Entre 2020 e 2025, os dez municípios com maior área ardida localizavam-se todos nas regiões Norte e Centro, que concentraram, em conjunto, 90,7% da área queimada no Continente. A Covilhã lidera este ranking, com 28,8 mil hectares ardidos no período, seguida do Sabugal, com 22,6 mil hectares, e de Sernancelhe, com 19,5 mil. Completam a lista Castro Daire, Trancoso, Guarda, Seia, Chaves, Fundão e Vila Real, num retrato que confirma a forte exposição destes territórios ao fogo rural.
Os dados do INE mostram que esta concentração territorial acompanha a distribuição das zonas mais vulneráveis. Entre o mesmo período, 80,3% da área ardida no Continente ocorreu em territórios classificados com perigosidade alta e muito alta, embora estes representassem apenas 30,6% da superfície continental. Foram registados 50.218 incêndios com ponto de origem identificável, mas cerca de 31% começaram nestas áreas, o que revela que a dimensão da área queimada se concentra de forma muito mais marcada do que os próprios pontos de ignição.
A floresta e os matos predominam nas zonas de perigosidade mais elevada, ocupando 84,5% da superfície de alta perigosidade e 92,6% da área de perigosidade muito alta. Além disso, 69,6% destes territórios ficam a mais de 15 minutos de deslocação de um corpo de bombeiros. O instituto identificou também uma extensa interface entre áreas edificadas e coberto vegetal potencialmente combustível, com 8.168 quilómetros de interface direta e 1.373 quilómetros de interface indireta, fatores que reforçam a vulnerabilidade dos territórios mais afetados.
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