O tempo passa, e com ele mudam as nossas necessidades dentro de casa. Aquilo que funcionava bem aos 40 anos pode tornar-se um obstáculo aos 75: escadas íngremes, casas de banho apertadas, tapetes escorregadios, interruptores mal colocados. Pequenos detalhes que, para muitos idosos, significam quedas, frustrações e perda de autonomia.
Uma remodelação inteligente considera acessibilidade, conforto térmico, iluminação eficiente e fluidez de movimentos, seja para ti, para os teus pais ou avós. Mais do que qualquer questões estética, é mesmo sobre qualidade de vida.
- Começar pelo essencial: segurança, conforto e autonomia
- Entradas, corredores e circulação: é preciso fluidez
- Conforto e funcionalidade na sala de estar
- Manter a autonomia e a segurança na cozinha
- Ponto crítico: a importância da casa de banho
- Descanso, acessibilidade e segurança no quarto
- Tecnologia e domótica: aliar conforto à prevenção
- Climatização e isolamento térmico: um fator de saúde
- Quanto custa remodelar uma casa para a terceira idade?
Começar pelo essencial: segurança, conforto e autonomia
Antes de pensar em fazer obras em casa, começa por identificar as necessidades específicas da pessoa idosa que vai habitar o espaço. Cada caso é único: há quem tenha mobilidade reduzida, quem use cadeira de rodas, quem tenha problemas de visão, audição ou equilíbrio.
Estes são os três princípios orientadores devem guiar qualquer remodelação para a terceira idade:
- Segurança: prevenir quedas, escorregadelas, queimaduras ou acidentes elétricos.
- Conforto: garantir uma casa termicamente estável, silenciosa e fácil de viver.
- Autonomia: permitir que a pessoa idosa se mova, cuide de si e participe da rotina da casa sem depender constantemente de terceiros.
Entradas, corredores e circulação: é preciso fluidez
A casa deve permitir movimentos fáceis e sem obstáculos. Muitos acidentes acontecem ao entrar e sair de casa, ou em espaços de transição como corredores e escadas.
- Eliminar desníveis: substitui degraus por rampas suaves, especialmente na entrada principal.
- Alargar portas e passagens: idealmente com pelo menos 80 cm de largura, para permitir o uso de andarilhos ou cadeiras de rodas.
- Corrimãos duplos: instalar nas escadas, com boa fixação e ergonomia.
- Pavimento antiderrapante: nos corredores, entradas e degraus.
- Eliminar tapetes soltos: são um dos principais causadores de quedas.
- Uma boa iluminação também é essencial: luzes embutidas nos rodapés ou sensores de movimento nos corredores facilitam o deslocamento noturno.
Conforto e funcionalidade na sala de estar
A sala é onde se passa muito tempo — a ver televisão, ler, conviver ou descansar. É fundamental que seja confortável, mas também funcional.
- Sofás com altura adequada: nem muito baixos nem muito fundos. Os modelos com apoio para os braços facilitam levantar e sentar.
- Tomadas acessíveis: à altura da cintura, para evitar que se tenha de dobrar.
- Mobiliário estável: mesas com cantos arredondados e cadeiras firmes.
- Evitar cabos e extensões à vista: esconder ou fixar nas paredes.
- Iluminação regulável: para adaptar a leitura, a TV e os momentos de descanso.
Manter a autonomia e a segurança na cozinha
A cozinha pode ser um desafio para muitos idosos, não só pelos riscos (fogo, quedas, cortes), mas também pela altura das bancadas e armários.
Uma remodelação bem pensada permite que o idoso continue a cozinhar em segurança e com prazer — o que tem um impacto direto na autoestima e na qualidade de vida.
- Bancadas a 80-85 cm de altura, com espaço livre por baixo para cadeiras ou andarilhos.
- Armários de fácil acesso: evita módulos altos; aposta em gavetões com puxadores grandes.
- Placa de indução em vez de gás: mais segura, desliga automaticamente.
- Piso antiderrapante fácil de limpar: vinílico ou cerâmico com relevo suave.
- Torneiras monocomando ou com sensor: mais fáceis de manusear.
Ponto crítico: a importância da casa de banho
É provavelmente a divisão mais importante numa remodelação acessível. A casa de banho precisa de ser segura, confortável e adaptada, sem parecer um espaço hospitalar.
- Base de duche ao nível do chão: substitui a banheira tradicional por uma zona de duche ampla e plana.
- Barras de apoio: junto ao duche, sanita e lavatório.
- Sanita com altura ajustada: idealmente entre 45 e 50 cm.
- Assento de duche com encosto: fixo ou rebatível.
- Torneiras de alavanca: mais fáceis de usar por quem tem artrite ou perda de força.
- Espelho inclinável: adaptável à posição de quem está sentado.
- Evita o uso de tapetes soltos e aposta em pisos antiderrapantes
- Bom sistema de ventilação e aquecimento, melhora o conforto térmico, essencial para a saúde dos mais velhos.
Descanso, acessibilidade e segurança no quarto
O quarto deve ser um espaço de repouso com tudo ao alcance. O ideal é que o idoso consiga levantar-se, vestir-se e deitar-se com o mínimo de esforço e risco.
- Cama à altura certa: entre 50 e 60 cm, para facilitar a entrada e saída.
- Iluminação noturna automática: sensores de movimento que iluminam o caminho até à casa de banho.
- Interruptores acessíveis: junto à cama, à altura da mão.
- Guarda-fatos com portas deslizantes: mais fáceis de abrir e fechar.
- Tomadas com USB: para carregar o telemóvel ou utilizar aparelhos médicos.
Tecnologia e domótica: aliar conforto à prevenção
A tecnologia pode (e deve) ser uma aliada da autonomia. Hoje em dia, muitos dispositivos são pensados para facilitar a vida dos idosos e podem ser integrados facilmente durante uma remodelação.
- Campainha com vídeo e controlo por app: mais segurança na entrada.
- Detetores de fumo e gás com alarme sonoro e visual.
- Luzes com sensor de presença nos corredores e WC.
- Botões de emergência acessíveis em vários pontos da casa.
- Comandos de voz para luzes, televisão e chamadas.
A domótica pode ser simples e discreta — não é preciso transformar a casa numa nave espacial, mas sim dar-lhe funcionalidades que melhorem o dia a dia.
Climatização e isolamento térmico: um fator de saúde
As pessoas idosas são mais vulneráveis a variações térmicas. Por isso, uma remodelação deve incluir melhorias nos sistemas de aquecimento e arrefecimento, bem como isolamento térmico.
O objetivo é garantir que o idoso vive numa casa com temperatura estável e confortável, sem necessidade de ajustes manuais constantes.
- Substituição de janelas antigas por modelos com corte térmico
- Aplicação de isolamento nas paredes exteriores ou interiores
- Instalação de piso radiante ou aquecedores programáveis
- Ar condicionado com comando fácil ou termóstato inteligente
Quanto custa remodelar uma casa para a terceira idade?
Os custos variam muito conforme a profundidade das intervenções. Mas aqui fica uma estimativa por zona:
- Casa de banho completa adaptada: 3.000 a 7.000 €
- Quarto com mobiliário ergonómico e iluminação: 1.500 a 3.000 €
- Cozinha acessível: 4.000 a 8.000 €
- Instalação de barras de apoio, sensores e rampas: 1.000 a 3.000 €
- Substituição de janelas + isolamento térmico: 5.000 a 10.000 €
Existem também programas de apoio à reabilitação para pessoas idosas, atribuídos por câmaras municipais ou programas do Estado, vale a pena informar-se junto das autoridades locais.
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