Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Magnatas russos arrecadam milhões com o imobiliário na pandemia

Os preços da habitação na Rússia subiram 14,4% nos últimos 12 meses, de acordo com o relatório do Índice de Preços da Habitação Global da Knight Frank.

Foto de Artem Beliaikin no Pexels
Foto de Artem Beliaikin no Pexels
Autor: Redação

Os magnatas do setor imobiliário da Rússia estão a encaixar grandes fortunas depois das medidas do Governo para impulsionar o mercado durante a pandemia, e que ajudaram a impulsionar o ‘boom’ imobiliário. A procura por casas aumentou, nomeadamente por causa da criação de subsídios para ajudar no pagamento dos empréstimos, e há quem tema uma bolha na habitação.

O multimilionário Sergey Gordeev, presidente e CEO do PIK Group, por exemplo, viu seu património líquido mais do que duplicar este ano, para 8,9 mil milhões de dólares (7,58 mil milhões de euros), de acordo com o Bloomberg Billionaires Index.

Pavel Golubkov e Mikhail Kenin, que detêm participações no Samolet Group, outra empresa de imobiliário, também viram as suas participações aumentar de valor para mais de mil milhões de dólares este ano. As ações já valorizaram mais de cinco vezes só em 2021.

Recorde-se que os mercados imobiliários em todo o mundo ficaram em alta durante o surto de Covid-19, e na Rússia não foi diferente. As baixas taxas de juro e o aumento da procura por casas justificam este ‘boom’, com cada vez mais pessoas à procura de habitações para viver ou fazer novos investimentos.

Photo by Alexander Smagin on Unsplash
Photo by Alexander Smagin on Unsplash

Além disso, na Rússia há um outro fator a contribuir para este crescimento do mercado. O Governo do presidente Vladimir Putin implementou um programa de subsídios aos empréstimos para estimular a procura durante a pandemia. Desde então, os preços dos imóveis dispararam. Há uma procura “enorme” por moradias, segundo o CEO Anton Elistratov, citado pela Bloomberg, “mas a oferta é muito limitada.”

Preços das casas subiram 14,4%

Os preços da habitação na Rússia subiram 14,4% nos últimos 12 meses, de acordo com o relatório do Índice de Preços da Habitação Global da Knight Frank, que coloca o país no top 10 global dos maiores aumentos de preços. Os empréstimos para a compra de casa também aumentaram para 545 mil milhões de rublos em junho, cerca de 6,4 mil milhões de dólares, um aumento de 150% em relação ao mesmo mês de 2019, segundo os dados da empresa de imobiliário russa Cian.

Vários especialistas e responsáveis já deixaram alertas para o risco de uma bolha imobiliária no país. O responsável russo das Finanças, Alexei Moiseev, considera que os subsídios poderão ter consequências mais tarde, sendo arriscado que quem não tenha condições para pagar um empréstimo o esteja a fazer através destes apoios governamentais. “Uma hipoteca é um empréstimo para muitos anos que tem de ser pago”, disse também a governadora do Banco da Rússia, Elvira Nabiullina.

Em junho, Putin ordenou que o programa de subsídio de hipotecas fosse prolongado por um ano, até julho de 2022, mas com novas condições. O governo aumentou a taxa subsidiada para a compra de novos apartamentos de 6,5% para 7%, por exemplo.