Um recente estudo do Banco Central Europeu (BCE) revela que, quando há uma subida das taxas diretoras, as famílias portuguesas travam mais o consumo do que a maioria dos europeus. A principal explicação está no elevado endividamento das famílias e da predominância de créditos habitação a taxa variável no nosso país.
O efeito da transmissão da política monetária do BCE "no consumo é mais forte em países com uma maior proporção de proprietários, com um nível mais elevado de dívida das famílias face ao PIB, e com uma maior quota de créditos habitação a taxa variável [que se ajustam mais rápido às mudanças dos juros do regulador europeu por via da Euribor]", conclui o estudo citado pelo ECO.
Portugal reúne estes três fatores, fazendo parte do grupo de países, onde uma subida de um ponto percentual dos juros do BCE tem maior capacidade de travar o consumo privado das famílias (neste grupo está ainda Espanha e a Irlanda), refere o meio.
Por outro lado, na Alemanha e na França a transmissão da política monetária tem menor impacto no consumo, uma vez que nestes países a taxa de proprietários é mais baixa e os créditos habitação a taxa fixa são dominantes.
As economista e autoras do estudo do BCE concluíram também que quem tem casa própria e não está a pagar crédito habitação tende a consumir mais quando a habitação valoriza. Quando o valor da casa desce, a tendência passa por cortas despesas, lê-se ainda.
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