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'Build to rent': projetos em Lisboa e Porto trazem 3.200 novas casas para o mercado

Habitação para arrendamento está no radar dos investidores. Tendência vai crescer nos próximos anos em Portugal, segundo a CBRE.

Photo by Jan Ledermann on Unsplash
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Autor: Redação

A habitação multifamiliar para arrendamento, também conhecida como 'build to rent', está no radar dos investidores e deverá verificar um crescimento expressivo nos próximos anos em Portugal, de acordo com o “European Multifamily Housing Report", divulgado pela CBRE. Segundo a consultora, estão a ser projetados ou já em licenciamento 12 projetos de desenvolvimento privado em Lisboa e no Porto, no total de 3.200 unidades residenciais.

Em Portugal, o mercado de investimento em habitação multifamiliar para arrendamento está ainda numa fase embrionária, a par com outros países como a Bélgica, Itália ou Luxemburgo, mas começa a dar sinais de desenvolvimento, de acordo com a CBRE. Por outro lado, a Áustria, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Holanda, Suécia e Suíça formam o conjunto de países onde este mercado já se tornou maduro.

Atualmente, são nove os projetos de 'build to rent' em construção na cidade de Lisboa, compreendendo um total de 2.450 unidades. No Porto, "o crescimento deste setor será mais rápido que na capital devido ao preço menos elevado dos terrenos", embora existam apenas três projetos em 'pipeline', totalizando 760 unidades.

“A habitação própria tem um peso significativo no nosso país, apesar do número de casas arrendadas evidenciar um crescimento interessante nos últimos anos, aumentando de 20% do stock em 2011 para 26% em 2019. Contudo, a maioria do parque residencial arrendado é detido por investidores particulares, sendo escasso o número de projetos desenvolvidos propositadamente para arrendamento e com uma gestão profissional. É, por isso, natural que o volume de investimento institucional nesta classe de ativos seja ainda incipiente”, refere Cristina Arouca, diretora de Research da CBRE.

“O elevado preço dos terrenos e a lentidão dos processos de licenciamento têm atrasado o desenvolvimento do mercado residencial. No entanto, temos atualmente conhecimento de três projetos com escala que irão avançar, os quais totalizam 400 apartamentos e o 'pipeline' potencial, em fases diversas de análise ou licenciamento, supera de forma confortável as três mil unidades. Uma vez iniciados estes projetos, acreditamos que surjam investidores institucionais interessados e sejam realizadas algumas operações de 'forward-purchase ou forward funding'", adianta Nuno Nunes, head of Capital Markets da CBRE.

A habitação multifamiliar para arrendamento é atualmente uma classe de investimento muito atrativa. Permaneceu resiliente devido à pandemia, num contexto europeu e mesmo global, e representa uma percentagem cada vez maior no investimento total em imóveis de rendimento, segundo a consultora. 

Um conjunto de tendências sociais e demográficas, a par com uma maior dificuldade em adquirir casa própria devido a um aumento dos preços, levou a um crescimento generalizado do mercado de arrendamento. Na Europa, 31% das famílias ocupam atualmente casas arrendadas, face a 26% na última década.