Lei dos portos vai incluir habitação para trabalhadores em Sines

Lei dos portos prevê instrumentos para fazer face ao problema da fixação de trabalhadores em Sines, através de parcerias.
Lei dos portos
João Galamba, ministro das Infraestruturas Getty images
Lusa
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O ministro das Infraestruturas disse esta quarta-feira (12 de julho de 2023) que a revisão do quadro legislativo para os portos vai prever disposições sobre habitação, através de parcerias com entidades como a Câmara Municipal de Sines, para promover a fixação de trabalhadores. "A boa notícia é que iremos incluir [na lei dos portos] disposições sobre esta matéria, nomeadamente sobre a questão da habitação”, afirmou João Galamba, durante a cerimónia de assinatura do Memorando de Entendimento entre o Porto de Sines e a Companhia Siderúrgica Nacional do Brasil, no Ministério das Infraestruturas, em Lisboa.

Segundo o governante, a lei dos portos que está a ser preparada prevê instrumentos para fazer face ao problema da fixação de trabalhadores em Sines, através de “parcerias com outras entidades, nomeadamente com a Câmara Municipal”.

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Foram ainda autorizadas alterações significativas na lei para incluir disposições sobre questões alfandegárias que “limitavam a capacidade de Sines ser a porta de entrada de produtos perecíveis”, fruto da colaboração entre os ministérios das Infraestruturas, Agricultura e da Presidência, explicou o ministro.

O Porto de Sines e a Companhia Siderúrgica Nacional do Brasil assinaram hoje um memorando no âmbito da iniciativa Global Gateway, lançada em 2021 pela Comissão Europeia (CE) para promover ligações inteligentes, limpas e seguras a nível dos setores digital, da energia e dos transportes, esperando mobilizar 300.000 milhões de euros até 2027, para dar cobro aos projetos que estão a ser desenvolvidos.

Recentemente, foi também assinado um memorando de entendimento com a Sociedade de Desenvolvimento da Barra do Dande, em Angola. “Portugal, Angola e Brasil são três países, cada um à sua maneira, com enorme potencial na transição ‘verde’ e penso que este é mais um exemplo de uma boa oportunidade em que tiramos partido exatamente disso”, referiu João Galamba.

Concretamente sobre a relação com o Brasil, o ministro das Infraestruturas destacou as trocas de produtos agroalimentares, energia e minérios.

A sessão contou ainda com a presença do presidente do Conselho de Administração da APS - Administração dos Portos de Sines e do Algarve S.A., José Luís Cacho, do diretor da área de portos da Companhia Siderúrgica Nacional, Pedro Brito, e da representante da CE em Lisboa, Sofia Moreira de Sousa, que destacou a importância de parcerias de investimento deste género nas questões de soberania alimentar, que ganharam um “papel ainda mais importante” após a invasão russa da Ucrânia.

No período da sessão dedicado a perguntas dos jornalistas, João Galamba foi questionado se se sentia satisfeito com a ausência de referência aos incidentes no seu ministério no relatório preliminar da comissão de inquérito à TAP e se se sentiu um participante num filme norte-americano de série B, quando foi ouvido naquela comissão, numa alusão às declarações do ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva.

João Galamba respondeu que não revela estados de alma e acrescentou: “Sobre essas matérias já fiz todos os comentários, cabe ao Parlamento aprovar o relatório que entender”.

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