Portugal terá a maior subida do preço das casas em 2026, prevê S&P

Construção continua a um ritmo insuficiente para aliviar de forma significativa a pressão sobre os preços em toda a Europa.
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Foto de Liosha Shyp no Unsplash

Portugal é o país europeu onde os preços da habitação mais deverão subir este ano, segundo a Standard and Poor's Global Ratings (S&P).  A agência de notação financeira reviu em alta a sua previsão para o mercado português em três pontos percentuais, “refletindo a forte valorização registada em 2025”. Estima que os preços das casas aumentem 10% em 2026, colocando o país no topo da Europa, à frente de Espanha (9,1%), Países Baixos e Polónia (ambos com 5,3%). Além disso, a subida prevista para o mercado nacional é mais do dobro da média europeia, estimada em cerca de 4%. 

“A combinação de uma oferta reduzida, um ritmo lento de construção e uma procura interna robusta levou os preços das casas a atingirem o nível de crescimento mais elevado das últimas décadas em Portugal”, refere a S&P num relatório recente, salientando que, no início de 2026, esse ritmo praticamente não abrandou.

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A S&P aponta a escassez estrutural de habitação como o principal fator por detrás da pressão sobre os preços, não apenas em Portugal, mas em toda a Europa. Os custos de construção permanecem elevados desde o choque energético de 2022, o setor da construção enfrenta falta de mão de obra qualificada, e os processos de licenciamento continuam lentos e burocráticos. A agência avisa que, apesar de vários governos europeus terem anunciado pacotes legislativos para responder à crise da habitação, "o impacto pleno na oferta levará anos a materializar-se."

As previsões para Portugal apontam para uma desaceleração gradual, mas os preços continuam a subir: +5,5% em 2027, +5,0% em 2028 e +5,0% em 2029. O país mantém-se, em todos os anos do horizonte de previsão, entre os mercados com maior crescimento nominal da Europa.

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© 2026 Standard & Poor’s

Cenário macroeconómico alternativo e “mais favorável” 

A S&P mantém a expectativa de que os preços da habitação na Europa continuem a crescer acima do rendimento das famílias em 2026, prevendo uma subida média de cerca de 4% em 2026 e de mais de 3% em 2027. “Desde fevereiro de 2026, as revisões efetuadas dizem respeito sobretudo às previsões para mercados específicos, sendo, na maioria dos casos, ajustes de até um ponto percentual, principalmente para o período de 2027 a 2028”, indica. 

No entanto,  a agência de notação financeira revela que “desenvolveu um cenário macroeconómico alternativo, devido à incerteza em torno da recuperação do transporte marítimo através do Estreito de Ormuz, por onde passa anualmente cerca de um terço do petróleo bruto mundial e um quarto do gás natural liquefeito”.

Este cenário parte do pressuposto de que, a partir de meados de 2026, os preços internacionais do petróleo e do gás serão mais baixos, “permitindo uma desaceleração mais rápida da inflação, uma redução das taxas de juro de longo prazo e um ligeiro recuo do desemprego”.

Neste contexto, a S&P estima que os preços da habitação na Europa possam situar-se entre 0,2% e 1,4% acima do cenário de referência até ao final de 2028, sendo Alemanha, Reino Unido, França e Países Baixos os mercados mais beneficiados.

A agência identifica dois fatores principais que explicam este impacto no mercado imobiliário. "O primeiro é a evolução das taxas de juro do crédito habitação. Entre 2026 e 2027, prevê-se que as taxas de juro desçam mais rapidamente do que a inflação. Em 2028, a inflação deverá voltar a acelerar, enquanto as taxas de juro se mantêm baixas, reduzindo as taxas reais em até 70 pontos base. Os mercados mais sensíveis ao custo do financiamento, como a Alemanha e o Reino Unido, seriam os mais beneficiados, com os preços das casas a ficarem, respetivamente, 1,4% e 1% acima do cenário base até ao final de 2028", explica.

O segundo fator é o mercado de trabalho. Como este cenário prevê apenas alterações marginais nas taxas de desemprego, os países onde os preços da habitação dependem mais da evolução do emprego, como Itália e Espanha, registariam apenas diferenças reduzidas face às previsões de referência.

A agência de notação financeira considera que este cenário é positivo para o mercado residencial europeu, “mas sem alterar de forma significativa as perspetivas de médio prazo”. Os mercados que já apresentam um crescimento mais forte, como Espanha, Portugal, Polónia e Irlanda, deverão manter uma trajetória próxima da prevista no cenário base. Já países mais sensíveis às taxas de juro e condicionados por fatores demográficos e pela evolução do emprego, como Alemanha e Reino Unido, poderão sofrer uma valorização adicional.

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