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“Os condomínios de menor dimensão estão a ser mais valorizados, devido à qualidade de vida"

David Pinto e Carlos Barbosa falam sobre a parceria Promotop-Cobelba, que aposta em projetos residenciais de gama alta e se tornou uma referência no mercado no Porto.

Autor: Elisabete Soares (colaborador do idealista news)

São já seis os empreendimentos residenciais desenvolvidos na cidade do Porto, resultado da parceria estratégica entre a Promotop e o grupo de construção Cobelba. Orientada, sobretudo, para o segmento alto do mercado, a aliança soma mais de uma década de existência e o idealista/news falou agora com dois dos seus responsáveis, David Pinto, administrador da Promotop – Empreendimentos Imobiliários, e Carlos Barbosa, administrador da Cobelba – Sociedade de Construção Civil para fazer um balanço, conhecer novidades e analisar o mercado imobiliário em tempos de pandemia.

Os projetos mais recentes são o edifício Marechal Saldanha, com data prevista para ser terminado no primeiro trimestre de 2022, e o Casas de Fez, concluído recentemente. Ambos localizados na Foz do Douro, seguem-se a empreendimentos que são apontados como referência no mercado: o Fluvial Lux Gardens, o Castelo Residence, o Monte da Ervinha e o Condomínio António Aroso.

Como tem corrido a parceria entre a Promotop e a Cobelba?

A parceria estratégica entre a Promotop e a Cobelba, com alguns anos de existência, tem sido muito bem-sucedida, já que desenvolvemos um conjunto de empreendimentos residenciais que são referência no mercado.

Reunimos uma equipa de profissionais altamente qualificados e experientes no desenvolvimento de projetos residenciais, apostamos na qualidade e atingir a excelência é sempre a nossa aposta. Contamos, para isso, com o que de melhor o setor da construção tem para oferecer.

Qual vai ser o plano de atuação nos próximos meses?

Nos próximos meses a nossa parceira estará envolvida em terminar o empreendimento que temos em curso no gaveto das ruas de Marechal Saldanha com a do Molhe, na Foz do Douro, Porto, e analisar outras hipóteses de investimento inseridas no mesmo segmento, nas mesmas zonas onde temos atuado e com dimensão semelhante ao que temos vindo a fazer mais recentemente.

Têm previstos novos empreendimentos a iniciar em breve?

Neste momento não temos previstos novos empreendimentos. Estamos, no entanto, a analisar uma proposta que recebemos recentemente.

Temos também vindo a aperceber-nos de que os condomínios de menor dimensão estão a ser mais valorizados relativamente aos de grande dimensão, não só pela sua maior exclusividade com também em propiciar uma qualidade de vida bem mais pacata.

Nos próximos meses, a nossa parceira estará envolvida em terminar o empreendimento da Foz do Douro, no Porto, e a analisar outras hipóteses de investimento no mesmo segmento, nas mesmas zonas onde temos atuado e com dimensão semelhante ao que temos feito mais recentemente.

Nos empreendimentos a promover no futuro vão manter as caraterísticas atuais?

Continuamos convictos de que os empreendimentos destinados ao segmento alto, para além de uma construção de muita qualidade - tanto no que respeita a processos construtivos, como no tipo de materiais definidos para os acabamentos finais -, terão também de primar por uma excelente localização, bem como projetos de arquitetura equilibrados, com uma compartimentação adequada e com as orientações solares devidamente ajustadas aos diferentes tipos de ocupação para cada compartimento.

Em termos dos valores dos apartamentos considera que pode vir a sentir-se algum ajustamento de preços em baixa?

Relativamente aos preços dos apartamentos novos destinados ao segmento alto, não prevemos que venha a existir qualquer ajustamento de preços em baixa, embora também considere que a valorização, a existir, não será significativa. Relativamente aos usados, poderá de facto existir algum ajustamento em baixa, tudo dependendo da oferta que venha a existir.

Qual é a vossa opinião sobre a promoção de habitação para arrendamento e para a gama média de clientes?

Consideramos que, em conjunturas de crises financeiras e períodos seguintes, o segmento de habitação para arrendamento para o segmento médio é sempre atrativo, em virtude da falta de confiança que normalmente existe para a tomada de decisão da compra, porque os financiamentos são mais restritivos e também porque constituem sempre uma boa oportunidade de investimento, com uma boa e relação custo/beneficio e de baixo risco.

Uma nova alteração que pretendemos implementar no futuro, e que já o fizemos no nosso empreendimento das Casas de Fez, mesmo antes do aparecimento da pandemia, é prever um espaço autónomo da habitação, que possa funcionar como um local de (tele)trabalho/escritório, sem implicar com as rotinas diárias de cada família no seu contexto habitacional.

Estão a equacionar a construção nestes segmentos?

Não estamos a equacionar construir este tipo de empreendimentos, pois consideramos que o mercado de arrendamento para habitação no segmento de luxo, em geral, não nos parece muito viável.

A atual pandemia veio alterar a forma como as famílias idealizam as habitações, procurando apartamentos maiores e espaços ajardinados?

Muitas das características que atualmente são procuradas nas habitações novas de luxo nesta fase de pandemia e para o futuro, como dimensões generosas e grandes espaços comuns ajardinados, sempre foram por nós considerados importantes e previstos na generalidade dos nossos empreendimentos, e garantidamente não iremos alterar esta nossa forma de conceção para o futuro.

Uma nova alteração que pretendemos implementar no futuro, e que já o fizemos no nosso empreendimento das Casas de Fez, mesmo antes do aparecimento da pandemia, é procurar prever um espaço autónomo da habitação propriamente dita, que de certa forma possa funcionar como um local de (tele)trabalho/escritório, sem implicar com as rotinas diárias de cada família no seu contexto habitacional.

Para além disso, não abdicando de algum conservadorismo que sempre consideramos importante existir nos empreendimentos destinados ao segmento alto, procuramos estar sempre atualizados com as tendências reveladas pelos potenciais compradores.

Qual é a vossa expetativa em relação à atividade no ano de 2021?

A minha expectativa é que o mercado imobiliário residencial irá, na generalidade, resistir bem tanto em termos de procura e preços, podendo existir uma redução da oferta no lançamento de novos empreendimentos.

Quanto aos mercados imobiliários de serviços e comércio, penso que poderão sofrer mais, não só em 2021 como nos próximos anos, não só por efeitos da crise financeira diretamente associada à pandemia, mas também pela mudança de paradigma que se espera venha acontecer em termos de comportamentos sociais na fase pós-Covid relativamente ao teletrabalho e comércio online, que certamente terá impacto nos empreendimentos destinados a escritórios, como em superfícies comerciais.

A minha expectativa é que o mercado imobiliário residencial irá, na generalidade, resistir bem tanto em termos de procura e preços, podendo existir uma redução da oferta no lançamento de novos empreendimentos.

Relativamente ao mercado imobiliário destinado ao turismo (hotéis e alojamento local) prevejo que será muito afetado em 2021, mas que venha a ter uma recuperação bem mais rápida logo que a pandemia esteja controlada e se retome a normalidade da vida de cada um, não só em Portugal, como na Europa e no mundo.

Em termos de resultados, como decorreu o ano de 2020?

O ano de 2020 foi muito bom para nós.