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My Home In The City, um local “onde estudantes, trabalhadores e turistas podem conviver e coexistir”

Metade dos 36 quartos da residência de estudantes, localizada em Lisboa, está arrendada a jovens trabalhadores, revela Francisco Catalão, gerente do espaço.

My Home In The City
My Home In The City

A pandemia da Covid-19 parece estar cada vez mais a mudar os hábitos de consumo e vivência dos portugueses. Um cenário que se verifica também no negócio das residências de estudantes. “Devido à situação da pandemia, verificámos um aumento gradual de procura de jovens trabalhadores e um decréscimo por parte de estudantes. De momento podemos dizer que temos cerca de 50% de estudantes e 50% de jovens trabalhadores, que muitas vezes são mais novos que os estudantes”, diz ao idealista/news o gerente da residência My Home In The City, situada em Lisboa. “Gostamos de dizer que somos pioneiros e peritos neste conceito de ‘co-living e ‘blended living, onde estudantes, trabalhadores e turistas possam conviver e coexistir”, conta Francisco Catalão.

Segundo o responsável, a My Home In The City, um projeto que integra o portfólio da promotora imobiliária Incentinveste – está a desenvolver, por exemplo, o Vitória Residence, em Setúbal, nas antigas instalações da Universidade Moderna –, abriu portas aos primeiros residentes em fevereiro de 2019. “Tem sido um projeto criado por nós de raiz e que continuamos a levar para a frente, com um investimento na sua reabilitação que envolveu cerca de milhão e meio de euros. O edifício original, datado dos anos 20 do século XX, tinha apenas quatro pisos, ampliámos para oito e mantivemos as fachadas principal e tardoz”. 

E será que a Incentinveste planeia continuar a investir neste tipo de segmento imobiliário, nomeadamente em residências de estudantes e espaços de ‘co-living’? “A residência My Home In The City foi o primeiro investimento deste género e funcionou como cobaia. (…) Gostaríamos de continuar nesta área e investir no crescimento da nossa marca, gostaríamos de investir na mesma zona, devido ao enorme potencial e devido ao facto de ser bastante atrativa tanto para os estudantes como para profissionais. Ponderamos aceitar novos investidores e parceiros para potenciar um crescimento nos próximos anos", responde. 

Francisco Catalão, gerente da residência My Home In The City / My Home In The City
Francisco Catalão, gerente da residência My Home In The City / My Home In The City

Quando nasceu a residência de estudantes My Home in the City e desde quando integra o portfólio da Incentinveste? Foi um projeto construído de raiz ou adquirido depois de já estar comprado?

O edifício fazia parte do portefólio da empresa há alguns anos e foram pensados vários projetos para a sua reabilitação. Após atravessarmos a crise que se instalou em 2008/2009, voltámos a focar-nos neste edifício, cuja mais-valia primordial é a sua localização, e, depois de analisar o mercado, verificámos a grande necessidade que Lisboa tinha de alojamento para estudantes e decidimos apostar neste setor. Além de alojamento, Lisboa estava muito atrasada em relação ao resto do mundo na introdução de conceitos de alojamento novos, alojamentos que oferecem mais que um quarto individual, que se focam no conforto e prosperidade dos inquilinos e na criação de um espaço 'co-living'. Desde o início que o nosso objetivo e modelo de negócios previa o arrendamento dos quartos para longa duração e, durante a época alta do turismo, o arrendamento para curta duração. A gestão entre as longas estadias e curtas resulta muito bem, e o nosso conceito permite conciliar a sazonalidade do turismo com o calendário escolar, resultando numa otimização de ocupação do espaço.

"O edifício original (...) tinha apenas quatro pisos, ampliámos para oito e mantivémos as fachadas principal e tardoz. Concluímos a construção no final de 2018, tendo aberto portas e recebido os primeiros residentes em fevereiro de 2019"

Tem sido um projeto criado por nós de raiz e que continuamos a levar para a frente, com um investimento na sua reabilitação que envolveu cerca de milhão e meio de euros. O edifício original, datado dos anos 20 do século XX, tinha apenas quatro pisos, ampliámos para oito e mantivémos as fachadas principal e tardoz. Concluímos a construção no final de 2018, tendo aberto portas e recebido os primeiros residentes em fevereiro de 2019, no início do segundo semestre letivo.

A residência está localizada numa zona central de Lisboa e é composta por 36 quartos. Como foi a procura em 2020, um ano marcado pelo aparecimento da pandemia, e que expetativas têm para 2021?

A residência tem 36 quartos, sim, e está localizada em frente da praça de touros do Campo Pequeno, sendo que alguns quartos proporcionam uma fantástica vista para a praça. A localização não podia ser melhor, estamos no centro nevrálgico universitário de Lisboa, rodeados da própria Cidade Universitária, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Nova, o Instituto Superior Técnico, o ISCAL, o ISEG e a Universidade Católica Portuguesa. Num raio de 10 minutos a pé, existem mais de 10 universidades. Esta zona de Lisboa cada vez mais é procurada e proporciona uma qualidade de vida acima da média, podemos circular facilmente a pé ou de bicicleta, com acesso a tudo o que podemos necessitar nas imediações, desde restauração, espaços de lazer e cultura, a todo o tipo de comércio e serviços, além de estar provida de óptimos acessos de transportes públicos.

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Desde o início que o conceito foi um sucesso, e não demorou muito a termos máxima ocupação. No final de 2019, chegámos a ter lista de espera para arrendar um quarto e tudo indicava que 2020 seguia pelo mesmo caminho. Estava tudo a correr bem mas, infelizmente, fomos abalados pela Covid-19. Decidimos adaptar a nossa oferta, ajustar os valores logo no início da pandemia, oferecer a máxima disponibilidade aos possíveis residentes. Oferecemos políticas de cancelamento e períodos de reserva totalmente flexíveis, obtivemos o selo do Turismo de Portugal “Clean & Safe”, criámos um quarto de isolamento no alojamento, e investimos em equipamento de higiene e prevenção. Felizmente, até agora não houve nenhum residente infetado. Durante o verão de 2020, observamos que houve uma grande procura de reservas para longa duração, havia muitas pessoas que procuravam um local melhor, por um valor mais competitivo, por razões diferentes como deixar as casas dos familiares idosos de forma a poderem isolar-se socialmente, e passar a viver perto de pessoas na mesma faixa etária. A nossa residência criou uma comunidade entre os residentes, e em tempos difíceis como estes, os residentes contribuem muito ao criar um melhor bem-estar entre todos. De certa forma, ajustámo-nos de forma a continuarmos competitivos, o que para nós foi uma vitória.

O ano de 2021 desafiou-nos muito, como este confinamento que atualmente estamos a atravessar, o fecho das fronteiras, a suspensão de voos entre Portugal e vários destinos não vieram ajudar. A nossa preocupação é manter os residentes atuais felizes, satisfeitos e seguros, como sempre, e esperemos que em breve as coisas melhorem. 
 
Estamos a falar de um espaço que além de residência de estudantes é também uma residência 'co-living' e um 'co-working', certo? O que distingue esta residência de estudantes de outras que existem na capital? 

Gostamos de dizer que somos pioneiros e peritos neste conceito de 'co-living' e 'blended living', onde estudantes, trabalhadores e turistas possam conviver e coexistir. 'Co-living' foca-se em criação de comunidade, mas também apoia a individualidade, é mais sobre partilha e colaboração ao invés de competição. Portanto, a residência tem várias zonas comuns para sustentar o nosso conceito de 'co-living'.  

"Gostamos de dizer que somos pioneiros e peritos neste conceito de 'co-living' e 'blended living', onde estudantes, trabalhadores e turistas possam conviver e coexistir. (...) A residência tem várias zonas comuns para sustentar o nosso conceito de 'co-living'"

Temos sido procurados por pessoas que trabalham e viviam sozinhas ou partilhavam casa e que, perante diversas razões, sentem-se demasiado isoladas, e pretendem viver num espaço que lhes ofereça segurança mas também convívio, sem sacrificar a qualidade do alojamento. As pessoas procuram sítios de qualidade superior como o que dispomos, com as melhores infraestruturas para a sua estadia. 

Ficamos muito contentes de observar a forma como os residentes e estudantes aceitaram de bom grado os turistas e visitantes, inclusive ajudando muitas vezes no acolhimento destes e orientação. Por exemplo, existia uma estudante que a certa altura demonstrou interesse em ajudar, e passou a efetuar os check-in dos visitantes, de forma a ganhar alguns benefícios também. Existiu um jovem trabalhador numa empresa de programação que comentou que nunca tinha conhecido pessoas de tantas nacionalidades diferentes em tão pouco tempo como as que conheceu na residência e que chegou a visitar alguns destes novos amigos na Polónia. Há pessoas que procuram este tipo de comunidade e não conhecemos outro local em Lisboa que possa oferecer a mesma experiência.

Oferecemos o à-vontade de estar numa casa, como a cozinha principal totalmente equipada, as kitchenettes em casa piso, o poder lavar e secar roupa independentemente, a esplanada no terraço, o receber visitas, aliado a algumas comodidades da hotelaria, como a limpeza e desinfeção diária dos espaços comuns, incluíndo as casas de banho partilhadas e a possibilidade de contratação de certos serviços, por exemplo.

Um dos motivos de orgulho é termos merecido a confiança de várias agências que se dedicam à colocação de alunos estrangeiros em programas de intercâmbio, que nos arrendam vários quartos para instalar estes alunos, assim como já temos vários protocolos estabelecidos com algumas faculdades. Tudo isto espelha a qualidade que oferecemos e a confiança que depositam nos nossos serviços, e como temos sido fiéis ao nosso mote "My Home In The City, a minha casa longe de casa".

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A pandemia mudou as “regras do jogo” do funcionamento da residência de estudantes? Têm arrendado agora mais quartos a profissionais jovens, ou seja, não necessariamente estudantes? 

Neste caso as “regras do jogo” não mudaram, apenas tivemos de adaptar os valores e políticas. Desde o início que o conceito era direcionado a estudantes, mas também a jovens trabalhadores, e desde o primeiro dia que tivemos residentes que trabalhavam nos quartos e faziam bom uso da nossa rede de internet. Obviamente que devido à situação da pandemia, verificámos um aumento gradual de procura de jovens trabalhadores e um decréscimo por parte de estudantes. De momento podemos dizer que temos cerca de 50% de estudantes e 50% de jovens trabalhadores, que muitas vezes são mais novos que os estudantes, pois muitos destes são alunos de mestrados e doutoramentos e até temos bolseiros de investigação. 

"Devido à situação da pandemia, verificámos um aumento gradual de procura de jovens trabalhadores e um decréscimo por parte de estudantes. (...) Temos cerca de 50% de estudantes e 50% de jovens trabalhadores" 

Acreditamos que esta tendência irá continuar devido ao facto das pessoas procurarem locais mais confortáveis, com melhores condições e a preços mais competitivos para viver e também agora trabalhar. Grandes empresas e ‘call centers’ continuam em funcionamento, mas tiveram de colocar todos os funcionários a trabalhar em casa, por isso continua a haver uma grande comunidade internacional que procura alojamento nesta zona de Lisboa.

De que nacionalidades são os jovens que têm procurado arrendar um quarto na residência de estudantes? Há muitos portugueses?

Temos uma variedade de nacionalidades e culturas, o que torna a experiência de viver na My Home In The City riquíssima. Temos uma maior procura principalmente de estudantes europeus, em consequência do programa Erasmus, além dos estudantes nacionais. Também temos muita procura por parte de estudantes brasileiros. Depois, através das parcerias que temos com as agências, temos alargado o leque de nacionalidades que são tão díspares, indo desde americanos a chineses, e já tivemos alunos da Austrália, Chile, Argentina, Egipto ou Indonésia.

Alguns chegam até nós por iniciativa própria, o que muito nos orgulha, o que demonstra que nos destacamos no meio de uma pesquisa feita no outro lado do mundo. Quanto aos trabalhadores internacionais, que trabalham à distância, varia essencialmente entre portugueses, italianos, espanhóis, alemães e brasileiros. 

Acredita que essa tendência irá manter-se em 2021?

Acreditamos que sim, e que particularmente o mercado europeu poderá ser uma peça vital para o sucesso deste ano. Este semestre, devido as restrições impostas às viagens, tivemos alguns cancelamentos. Estudantes estrangeiros continuam a tentar viajar para Lisboa, mas encontram grandes dificuldades em conseguir vistos e vôos. Por isso mesmo prevemos um aumento da procura do mercado interno e europeu. 

"Gostaríamos [Incentinveste] de continuar nesta área e investir no crescimento da nossa marca, gostaríamos de investir na mesma zona (...). Ponderamos aceitar novos investidores e parceiros para potenciar um crescimento nos próximos anos"

Relativamente aos preços praticados, quanto custa arrendar um quarto e o que está incluído no preço?

Todos os arrendamentos incluem água, luz, internet, roupa de cama, o uso das zonas comuns. Dispomos de quartos individuais, uns com casa de banho partilhada e outros com casa de banho privativa, e alguns quartos também têm terraço e outros capacidade para casais. Os preços começam nos 400 euros por mês, podendo ser arrendado um quarto por uma noite, por 30 euros. 

A Incentinveste planeia continuar a investir neste tipo de negócios (residências de estudantes e espaços de co-living) em Portugal? Há algum investimento em vista?

A residência My Home In The City foi o primeiro investimento deste género e funcionou como cobaia. Antes de pensar em alojamentos maiores, tínhamos de testar muito bem o modelo. Aprendemos muito sobre o mercado e sobre a gestão diária de um alojamento deste género. Gostaríamos de continuar nesta área e investir no crescimento da nossa marca, gostaríamos de investir na mesma zona, devido ao enorme potencial e devido ao facto de ser bastante atrativa tanto para os estudantes como para profissionais. Ponderamos aceitar novos investidores e parceiros para potenciar um crescimento nos próximos anos.  

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