Juros no crédito habitação descem antes de sentir impacto da guerra

Taxas estão em 3,079%, um mínimo de três anos, diz INE. Mas tendência de descida deverá ser interrompida pela subida da Euribor.
Juros no crédito habitação em Portugal
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A trajetória de descida dos juros nos créditos habitação em Portugal voltou a confirmar-se em fevereiro, com uma nova redução para 3,079%, um mínimo em três anos. Mas a guerra no Irão poderá trocar as voltas e inverter esta tendência de descida dos juros, uma vez que as taxas Euribor já estão a crescer, antecipando um agravamento da política monetária por parte do Banco Central Europeu (BCE), entidade que decidiu manter os juros inalterados esta quinta-feira (dia 19 de março), assumindo uma postura cautelosa quanto ao futuro.

“A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito habitação diminuiu para 3,079% em fevereiro de 2026, traduzindo uma descida de 3,2 pontos base (p.b.) face a janeiro de 2026 (3,111%)”, revela o Instituto Nacional de Estatística (INE) esta quinta-feira, dia 19 de março. Esta trajetória de descida dos juros já dura há dois anos, depois de atingirem o máximo em janeiro de 2024 (4,657%), estando agora em valores mínimos desde 2023.

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Também para o destino de financiamento aquisição de habitação - o mais relevante no conjunto do crédito habitação -, a taxa de juro implícita para o total dos contratos desceu para 3,077% (-3,1 p.b. face a janeiro de 2026). 

Esta redução dos juros foi sentida na prestação da casa, cujo valor médio se fixou em 397 euros em fevereiro, menos dois euros face a janeiro e menos três euros face há um ano. As prestações poderiam descer ainda mais, caso o capital médio em dívida para a totalidade dos contratos não aumentasse mês após mês – em fevereiro subiu 500 euros, para 76.494 euros, indica o INE.

Ainda assim, há seis meses que as famílias estão a amortizar mais capital do que a pagar juros. Em fevereiro, a parcela de pagamento de juros na prestação foi de 48,9% (194 euros) e a de capital amortizado foi de 51,1% (203 euros).

A verdade é que toda esta trajetória de descida dos juros e das prestações da casa pode ser interrompida em breve. Os mercados financeiros já estão a descontar que o BCE vai subir os juros para travar uma potencial escalada de inflação gerada pelo choque energético trazido pelo escalar da guerra no Irão. Quer isto dizer que as taxas Euribor têm vindo a subir ao longo de março, podendo impactar as prestações da casa já no próximo mês, tanto para os créditos habitação a taxa variável existentes (com revisões em abril), como para os novos empréstimos. 

Novos créditos habitação: juros já estão a subir

Pelo contrário, já foi sentida uma subida dos juros nos novos créditos habitação. “Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro subiu de 2,847% em janeiro para 2,871% em fevereiro de 2026. Este aumento dos juros pode ser explicado pelas ligeiras oscilações para cima da Euribor e das swaps nos últimos meses, conjugadas com pequenos aumentos dos custos de financiamento por parte da banca.

Também no que diz respeito aos novos créditos com a finalidade de comprar casa, a taxa de juro subiu 2,4 p.b. comparativamente com o mês anterior, para 2,871%, revela o boletim do INE.

Por conseguinte, nestes novos créditos habitação, o valor médio da prestação da casa aumentou 19 euros, para 695 euros verificando-se uma subida de 11,7% em termos homólogos. A ajudar a este aumento está também o montante médio em dívida, que cresceu 3.009 euros num mês, fixando-se em 171.862 euros.

Os novos créditos habitação contratados em abril deverão já sentir um aumento ainda maior quer nos juros, quer na prestação da casa, perante as subidas da Euribor e dos swaps nos últimos dias que vão impactar as taxas médias de março. 

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