O mercado imobiliário de luxo está de boa saúde e recomenda-se. Mas a atividade não é toda igual nos quatro cantos do mundo. Enquanto na Europa, nas Caraíbas e na Ásia as transações de casas de luxo cresceram no último ano, na América do Norte caíram na ordem dos 14%. Os altos juros e a instabilidade política nos EUA podem ajudar a explicar estes números.
A mais recente análise da Sotheby's International Realty ao mercado imobiliário de luxo a nível global revela que houve variações bem dispares nos negócios a nível geográfico. Nos últimos 12 meses, a venda de casas de luxo aumentou nas Caraíbas (+25%), na Ásia (+18%) e na Europa (+13%), mas caiu na Oceânia (-20%) e na América do Norte (-14%), revelam os dados do Luxury Outlook 2026 agora analisado pelo idealista/news. Em destaque no mercado europeu está Portugal por apresentar elevado dinamismo no segmento do imobiliário de luxo.
Mas porque é que isso aconteceu? Na Europa, as descidas das taxas de juro pelo Banco Central Europeu ao longo da primeira metade de 2025 tiveram um “impacto positivo”, a par da estabilidade da inflação, refere o relatório. Mas na América do Norte as taxas de juros foram consideradas “uma preocupação maior” e com “impacto negativo” no imobiliário de luxo, apesar de a Reserva Federal dos EUA ter descido os juros três vezes em 2025 e estar agora a ser pressionada por Donald Trump a avançar com novos cortes.
“A política também foi um fator significativo nas escolhas de compra de imóveis”, com mais de metade dos agentes imobiliários da América do Norte a afirmar que a política interna está a prejudicar o mercado, lê-se ainda no relatório. Esta visão foi partilhada pelos profissionais do setor da Oceânia, por exemplo. Já quem trabalha o imobiliário premium na Ásia, Caraíbas, África e Médio Oriente mostra-se “mais neutro ou otimista” em relação ao impacto dos juros e da política nos mercados.
Também a procura por imóveis residenciais de luxo “variou bastante em todo o mundo, com o maior aumento registado nas Caraíbas, seguido pela África/Médio Oriente e Oceânia, indicando a continuidade de um mercado favorável aos vendedores nessas regiões”, explica a Sotheby's International Realty. Por outro lado, os compradores enfrentam uma menor concorrência nos mercados da América do Sul e Latina (-46%), na América do Norte (-33%) e na Europa (-8%).
Já em termos de oferta de habitações de luxo, verifica-se os níveis de stock aumentaram em quase todo o mundo, com destaque para a América do Norte (+61%) e para a América do Sul/Latina (+61%), onde, note-se, houve uma queda acentuada da procura. As Caraíbas foram a única região onde foi relatada uma queda da oferta de imóveis premium.
Preços das casas de luxo descem na maioria das regiões
A diminuição da pressão da procura por casas de luxo na Europa face à oferta provocou uma ligeira correção de preços em 2025, na ordem de 2,2%. E o mesmo foi sentido na América do Norte e América do Sul/Latina onde se sentiram reduções dos preços “relativamente modestas”. “A Oceânia apresentou uma queda maior [nos preços das casas de luxo], impulsionada principalmente por um declínio de 13,1% na Nova Zelândia”, explica o relatório.
Já na África, Médio Oriente e na Ásia houve um crescimento de preços das casas de luxo a dois dígitos, com destaque para o Japão onde foi observado um aumento de 21,4%. Além disso, “o Dubai continua a demonstrar uma resiliência e um crescimento excecionais, com uma valorização de preços a dois dígitos impulsionada pela procura sustentada de imóveis de luxo e de alto padrão”, afirma Leigh Borg, sócia-diretora da Dubai Sotheby's International Realty, citada no documento.
Este mercado imobiliário de luxo nos Emirados Árabes Unidos “evoluiu além da especulação a curto prazo. Hoje, os compradores são investidores a longo prazo que veem o Dubai como uma cidade global de estabilidade, sofisticação e oportunidades crescentes. À medida que o stock diminui e os novos lançamentos se tornam mais selecionados, esperamos que os imóveis de luxo mantenham a sua trajetória ascendente até 2026”, acrescenta Leigh Borg.
As previsões para a evolução dos preços do imobiliário de luxo até meados de 2026 são relativamente otimistas. Os profissionais do setor esperam aumentos dos preços destes imóveis na Oceânia (+5,7%), na América do Sul/Latina (+1,6%) e na Europa (+1,3%). Na Ásia, a projeção é de que os preços continuem a crescer, mas a um ritmo mais lento do que em 2025. Já nas Caraíbas e na América do Norte prevê-se uma pequena queda nos preços das casas de luxo.
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