Empresas zombie resistem e continuam a prosperar na economia

Estudos do FMI e do GEE mostram que Portugal chegou a ter 21,1% das cotadas em situação zombie em 2020, descendo para 12,5% em 2024.
Empresas zombie cotadas na bolsa
Imagem gerada por IA

O tecido empresarial português não está imune à “epidemia” global de empresas zombie. Depois de anos de crédito barato e apoios de emergência na pandemia, uma fatia relevante das empresas em Portugal continua a operar sem gerar receitas suficientes para pagar os juros da dívida, a investir pouco, a empregar menos e a arrastar produtividade. Estudos recentes apontam para que, em certos momentos, a proporção de empresas zombie no país tenha mesmo ultrapassado a média internacional, com impacto direto no crescimento económico, no emprego e na capacidade de regeneração do tecido produtivo.

Empresas zombie cotadas na bolsa
Fonte: ECO

Segundo o ECO, um extenso trabalho académico, publicado em junho de 2023 pelos os economistas Bruno Albuquerque e Roshan Iyer do Fundo Monetário Internacional (FMI), analisou mais de 42 mil empresas cotadas em 63 países – incluindo Portugal – conclui que cerca de 10% das empresas em bolsa no mundo são zombies, o dobro de há 20 anos. No caso português, os dados mais recentes do FMI para cotadas apontam para que a fração de empresas zombie tenha atingido 21,1% em 2020, descendo para 12,5% em 2024, uma queda que poderá refletir a recuperação económica e o reforço do capital da banca. 

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Já um estudo do Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia mostra que, entre as empresas não financeiras com pelo menos dez anos de atividade, o número de zombies em Portugal subiu de 6.168 em 2008 (3% do total) para um pico de 14.602 em 2014 (7%), com nova subida em 2020 no contexto da Covid-19.

A mesma fonte sublinha, ainda, que as empresas zombie portuguesas espelham o padrão global identificado pelo FMI: vendem por trabalhador 34% menos do que as saudáveis do mesmo setor, pagam salários mais baixos, exportam pouco, investem menos em investigação e desenvolvimento, mas consomem 32% mais capital fixo por trabalhador, imobilizando recursos sem rentabilizar. 

Setores como a construção e os serviços chegaram a ter, nos anos de pico, 12,5% das empresas incapazes de gerar receitas para cobrir os custos normais, o que, segundo os autores do estudo, revela “barreiras à saída e/ou à entrada” de empresas mais eficientes e trava o processo de destruição criativa. O FMI aponta duas frentes essenciais para conter este “exército de mortos‑vivos”: bancos bem capitalizados, para evitar o refinanciamento perpétuo de empresas inviáveis, e regimes de insolvência rápidos e eficazes. Em Portugal, o diagnóstico está feito há anos, falta agora transformar esse conhecimento em reformas que libertem capital e espaço para empresas com futuro.

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