Siza Vieira assina projeto no Porto com casas, serviços e jardim

Vão ser construídas cerca de 40 casas na Avenida da Ponte. Próximo executivo do Porto vai definir se será habitação municipal.
Novas casas no Porto
Arquiteto Álvaro Siza Vieira Getty images
Lusa
Lusa

O arquiteto Álvaro Siza Vieira apresentou esta quarta-feira, dia 16 de julho, um projeto de loteamento para a Avenida da Ponte, no Porto, para onde desenhou habitação, edifícios para serviços culturais, um grande jardim, uma praça e um miradouro.

Na apresentação realizada esta quarta-feira no edifício da Câmara do Porto, o vereador com o pelouro do Urbanismo e Espaço Público, Pedro Baganha, lembrou como este se trata de um “território e um problema urbano adiados” e o arquiteto Álvaro Siza contextualizou os projetos que já tinha apresentado em 1968 e em 2001 e que foram “deixados na gaveta”.

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A Avenida D. Afonso Henriques, conhecida no Porto por “Avenida da Ponte”, liga o tabuleiro superior da Ponte Luis I à Praça de Almeida Garrett, criando uma separação entre a zona da Estação de S. Bento e a zona da Sé.

Do lado poente do terreno (junto à Sé), no lugar do Mercado de S. Sebastião, que há poucos dias começou a ser demolido, o arquiteto projetou um edifício de uso habitacional com uma “arquitetura evocativa da tipologia arquitetónica portuense” que vai ajudar a reconstruir a Travessa de São Sebastião, explicou Pedro Baganha à Lusa.

Imediatamente ao lado, nascerão outros dois edifícios habitacionais, que vão colmatar a rua de Corpo de Guarda.

Ainda do lado da Sé Catedral, Siza Vieira prevê um edifício que será para serviços culturais, uma praceta, uma nova rua, um percurso pedonal e um “grande jardim”.

Do lado nascente do terreno (junto à Estação de S. Bento), nascerão três edifícios habitacionais que vão “fazer o remate da rua Chã”, um segundo edifício para um equipamento cultural e um miradouro junto à escarpa em pedra.

A habitação prevista para a Avenida da Ponte deverá rondar os 40 novos fogos, um número limitado por se tratar de uma zona classificada pela UNESCO.

“Nós não podemos perder a noção de que estamos a falar do Património da Humanidade, que tem uma determinada escala, uma determinada vivência, uma determinada atmosfera. A grande virtude do projeto que nos está a ser proposto é que reforça essa mesma atmosfera que é típica e tradicional no centro do Porto”, ressalvou Pedro Baganha.

Projeto de Siza Vieira para o Porto
Mercado de S. Sebastião no Porto já começou a ser demolido Google Maps

Próximo executivo do Porto vai definir tipo de habitação 

Sobre o tipo de habitação que será construída, o vereador relembrou que se aproximam eleições autárquicas e a decisão será do próximo executivo.

“Diria que, se continuasse este executivo, [com] este presidente e este vereador, claramente estes edifícios ficariam na esfera municipal para a habitação pública. Se ela é acessível, se ela é social ou se há uma mistura, nem nós poderemos saber”, esclareceu o Pedro Baganha.

Siza Vieira, questionado pelos jornalistas se sentia alguma mágoa por nunca terem sido concretizados os seus projetos anteriores para a Avenida da Ponte, respondeu que não.

“Na situação atual, um arquiteto não pode sentir mágoas ou fica maluco, porque as mágoas a existirem eram constantes”, brincou.

A 25 de março, a empresa municipal Porto Vivo SRU assinou um contrato, de 300 mil euros, com o arquiteto Siza Vieira para este elaborar um projeto de loteamento (e respetivos projetos de especialidades) para a Avenida da Ponte, depois de este já ter apresentado dois projetos para esta zona da cidade.

Os terrenos da Avenida da Ponte são municipais e o projeto de loteamento apresentado esta quarta-feira ainda se encontra a recolher pareceres técnicos externos e seguirá, depois, para consulta pública.

No final dos anos 40, foram demolidas várias casas para se criar uma ligação rodoviária entre o tabuleiro superior da Ponte Luis I e Praça de Almeida Garrett. Vários estudos foram feitos para esta ligação, mas a topografia deste local ia inviabilizando estes desenhos e acabou por se ‘rasgar’ a direito esta zona da cidade, nascendo assim a Avenida Dom Afonso Henriques, conhecida por “Avenida da Ponte”.

Ao longo dos últimos 70 aos, para preencher o vazio urbano que as demolições deixaram, foram sendo apresentados vários projetos e esta quarta-feira Siza Vieira apresentou o terceiro da sua autoria.

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