Reino Unido cria banco para acelerar construção de 500 mil casas

O National Housing Bank tem como objetivo pôr em movimento 500 mil habitações e cerca de 53.000 milhões de libras de investimento privado nos próximos 10 anos.
Keir Starmer
Primeiro-ministro britânico, Keir Starmer Getty images

O Governo do Reino Unido acaba de lançar o National Housing Bank (Banco Nacional de Habitação), uma nova instituição pública com um “cofre” de 16.000 milhões de libras (cerca de 18.350 milhões de euros à taxa de câmbio atual), apoiada pela agência estatal Homes England. A missão é clara: dar um reforço financeiro a promotores e construtores para aumentar de forma significativa a oferta de casas no mercado britânico.

O plano passa por conceder autorizações e financiamentos capazes de pôr em movimento 500 mil habitações e cerca de 53.000 milhões de libras (cerca de 60.000 milhões de euros) de investimento privado nos próximos 10 anos. Entre os grandes objetivos estão:

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  • Proteger o setor imobiliário face à subida de custos esperada com o conflito no Irão;
  • Ajudar a cumprir a meta das 1,5 milhões de casas novas até 2029, promessa eleitoral do primeiro‑ministro trabalhista Keir Starmer.

Banco público e metas sociais

A diretora‑executiva da Homes England, Amy Rees, garantiu em declarações ao Financial Times que uma em cada três casas apoiadas por este banco terá de ser social e acessível – ou seja, 33% do total.

Rees acrescentou ainda que, somando todas as fontes de financiamento, o pacote total disponível ascende a 48.000 milhões de libras. Aos 16.000 milhões injetados diretamente da entidade bancária juntam‑se 27.000 milhões em subsídios para habitação social e acessível e mais 5.000 milhões destinados à compra de terrenos e infraestruturas, que a Homes England irá mobilizar ao longo da próxima década.

A presidente da Homes England, Pat Ritchie, sublinhou que o Banco Nacional de Habitação “responde diretamente aos pedidos do setor imobiliário, dos autarcas e dos líderes locais para aumentar a fatia de financiamento público e privado disponível para habitação e regeneração urbana de que o país precisa”.

Primeiros 100 milhões para 3.300 casas

O primeiro acordo do banco foi fechado com a Aviva Capital Partners, gestora de investimento da seguradora Aviva. Em conjunto, vão investir 100 milhões de libras (quase 115 milhões de euros) para desenvolver 3.300 novas habitações.

Os primeiros 300 fogos surgirão em Liverpool e Manchester, em antigos terrenos industriais devolutos, e mais de um terço será disponibilizado a preços acessíveis. O pacote inclui também investimento em equipamentos e serviços públicos, integrados nos projetos de regeneração urbana destas zonas.

O diretor‑executivo do banco, Simon Century, explicou que esta parceria com a Aviva “é exatamente o tipo de investimento para o qual o Banco Nacional de Habitação foi criado: desbloquear terrenos industriais e oferecer habitação familiar de alta qualidade e a preços acessíveis para arrendamento em todo o Reino Unido, começando por Liverpool e Manchester”. O responsável adiantou ainda que o objetivo é criar mais plataformas deste género, capazes de atrair capital de investidores institucionais e privados para o mercado residencial inglês.

Já o diretor‑geral da Aviva Capital Partners, David Epstein, destacou que este investimento “vai proporcionar às famílias trabalhadoras casas de arrendamento estáveis e de grande qualidade”. E reforçou que a colaboração é “mais uma forma de a Aviva investir no Reino Unido, trabalhando com a Homes England para melhorar as economias e as comunidades locais em cidades de todo o país”.

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