Guerra no Médio Oriente trava exportação do mobiliário português

"Há empresas portuguesas com centenas de milhares de euros de mobiliário produzido, já encomendado, retido em stock em Portugal", alerta a AIMMP.
Vitor Poças, presidente da AIMMP
Vitor Poças, presidente da AIMMP Créditos: imagem retirada do site oficial da AIMMP

A indústria portuguesa da madeira e mobiliário está a enfrentar dificuldades acrescidas no comércio com o Médio Oriente, com empresas a acumularem encomendas concluídas mas por entregar. Há "centenas de milhares de euros de mobiliário produzido, já encomendado, retido em ‘stock’ em Portugal" devido ao "aumento acentuado dos custos e à indisponibilidade de transporte", descreve o presidente da Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal (AIMMP), Vítor Poças.

Segundo o Jornal de Negócios, estes constrangimentos estão "a provocar atrasos nas entregas" e a criar "pressão adicional sobre a tesouraria das empresas". Embora o Médio Oriente represente cerca de 1% das exportações do setor – 15,3 milhões de euros em 2025 –, Vítor Poças sublinha ao jornal que a região "tem vindo a afirmar-se como um mercado de elevado potencial", com procura crescente por produtos de maior valor acrescentado. O responsável admite que os efeitos diretos ainda não estão plenamente quantificados, mas considera inevitável que um contexto desta natureza gere impactos indiretos relevantes, desde logo ao nível das cadeias logísticas, dos custos de transporte e da previsibilidade dos negócios.

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O presidente da AIMMP aponta "constrangimentos operacionais em portos no Médio Oriente, que obrigam ao recurso a alternativas", e refere que os custos de transporte para alguns destinos "chegaram a triplicar ou quadruplicar". Em paralelo, na Europa, observa-se um aumento médio dos custos logísticos na ordem dos 8%, em grande medida associado à subida dos preços dos combustíveis, fatores que "tendem a afetar negativamente a confiança dos mercados e a condicionar decisões de investimento e de compra", alerta. 

Vítor Poças lembra que, ao longo de toda a cadeia de valor, os custos energéticos "assumem um peso determinante" e que a variação dos combustíveis tem "impacto particularmente significativo na competitividade internacional do setor" lê-se na publicação.

Perante este cenário, o presidente da AIMMP defende a intervenção do Governo ao entender que uma medida com impacto imediato seria a redução da carga fiscal sobre os combustíveis, sustentando que o atual aumento de preços tem gerado para o Estado um acréscimo de receita significativo e não previsto. Essa medida além de apoiar diretamente setores intensivos em logística como este, teria efeitos positivos transversais à economia, ajudando a "mitigar pressões inflacionistas" e a reduzir o risco de subida das taxas de juro

Ainda assim, destaca a "resiliência e capacidade de adaptação" das empresas, que têm diversificado mercados, reforçando a presença nos Estados Unidos, e admite que o aumento dos custos de transporte da Ásia e do Médio Oriente "poderá traduzir-se numa recuperação de competitividade das indústrias europeias nos seus mercados internos".

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