Governo lança plano para apoiar investimento em imóveis para residências de estudantes

Governo lança plano para apoiar investimento em imóveis para residências de estudantes
GTRES

Há falta de oferta de alojamento universitário: as residências para estudantes do ensino superior público só garantem alojamento para 12% dos quase 114 mil alunos deslocados (42% do total). E as rendas de quartos privados chegam a superar os 600 euros mensais. O diagnóstico é do Governo, que para contrariar este cenário, prepara o lançamento de um programa destinado a apoiar as instituições de ensino superior públicas e autarquias através de um fundo de reabilitação de edifícios que se destinem a residências universitárias.

Esta possibilidade consta do Plano Nacional de Alojamento para o Ensino Superior (PNAES), apresentado esta quintaa-feira pelo Governo, em Coimbra, pela secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Fernanda Rollo, pela secretária de Estado da Habitação, Ana Pinho, e pelo secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo.

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Um dos instrumentos disponíveis, segundo relata a Lusa, é o Fundiestamo, uma empresa do grupo Parpública que gere fundos de investimento imobiliário e através do qual as instituições podem disponibilizar os imóveis para reabilitação afectando-os ao uso de residência universitária.

Segundo a secretária de Estado do ensino superior, neste programa não há tectos nem montantes máximos estabelecidos, sendo cada caso avaliado isoladamente, sem pré-determinações. 

Fernanda Rollo, citada pela agência de notícias, destaca ainda as alterações fiscais previstas, como a possibilidade de dedução em IRS das rendas pagas por estudantes deslocados até aos 25 anos com alojamento e as isenções na tributação de IMI para os proprietários que coloquem casas no arrendamento a estudantes com valores acessíveis, englobando-as no conjunto de medidas que pretendem "ajudar a aumentar a oferta" de camas disponíveis.

Em termos de residências de universidades e politécnicos há uma disponibilidade de 12% face às necessidades identificadas, sendo que 42% dos alunos do ensino superior português estão deslocados.

Alojamento universitário público garante 12% das necessidades

"Este problema" de falta de alojamento, "tem conhecido uma densificação nos últimos tempos, muito provocada pela pressão turística" e com "reflexo quer nos preços quer na disponibilidade de espaços para alugar pelos estudantes, muito em particular em Lisboa e Porto", considera Fernanda Rollo.

"Impressionante" foi como a governante classificou, de acordo com o que escreve a Lusa, a escalada de preços no arrendamento em Lisboa e Porto que pode levar um estudante em Lisboa a pagar 600 euros por um quarto ou 450 no Porto, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) disponibilizados pela tutela a propósito do levantamento de informação efectuado, tendo em conta o preço de cerca de seis euros por metro quadrado em Lisboa e de 4,58 euros no Porto e admitindo que um quarto possa ter uma dimensão média de 10 metros quadrados.

Onde é mais caro arrendar um quarto quando se estuda fora

As áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, com mais de 30% de alunos deslocados, são as que apresentam alguns dos custos mais elevados no arrendamento e onde a oferta de camas em residências públicas e a custos controlados é mais reduzida, inferior a 10% das necessidades para o total de estudantes não residentes.

No Algarve, remata a agência de notícias, o preço médio cobrado por metro quadrado chega aos cinco euros, o que pode significar um arrendamento de 500 euros, mas nesta região a oferta pública de residências cobre mais de 30% das necessidades dos alunos deslocados.

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