Abrir mão do descanso prejudica a vida pessoal e profissional. Por que é que não se deve colocar o trabalho à frente de tudo?
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Dias de férias
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Derrubar o mito de que o sucesso nasce do sacrifício, e falar sobre a importância de aproveitar as férias (que são devidas). É para este tema que vários psicólogos e especialistas em recursos humanos deixam alertas, frisando a importância de saber parar e tirar as férias a que se tem direito para garantir o bem-estar físico e emocional. O trabalho é fundamental, sim, mas não deve ser colocado à frente de tudo. Sacrificar o descanso e a vida pessoal é, na verdade, colocar em risco a produtividade a longo prazo.

"Temos a conceção de que o sucesso nasce do sacrifício e do trabalho árduo, e há pessoas que pensam erroneamente que para alcançar o sucesso profissional devem colocar o trabalho antes de tudo e, por isso, não aproveitar as férias", explica Eva Porto, psicóloga especializada em recursos humanos, citada pelo El País. Para Eva, a cultura da empresa é responsável em muitos casos por este tipo de comportamento.

“São empresas que associam a permanência de um funcionário no cargo por muitas horas a um alto nível de comprometimento, desempenho e profissionalismo. É comum esse tipo de empresa reforçar publicamente os funcionários que abrem mão das férias e sacrificam a vida pessoal pelo trabalho”, diz. Este tipo de realidade acaba, de resto, por alimentar a culpa, o medo e a vergonha quando é preciso pedir folgas.

Tirar férias
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Um estudo sobre hábitos de férias realizado pela Allianz Travel Insurance, citado pelo jornal espanhol, revela que 25% dos millennials dizem que se sentem nervosos ao pedir férias ao chefe, em comparação com 14% dos membros da geração X e 6% daqueles com mais de 55 anos.

“Ninguém se deve gabar de não tirar férias”

Abrir mão do direito a tirar férias não é apenas uma tolice, mas deve ser percebido como algo negativo. “Ninguém deve se gabar de não tirar férias. E as empresas que promovem essa cultura não estão a olhar para o novo diálogo empresarial ou para o novo paradigma produtivo, então, mais cedo ou mais tarde, deixarão de ser relevantes. Vivemos na cultura da quantidade versus qualidade, mas isso já não funciona”, explica Alejandra Nuño, socióloga e especialista em crescimento empresarial.

Ambos os especialistas concordam que a desconexão do trabalho não só traz benefícios para a saúde mental e física, mas também para o próprio desempenho no trabalho. “Quando estamos descansados ​​sentimo-nos mais felizes, melhoramos o nosso potencial, estamos mais focados e somos mais criativos e mais produtivos. Prova disso é o que acontece em França: é um dos países que mais goza dias de férias e também um dos mais produtivos da Europa”, comenta Alejandra.

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