longo do ano. Por outro lado, também as incertezas e a instabilidade laboral começam a afetar as famílias que preferem adiar decisões tão importantes como a compra de casa, o que tem vindo a resultar num decréscimo da procura que se começou a notar já desde setembro, e deverá acentuar com este novo confinamento”.