A Mudey, ‘insurtech’ portuguesa que reúne seguros de várias seguradoras, lançou um inquérito online para avaliar o nível de conhecimento dos portugueses em relação aos seus Seguros Multirriscos Habitação e perceber a satisfação com a contratação e utilização dos mesmos. As principais conclusões apontam para que o conhecimento sobre funcionamento e obrigatoriedade legal de algumas das coberturas destes seguros é bastante reduzida e que cerca de 40% dos clientes estão insatisfeitos com este produto.
Portugueses revelam falta de literacia sobre o tema
O barómetro “Como os portugueses protegem as suas casas?”, que teve por base um inquérito online onde foram recolhidas 375 respostas válidas, entre março e abril deste ano, revela uma grande diferença entre o conhecimento real sobre os seguros de habitação e o conhecimento percecionado.
Numa das principais perguntas, que foi transversal a quem tem ou não um seguro contratado, solicitava-se que o entrevistado classificasse o seu grau de conhecimento sobre o Seguro Multirriscos Habitação. A esta questão, 38% responderam que os seus conhecimentos são altos ou muito altos (4 e 5, numa escala de 1 a 5) e 43% atribuíram-lhes um nível médio (3). As respostas também variaram de acordo com o género, uma vez que 47% dos homens indicaram um nível de conhecimentos alto ou muito alto, contra apenas 26% das mulheres.
No entanto, os resultados às perguntas sobre o funcionamento e obrigatoriedade legal de algumas das coberturas do Seguro Multirriscos Habitação revelam precisamente que o conhecimento real dos portugueses não é tão alto como os mesmos percecionam, uma vez que os inquiridos acertaram apenas 1,8 em 4 perguntas. Os que afirmaram ter conhecimentos bons ou muito bons sobre este tipo de seguro apenas acertou, em média, 2,6 perguntas. Quem afirmou ter conhecimentos médios apenas acertou, em média, 1,7 perguntas.
Mas a falta de literacia sobre este tema é especialmente evidente quando as questões recaem sobre as apólices contratadas, pois muitos inquiridos confessaram não ter conhecimento sobre a sua proteção no que respeita a riscos específicos, com 21% a admitirem que não sabiam se tinham contratada cobertura de fenómenos sísmicos e 25% a admitirem desconhecimento sobre se tinham cobertura contra tempestades e fenómenos da natureza.
Apenas 60% demonstram-se satisfeitos com o seu seguro
O grau de satisfação dos portugueses com o seu Seguro Multirriscos Habitação está intimamente ligado à perceção de preço, canal de contratação e motivo pelo qual o consumidor tem o seguro. Com um nível médio de satisfação nos 6,9 (numa escala de 0 a 10) e com 40% a afirmarem-se insatisfeitos (ao escolherem um nível entre 0 e 6), o inquérito da Mudey revela ainda que os consumidores que contrataram o seguro com o objetivo de proteger a habitação têm níveis de satisfação superiores, comparativamente aos que o contrataram por imposição associada ao crédito habitação ou por obrigação legal.
Quanto ao preço, 54% dos inquiridos consideraram como justo o valor pago pelo seguro de habitação, enquanto 26% o consideraram caro e 20% não sabiam quanto pagavam. Em comunicado, Ana Teixeira, cofundadora da Mudey, afirma que este estudo “permite perceber que a relação que o consumidor constrói com o seguro influencia diretamente a forma como o valoriza e o nível de satisfação que tem com o produto”, acrescentando que “quando existe um papel mais ativo na escolha — seja na comparação, na procura de informação ou na definição das coberturas — os níveis de satisfação tendem a ser superiores”.
Contudo, a responsável alerta para o facto de “quando o seguro é percecionado, sobretudo, como uma obrigação quer bancária quer legal, o sentimento tende a ser mais negativo e distante”, sublinhando que “o desafio do setor passa precisamente por garantir acesso e proximidade do consumidor ao produto, para que exista compreensão e percepção do valor real da proteção que está a contratar, mesmo quando a contratação resulta de uma exigência legal ou bancária”.
Crédito habitação como principal motivo de compra
Entre os proprietários de casas com crédito habitação ativo, mais de metade (60%) contrataram o Seguro Multirriscos Habitação por exigência do banco. À medida que o crédito é liquidado, 20% abandonam este tipo de seguro.
Este facto interfere na satisfação do cliente, pois quem o contratou por obrigação legal apenas revela uma satisfação de 6,2 em 10, quem o fez por exigência bancária fica nos 6,6/10 e quem o contratou unicamente porque queria proteger a sua habitação já revela uma satisfação maior, em média 7,2/10.
Para Ana Teixeira, estes resultados “indicam que a contratação do seguro começa como uma obrigação, associada ao crédito, mas, quando este deixa de existir, os consumidores ficam pela perceção da necessidade de proteção. Ou seja, à medida que o crédito vai sendo liquidado, o motivo declarado da contratação migra da imposição bancária para a proteção genuína dos bens. A obrigação cria o hábito, e o hábito revela o valor”.
Segundo a cofundadora da Mudey, empresa criadora do primeiro mediador de seguros 100% digital em Portugal, “o setor tem um papel preponderante na criação das condições necessárias para garantir autonomia e envolvimento do consumidor com o seu seguro, desde o acesso simples à informação até à contratação, assim como a tangibilização do produto em situações do dia-a-dia”.
“Os dados mostram que maior compreensão conduz a uma maior valorização do seguro e níveis de satisfação superiores”, conclui.
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