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"Compra um Banksy e leva uma casa grátis"... ou a história de um artista que faz valer ouro no que toca

O antigo mural de Banksy em Bristol, Inglaterra / Everything is New/ banksyexhibition.pt
O antigo mural de Banksy em Bristol, Inglaterra / Everything is New/ banksyexhibition.pt
Autor: Redação

Esta é a história de uma casa que ficou famosa por tudo, menos por ser uma casa. Não tinha charme, nem qualquer tipo de luxo, ou carisma, mas tinha algo mais que a tornava muito especial: um graffiti do provocante e misterioso Banksy, o artista britânico que desafia as regras da arte contemporânea. E, se primeiro, ninguém queria comprar o imóvel, por causa dos “rabiscos”, depois tudo mudou. Os donos, que queriam vender a casa, em 2007, tiveram a brilhante ideia de tirar partido da pintura e decidiram passar antes a anunciar a venda "do Bansky". E a quem comprasse a obra de arte ofereciam a casa como brinde. Fizeram o negócio da vida?

Banksy não transforma a água em vinho, mas parece ser um "midas" dos tempos modernos, fazendo com que tudo aquilo em que toca passe a "valer ouro". E as suas obras de arte, que já passaram por Moscovo, São Petersburgo e Madrid, podem ser vistas atualmente na Cordoaria Nacional, em Lisboa, na exposição “Banksy: Genius or Vandal”, até 27 de outubro de 2019. A exposição propõe uma “viagem” imersiva através de mais de 70 obras originais, cedidas não pelo artista, mas por vários coleccionadores privados, e foi lá que o idealista/news se deparou com a história da casa grátis.

Everything is New/ banksyexhibition.pt
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“Um mural de Bansky adorna a fachada lateral de uma casa em Bristol, Inglaterra. O mural com 8 por 2 metros foi posto à venda com a oferta de uma casa de cinco assoalhadas”, lê-se na descrição da obra de arte. Mas, afinal, que aconteceu depois?

A novela por detrás do mural de Banksy

O ex-proprietário relatou os pormenores de todo este enredo ao jornal britânico The Guardian. David Anslow conta que tinha esta casa em Easton, Bristol, uma zona que Banksy costumava frequentar. Na altura, em 2003, arrendava o imóvel a estudantes e um deles perguntou-lhe se se importaria que um amigo seu fizesse um 'graffiti' numa das paredes do lado de fora da propriedade. Aceitou, achando que seria “cool”, mas nunca mais pensou sobre o assunto, até que anos mais tarde alguém lhe perguntou se sabia que tinha um Banksy na sua casa.

O homem conta ter tido muitas dificuldades na altura em que tentou vender a casa, por por causa da pintura. Mas entretanto, dando voltas ao assunto, acabou por ter a brilhante ideia de inverter a estratégia de negócio, anunciando a venda de um Baksy, oferecendo a casa de graça - de forma a garantir que qualquer comprador preservasse o mural. O telefone começou a tocar, sem parar, dia e noite, houve um australiano a oferecer 400.000 libras pela casa e até alguém que queria levar a parede para Los Angeles. 

Mas a história não acaba aqui. Por essa altura, alguém do município enviou uma equipa para limpar o mural, o que enfureceu a população, muito protetora de Banksy, e que “expulsou” a patrulha municipal dali. O episódio começou a circular, até que alguém “destruiu” o mural, atirando vários baldes de tinta encarnada para cobrir a parede. A obra de arte ficou arruinada, ainda que fossem visíveis algumas remanescências de Banksy. Quando tudo se acalmou, a casa acabou por ser vendida por 160.000 libras.

Óleo com chimpanzés na Câmara dos Comuns atinge valor recorde de 11 milhões

Na semana passada, e a provar o reconhecimento do valioso artista, a obra "Parliament devolved" foi arrematada pelo valor recorde de 9,8 milhões de libras (11 milhões de euros). O preço final do quadro, levado à praça pela leiloeira Sotheby’s, superou as expectativas, que o colocavam entre 1,5 milhões e dois milhões de libras (de 1,69 milhões a 2,25 milhões de euros).

ECO
ECO

Pintada em 2009, esta obra pretende retratar "uma visão premonitória da cada vez mais tumultuosa vida política, no Reino Unido contemporâneo". No quadro, que tem a dimensão de 4,20 por 2,50 metros, todas as bancadas da Câmara dos Comuns estão ocupadas por primatas, assim como a galeria do público, simulando o instantâneo de um debate.

“Keep It Spotless”, vendida em 2008 pela Sotheby’s, em Nova Iorque, foi a obra de Banksy a atingir o valor mais alto em leilão, até agora, ao ser vendida por 1,87 milhão de dólares (1,7 milhões de euros, ao câmbio atual, segundo informações publicadas pela Lusa.

No ano passado, a pintura a ‘spray’ “Rapariga com balão vermelho”, um dos trabalhos mais conhecidos de Banksy, autodestruiu-se depois de ter sido leiloada por mais de um milhão de libras (1,2 milhões de euros).

Outras obras do artista em Lisboa

Banksy, cuja identidade permanece desconhecida, distinguiu-se pelos seus ‘graffiti’ em ‘stencil’ que começaram a surgir em Bristol, no final dos anos de 1990. E expôs pela primeira vez a numa exposição em Bristol, em 2009, tendo mobilizado 300 mil visitantes.

Agora, a instalação visual, especialmente criada para a exposição “Banksy: Genius or Vandal” que está patente em Lisboa, vai revelando pistas sobre o misterioso artista, destacando as peças mais importantes e enquadrando a sua carreira invulgar, mas não sem controvérsia. Entre as obras mais reconhecidas da exposição está a serigrafia original da série "Menina com um balão", semelhante à recentemente destruída pelo próprio artista em uma ação inédita na Sotheby's, a leiloeira londrina.

Deixamos-te agora com algumas das obras, descritas pela organização da exposição.

Girl With Balloon (Rapariga com Balão) - 2003

Everything is New/ banksyexhibition.pt
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Até hoje, a imagem da rapariga que solta um balão em forma de coração é uma das imagens mais conhecidas que Banksy criou. Segundo os resultados de um inquérito, tornou-se uma das obras de arte preferidas dos britânicos. Todos a vêem conforme a sentem. Alguns vêem a perda no balão que voa, outros vêem a libertação.

Keep it Real (Torna isso real) - 2002

Everything is New/ banksyexhibition.pt
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A obra “Keep it real” foi criada em 2002 e foi exibida na exposição “Existencilismo”, em Los Angeles. A imagem conhecida de um macaco triste, que enverga um cartaz de publicidade, tem um sentido filosófico: em qualquer situação, vale a pena continuarmos a ser nós mesmos. Infelizmente, na nossa era da comunicação, a individualidade humana desaparece ou, pelo contrário, atinge um absurdo fingido. Banksy acredita que cada pessoa da Terra tem o direito de permanecer fiel a si própria e a ir na direção do que interessa ao “verdadeiro eu”. 

Weston-Super-Mare – 1999

Everything is New/ banksyexhibition.pt
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Banksy intitulou o seu trabalho de “Weston-Super-Mare”, em homenagem a uma aldeia no condado de Somerset, situada no litoral da Baía de Bristol. Mais tarde, a “Dismaland”, um parque de diversões de terror, que será visitado por mais de 150 mil pessoas, virá a ser construído nesta aldeia. O artista apresentou esta obra pela primeira vez em 2000, na sua exposição em Bristol, realizada no restaurante “Sevenshed”. Três anos depois, foram criadas as gravuras.

Destroy Capitalism (Destruir o capitalismo) – 2006

Everything is New/ banksyexhibition.pt
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Destroy Capitalism é uma das imagens mais subtis de humor negro criadas por Banksy. Na imagem, as pessoas formam uma fila para uma venda de produtos, presumivelmente num festival de música. As pessoas na fila são aquelas que a maioria consideraria serem “anticapitalistas” — a jovem mãe, punks, hippies, freegans, estudantes universitários de esquerda. A ironia aqui é estarem a fazer fila para compra uma t-shirt que diz “Destroy Capitalism” — um slogan que parece habilmente posto numa t-shirt para corresponder às tendências de consumo deste público. Esta ironia alcançou proporções hilariantes em 2013, quando o Walmart, o maior empregador de retalho do mundo e a materialização dos ideiais capitalistas, vendeu um conjunto de cartazes “Destroy Capitalism” de Banksy aos seus clientes — com uma margem de lucro, claro.