Preços das casas disparam, mas Banco de Portugal afasta cenário de bolha

Preços das casas disparam, mas Banco de Portugal afasta cenário de bolha
GTRES

Numa altura em que os preços das casas estão a aumentar – em determinadas zonas estão a subir de forma perigosa – e que se começa a discutir se há o risco de se criar uma bolha imobiliária no mercado nacional, o Banco de Portugal (BdP) veio descartar essa hipótese e confirmar, no boletim económico de outubro,  que por enquanto não há razões para alarme.

O BdP nota que o investimento em habitação tem vindo a aumentar, tal como os preços, que subiram 7,9% no primeiro semestre de 2017. O desemprego desceu, o montante dos novos empréstimos para a compra de casa atingiu máximos e os juros estão (historicamente) baixos. Parecem estar reunidas, de facto, as condições ideais para um cenário de bolha imobiliária, mas a verdade é que há um pormenor que poderá evitar que a história se repita. É que segundo a entidade, grande parte dos capitais são próprios e vêm de fora.

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Maioria do capital é estrangeiro

A instituição admite que o aumento de 7,9% é significativo, mas esclarece que para “a aceleração dos preços da habitação está a contribuir em parte o aumento da procura por não residentes”, pode ler-se no boletim. O que significa que a maioria das transações representa uma injeção de capital estrangeiro, isto é, um conjunto de capitais que tem permitido reabilitar o imobiliário, criar mais emprego, colocar casas no Alojamento Local, disponibilizar arrendamentos.

“A tendência mais recente de reafectação da carteira de investimento que se verifica à escala europeia, juntamente com a existência de outros incentivos, nomeadamente ao nível fiscal, podem justificar o aumento da procura por parte de não residentes,” explica o BdP.

Com a inflação e os juros tão baixos, “este tipo de investimento tem-se tornado mais apelativo, refletindo o aumento da sua taxa de rendibilidade relativamente a outros investimentos de longo prazo, nomeadamente de menor risco,” lê-se no documento.

Ainda que o investimento em habitação tenha crescido bem acima do ritmo da atividade económica, a exposição ao risco não acontece – por enquanto –, já que este aumento não está a ser financiado excessivamente por crédito bancário. 

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