Os proprietários de casas nos EUA estão a permanecer mais tempo nas suas habitações, o que está a contribuir para a subida dos preços das casas, numa altura em que a oferta no mercado continua limitada. De acordo com um estudo da Redfin, no final de 2025, um proprietário típico vive cerca de 12 anos na mesma casa - quase o dobro do que acontecia há duas décadas.
Entre os principais motivos estão os custos elevados associados aos créditos habitação e às mudanças, bem como o valor acumulado nas casas atuais. Muitos proprietários comparam as condições atuais do mercado com os empréstimos antigos, contratados com taxas de juro muito mais baixas, algo que não querem perder.
O tempo médio de permanência atingiu o seu pico em 2020, durante a pandemia, quando as restrições obrigaram as pessoas a ficar mais tempo em casa, chegando a cerca de 13 anos. Posteriormente, uma vaga de compras impulsionada por juros baixos e pela expansão do trabalho remoto fez esse número descer, antes de voltar a subir no último ano.
Estes dados refletem, em certa medida, uma maior estagnação na vida de muitos americanos. Além de mudarem menos de casa, também permanecem mais tempo nos mesmos empregos, em parte devido à menor dinâmica do mercado de trabalho.
Escassez de habitação e preços em níveis recorde
Para muitos proprietários, mudar de casa — seja para uma mais pequena ou maior — tornou-se demasiado caro. A escassez de habitação disponível fez disparar os preços para níveis recorde, mas há poucos incentivos para vender. Isto porque muitos continuam a beneficiar de créditos com juros baixos, que não querem trocar por condições menos favoráveis.
A demografia também desempenha um papel importante: muitos proprietários mais velhos mantêm casas grandes que poderiam, de outra forma, ser ocupadas por famílias mais jovens. Segundo a Redfin, os “baby boomers”, cujos filhos já saíram de casa, detêm cerca de 28% das habitações com três ou mais quartos — o dobro da percentagem entre os “millennials” com filhos.
Nas principais áreas metropolitanas da Califórnia, os proprietários tendem a ficar ainda mais tempo nas suas casas. Em Los Angeles, por exemplo, a permanência média chega aos 20 anos — a mais elevada do país — seguida por San José. Este fenómeno está ligado, em parte, a regras fiscais que permitem manter impostos sobre a propriedade mais baixos enquanto o imóvel não for vendido.
Por outro lado, as mudanças são mais frequentes em cidades como Louisville, onde o tempo médio antes da venda é de cerca de 8,3 anos, bem como em Las Vegas, Orlando e Charlotte.
Com as taxas fixas a 30 anos a descerem recentemente para valores abaixo dos 6%, é possível que mais proprietários voltem a colocar casas no mercado. Ainda assim, cerca de 70% dos créditos habitação atuais têm taxas inferiores a 5%, segundo dados da Intercontinental Exchange, o que continua a travar muitas decisões de venda.
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