Casas vendidas em Portugal atingem preço histórico após subir 19,8%

INE revela que preço mediano das casas vendidas está em 2.337 euros/m2. Transações caíram 10,5% no início de 2026.
Preço das casas em Portugal
Magnific

O mercado residencial em Portugal está a ferver. Embora o número de casas vendidas tenha caído no início do ano, os preços continuaram a aumentar a elevado ritmo, atingindo novos recordes. Isto significa que estão a comprar-se menos casas no país, mas por valores cada vez mais altos, agravando o acesso à habitação.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) revela que, depois de ter subido 19,8% no último ano, o preço mediano das casas vendidas foi de 2.337 euros por metro quadrado (euros/m2) no início de 2026. Trata-se do maior valor de sempre. 

Publicidade

Menos casas vendidas no início do ano…

Nos primeiros três meses de 2026, foram vendidas 35.953 casas no país, menos 10,5% face ao mesmo período do ano passado. Este é o segundo trimestre seguido que se sente o número de casas vendidas a cair no país, num contexto em que os preços da habitação continuam a subir muito mais rápido do que os salários.

Esta tendência de decréscimo do número de casas vendidas foi sentida na maioria dos territórios portugueses, com as reduções mais significativas a observarem-se na Região Autónoma da Madeira (-24,2%), Região de Aveiro (-19,2%), Alentejo Litoral (-15,5%) e Região de Leiria (-15,4%). Um aumento anual do número de casas transacionadas foi apenas verificado nas sub-regiões de Terras de Trás-os-Montes (+14,2%) e Alto Tâmega e Barroso (+2,2%).

“A Grande Lisboa e a Área Metropolitana do Porto, embora tenham registado decréscimos homólogos no número de transações, concentraram 34,7% das transações de alojamentos familiares no primeiro trimestre de 2026”, detalha o INE no boletim divulgado esta sexta-feira, dia 17 de julho.

.. mas preço da habitação acelera e atinge novo recorde

“No primeiro trimestre de 2026, o preço mediano dos 35.953 alojamentos familiares transacionados em Portugal foi de 2.337 euros/m2, na sequência de uma taxa de variação de 19,8% em relação ao primeiro trimestre de 2025 (17,5% no trimestre anterior)”, informa o INE. A série histórica mostra, assim, que o país atingiu o preço da habitação máximo e que o seu crescimento continua a acelerar. 

O preço das casas compradas pelas famílias em Portugal no primeiro trimestre também acelerou na ordem dos 19% para 2.364 euros/m2. Já os fogos comprados pelos restantes setores institucionais - que agrupa sociedades financeiras, administrações públicas e instituições sem fins lucrativos, por exemplo – foram comprados por um valor 33,8% mais elevado (fixou-se em 2.142 euros/m2). 

Uma vez mais, os compradores residentes em Portugal continuam a adquirir casas a preços mais baixos (2.313 euros/m2) do que os compradores que vivem no estrangeiro (3.000 euros/m2), embora a subida dos preços seja superior (19,8% contra 16,6%, respetivamente).

A nível geográfico, verifica-se que o preço mediano da habitação aumentou nas 26 sub-regiões no último ano, destacando-se a sub-região Lezíria do Tejo (+30,4%), Península de Setúbal (+28,9%) e Médio Tejo (+28,2%). A maioria dos territórios registou mesmo subidas anuais dos preços das casas a dois dígitos, exceto as sub-regiões Beiras e Serra da Estrela (5,2%), Douro (8,3%) e Beira Baixa (8,5%).

No primeiro trimestre de 2026, “as sub-regiões da Grande Lisboa (3.836 euros/m2), Algarve (3.352 euros/m2), Península de Setúbal (2.996 euros/m2), Região Autónoma da Madeira (2.863 euros/m2) e Área Metropolitana do Porto (2.552 euros/m2) registaram preços da habitação superiores aos do país”, detalha o INE. Já a sub-região Beiras e Serra da Estrela apresentou o menor preço mediano de venda de alojamentos familiares (734 euros/m2).

“Nas sub-regiões Grande Lisboa e Área Metropolitana do Porto, o preço mediano (euros/m2) das transações efetuadas por compradores com domicílio fiscal no estrangeiro superou, respetivamente em 34,5% e 16,9%, o preço das transações por compradores com domicílio fiscal em território nacional”, lê-se ainda no boletim.

Preços das casas aceleram em 11 dos 24 municípios mais populosos

No início de 2026, os preços da habitação aceleraram o ritmo de subida em 11 dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, tendo os municípios do Funchal (+25,2 pontos percentuais) e de Guimarães (+24,1 p.p.) apresentado os maiores acréscimos. Os municípios de Lisboa e do Porto também registaram acréscimos, mas menos acentuados, de 0,3 p.p. e 2,4 p.p. cada por esta ordem.

Entre os municípios onde o preço das casas vendidas desacelerou destaca-se Matosinhos (-11,9 p.p.) e Vila Nova de Famalicão (-7 p.p.) que registaram os maiores travões, mostra o INE.

Independentemente do ritmo, a verdade é que todos os municípios mais populosos do país sentiram os preços das casas a subir no último ano. Os maiores acréscimos foram registados em Guimarães (+41,9%) e em Vila Franca de Xira (+32,2%). Matosinhos foi o único concelho onde os preços cresceram abaixo dos dois dígitos (+7,9%).

“Os municípios de Lisboa (5.292 euros/m2), Cascais (5.000 euros/m2) e Oeiras (4.511 euros/m2) destacaram-se por apresentarem os preços medianos de habitação mais elevados, superiores a 4.500 euros/m2”, refere ainda o instituto. Já o município populoso com os preços mais baixos é Barcelos (1.770 euros/m2).

Para poder comentar deves entrar na tua conta

Acompanha toda a informação imobiliária e os relatórios de dados mais atuais nas nossas newsletters diária e semanal. Também podes acompanhar o mercado imobiliário de luxo com a nossa newsletter mensal de luxo.