A 4 de julho de 1726, um negócio discreto entre o conde de Aveiras e o Rei D. João V haveria de traçar, sem que ninguém o pudesse então adivinhar, o destino de um dos locais mais emblemáticos de Lisboa. Três séculos depois, essa transação continua a marcar a identidade de um dos espaços mais simbólicos do país: o Palácio Nacional de Belém, atual residência oficial do Presidente da República.
Para assinalar os 300 anos desta data histórica, o Museu da Presidência da República promove, no próximo dia 4 de julho, às 15h00, uma sessão de conversas dedicada às origens e evolução da antiga Quinta de Belém.
A sessão decorrerá num dos jardins do Palácio com vista para zona da residência privada do Chefe de Estado, conhecida como Arrábida, “designação que remonta ao período em que os frades arrábidos utilizavam este local como ponto de acolhimento e guarida nas suas deslocações a Lisboa, constituindo marca significativa da memória histórica do conjunto palaciano”, salienta o Museu da Presidência.
Na época, a propriedade era uma quinta senhorial que permanecera durante quase 170 anos na mesma família, desde que D. Manuel de Portugal, filho dos condes de Vimioso, ali mandou construir uma casa de recreio no século XVI. A aquisição por D. João V integrou a Quinta de Belém no património da Coroa e abriu caminho à sua transformação em residência régia para estadias da família real, função que manteve ao longo dos séculos seguintes.
Foi já com a implantação da República, em 1910, que o Palácio assumiu um novo papel institucional, tornando-se residência oficial do Presidente da República. Desde então, o edifício acompanhou a evolução do regime democrático português, preservando, ao mesmo tempo, uma história com mais de cinco séculos, onde se cruzam arquitetura, poder, cultura e memória.
O programa do evento reúne três perspetivas complementares sobre a história de Belém:
- O professor Luís de Sá Fardilha abordará a figura de D. Manuel de Portugal, primeiro proprietário da casa, e a sua produção poética no contexto cultural do seu tempo;
- O professor João Vieira Caldas analisará a evolução arquitetónica do Palácio de Belém, enquadrando-a nas transformações artísticas e políticas dos séculos XVII e XVIII;
- Já o investigador do Museu da Presidência da República, Alexandre Tojal, apresentará uma reflexão sobre a memória da Arrábida e a presença franciscana no início do século XVIII, relacionando-a com a identidade histórica do espaço atualmente associado à residência presidencial.
Após a sessão, pelas 16h30, os participantes poderão integrar uma visita orientada ao Palácio de Belém, proporcionando uma leitura no terreno da evolução histórica e arquitetónica deste espaço que passou de quinta senhorial a um dos principais símbolos institucionais do Estado português. A participação é gratuita, mediante inscrição prévia obrigatória através do endereço eletrónico museu@presidencia.pt.
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