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Casas por 1 euro em Cammarata: vila siciliana tem projeto único para o seu centro histórico

Cammarata, na ilha Sicília
Berthold Werner/Wikimedia Commons
Autor: Flavio Di Stefano

O projeto de 'Casas por 1 euro' em Cammarata, na ilha Sicília, é quase único em Itália. O município desta vila está a trabalhar de braço dado com a ‘Street to’, uma associação de jovens profissionais que decidiram comprometer-se em dar uma nova vida ao centro histórico da sua vila. O idealista/news entrevistou os protagonistas deste projeto para conhecer mais detalhes.

O município de Cammarata aderiu ao projeto de ‘Casas por 1 euro’ em 2015, tendo sido aprovado para o efeito o Regulamento para a Reabilitação e Reutilização de Propriedades Abandonadas no Centro Histórico que veio autorizar a transferência destes imóveis para terceiros para fins de alojamento turístico, comercial ou habitacional.

Cammarata, na ilha Sicília
Giuseppe Coniglio

O interesse nas ‘Casas a 1 euro’ em Cammarata teve um ‘boom’ depois da CNN  ter divulgado o projeto a nível internacional. “Depois dessa entrevista vieram pedidos de todo o mundo e muitas pessoas chegaram ao local, mas o confinamento [ no âmbito da pandemia da Covid-19] abrandou um pouco as operações”, explicou Enzo Ligregni, responsável pela área técnica de Regeneração Urbana da autarquia, que sublinhou ainda que “agora [as operações] estão a retomar”.

Como salienta Enzo Ligregni, a iniciativa foi posta em prática para salvaguardar o património do centro histórico de Cammarata: "A nossa vila é antiga, as primeiras povoações datam de antes do ano 1000. Está inteiramente exposta a leste e quando o céu está limpo acordamos a ver o [vulcão] Etna das nossas janelas, mesmo que esteja a 200 km de distância".

Cammarata, na ilha Sicília
Paolo Severino

Tendo em vista desenvolver e promover o projeto de venda de casas por 1 euro em Cammarata, o município assinou um acordo com a ‘Street to’, uma associação local de jovens, que é constituída por vários profissionais: arquitetos, ‘designers’, contabilistas, advogados, fotógrafos… Alguns também emigraram e ainda assim trabalham em conjunto para colocar o seu ‘know-how’ ao serviço de uma causa comum: salvar o centro histórico de Cammarata que está a cair no esquecimento.

Uma das líderes do projeto é Martina Giracello. "Com a nossa atividade queremos ser uma montra para chegar ao maior número de pessoas possível a oferta de casas à venda no centro histórico de Cammarata, e não apenas aquelas a 1 euro", disse na entrevista. Sim, porque a ‘Street to’ - que começou em fevereiro com o apoio do município - alargou a sua oferta. Isto porque, segundo explicou arquiteta Martina Giracello, “já no ano passado reparámos que quando trouxemos pessoas para mostrar as casas à venda a 1 euro, muitas perguntaram-nos se havia outras ou, melhor dizendo, casas a um preço mais elevado”.

Giuseppe Coniglio
Giuseppe Coniglio

Daí a ideia de ‘Street to’ procurar outros proprietários interessados em vender, mesmo que não por um preço simbólico. O importante é que a propriedade deve estar no centro histórico da vila e que necessite de obras de restauro. "A nossa missão é salvar o centro histórico da degradação e do perigo de edifícios abandonados caírem em pedaços", salienta Martina Giracello.

Para além das casas por 1 euro em Cammarata há, portanto, outras propriedades à venda que podem ser encontradas no website da associação. Os seus preços variam entre 5 mil e 25 mil euros, dependendo do estado em que se encontram e dos respetivos projetos de reabilitação. "99% dos compradores são estrangeiros e destes 80% são pessoas que querem mudar as suas vidas. Os restantes 20% são pessoas que vivem principalmente na América do Sul e querem regressar à terra de origem das suas famílias, de onde partiram há muitos anos".

Cammarata, na ilha Sicília
Domenico Russotto

Todas as propostas são avaliadas, tanto para uso residencial como comercial. Mas não só, já que muitas vezes os usos "andam de mãos dadas, talvez porque uma parte é pensada para ser utilizada como casa e o resto para alojamento, restauração ou atividades artesanais", assinala Martina Giracello. Neste momento, o website da ‘Street to’ está em inglês, mas a associação já está a trabalhar nas versões italiana e espanhola.

Outra característica da oferta de casas por 1 euro (e não só) em Cammarata é que os jovens profissionais da associação ajudam os compradores desde o primeiro contacto até aos trabalhos de renovação dos edifícios, o que inclui a parte burocrática. "No nosso grupo há advogados, 'designers', linguistas, fotógrafos, contabilistas. Esforçamo-nos por responder mesmo às questões que não sejam da nossa responsabilidade, como por exemplo autorizações, vistos e obras para aqueles que querem abrir um negócio na aldeia", explica Martina Giracello.