Tribunal suspende megaprojeto imobiliário na Foz do Rio Jamor após providência cautelar do MP

Em causa está o empreendimento Porto Cruz, que prevê a construção de apartamentos, escritórios, comércio e espaços verdes no terreno de antigas fábricas na foz do Jamor.
Tribunal suspende megaprojeto imobiliário na Foz do Rio Jamor após providência cautelar do MP
Memória Descritiva da Operação de Loteamento do projeto Porto Cruz GRUPO SIL/MIGUEL AMADO ARQUITECTOS

O megaprojeto imobiliário previsto para o Jamor, no município de Oeiras, está suspenso. O Ministério Público (MP) interpôs uma ação administrativa e, em simultâneo, uma providência cautelar, com vista à declaração de ilegalidade de normas do Plano de Pormenor da Margem Direita da Foz do Rio Jamor, que o tribunal aceitou.

“Oficiosamente, o Tribunal decidiu o decretamento provisório do procedimento cautelar, suspendendo, como requerido, a eficácia de normas do referido Plano de Pormenor e consequentemente determinando a omissão de atividade em execução das mesmas”, lê-se no comunicado divulgado no site do MP.

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O Plano de Pormenor da Margem Direita da Foz do Rio Jamor foi publicado em 2014, por deliberação da Assembleia Municipal sob proposta do anterior executivo camarário, e abrange o pedido de licenciamento do loteamento Porto Cruz, que esteve em consulta pública no início deste ano.

O megraprojeto imobiliário Porto Cruz, do grupo SIL, deverá nascer no terreno de antigas fábricas na foz do Jamor e contempla apartamentos, escritórios e comércio, hotel e vários espaços verdes, mas a sua construção, tal como noticiou o idealista/news, está a ser alvo de críticas – nomeadamente pela associação Vamos Salvar o Jamor. Os especialistas também levantam dúvidas sobre o empreendimento, uma vez que o projeto está previsto para uma zona de risco associada à subida do nível da água do mar, que poderá vir a sofrer com inundações cada vez mais comuns face às alterações climáticas.

O engenheiro geógrafo Carlos Antunes disse mesmo ao jornal Expresso que “as características geofísicas da foz do Jamor colocam o empreendimento numa zona de perigosidade permanente, já que está num local muito suscetível a eventos de forçamento costeiro, quando se conjugam temporais, influência das marés e uma subida média do nível do mar de um metro no final do século”.

Câmara de Oeiras diz desconhecer “ilegalidades”

A autarquia liderada por Isaltino Morais confirmou ter recebido a citação judicial ao jornal Público, adiantando que está a analisar o seu teor. “A câmara municipal não tem conhecimento de quais as alegadas ilegalidades invocadas pelo Ministério Público. Reforça-se, aliás, que se desconhece qualquer incumprimento legal associado ao procedimento de elaboração do plano de pormenor”, disse o município à publicação.

A autarquia reconhece ainda “com estranheza” que “um processo com esta complexidade, sistematicamente auditado e envolvendo dezenas de entidades externas, com responsabilidades e competências próprias, perante as afirmações de ilegalidade, não tenha espoletado até à data a sua apreciação junto dos tribunais, que são os órgãos de soberania a quem compete a apreciação e decisão da legalidade urbanística”.

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