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Estala o verniz entre proprietários e Medina por causa do Alojamento Local

Polémica devido a artigo do presidente da CML. ALP recorda que alojamento de curta duração foi o motor da reabilitação urbana na capital.

Thanks to Julian Dik for sharing their work on Unsplash
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Autor: Redação

A polémica está instalada. Depois de publicado, este fim de semana, um artigo no jornal britânico 'The Independent', dando nota de que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML) pretende colocar um ponto final no negócio do Alojamento Local (AL) na capital, defendendo a reconversão das casas para turistas em habitação para trabalhadores essenciais, como profissionais de saúde, a ALP - Associação Lisbonense de Proprietários veio ontem acusar Fernando Medina de ser irresponsável.

Em comunicado, a ALP lembra que o alojamento turístico de curta duração foi o motor da reabilitação urbana em Lisboa, "cujo parque habitacional estava apodrecido e desertificado devido a um século de congelamento de rendas".

A associação indica ainda que muitos dos investimentos de reabilitação urbana canalizados para o Alojamento Local foram realizados por pequenos proprietários nacionais e constituem integralmente o seu rendimento disponível. Muitos destes investimentos estão ainda longe de estar amortizados.

A ALP relembra que "foi também graças ao alojamento local que milhares de postos de trabalho diretos e indirectos foram criados na cidade. Devido à grande procura de imóveis na cidade de Lisboa, o Executivo liderado por Fernando Medina beneficiou ainda de receitas fiscais históricas em sede de IMT - Imposto Municipal sobre as Transmissões e IMI - Imposto Municipal sobre Imóveis".

Estas receitas milionárias, como refere a associação, "podiam e deviam ter sido aplicadas pela autarquia em soluções de habitação municipal, ao invés de atirar a função social para os proprietários privados, como Fernando Medina pretende".

A ALP relembra também "que o Município de Lisboa é o maior proprietário imobiliário da cidade de Lisboa. A Câmara de Lisboa detém mais de três mil imóveis devolutos na capital. É neste parque habitacional abandonado que devem necessariamente começar as prioridades políticas de habitação municipal acessível do Presidente da Câmara de Lisboa", conclui a associação dos proprietários de Lisboa.

Criar habitação acessível em Lisboa - o argumento de Medina

Na base da polémica está um artigo de opinião publicado no jornal The Independent, em que se escreve que "depois do coronavírus, Lisboa vai livrar-se dos Airbnb e transformar os arrendamentos de férias de curta duração em casas para trabalhadores essenciais".

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa reconhece que, nos últimos anos a cidade tem"beneficiado muito" dos "milhões de turistas", mas que foi "pago um preço social".

Indicando que "um terço do centro da cidade é ocupado com arrendamentos de férias", Medina escreve que "trabalhadores essenciais e as suas famílias" foram forçados a sair do centro da cidade, devido às elevadas rendas. Enumerando algumas das ideias da cidade para fazer este processo de transformação, Fernando Medina escreve que esta transição "é um plano arriscado mas que não é a única forma a ser usada para revigorar o centro da cidade, onde os preços das propriedades dispararam em flecha nos últimos anos".

"Estamos a trabalhar com companhias privadas que estão a renovar alguns dos edifícios negligenciados para garantir que é possível criar habitação acessível, que é muito necessária".

"Agora queremos trazer as pessoas que são a vida de Lisboa para o centro da cidade, ao mesmo tempo em que a tornamos mais verde, sustentável e, em último grau, um sítio melhor tanto para viver como para visitar".

O autarca considera, assim, ser prioritário "habitação acessível para trabalhadores de hospitais, transportes, professores e milhares de outras pessoas que disponibilizam serviços essenciais".

Ontem ao final do dia, o Expresso publicou uma notícia dizendo que afinal, o título do artigo de opinião foi da responsabilidade do próprio 'The Independent' e não teve o cunho de Medina.

E, entretanto, o título do artigo foi atualizado para “"Depois do coronavírus, Lisboa está a substituir alguns Airbnbs e transformar os arrendamentos de férias de curta duração em casas para trabalhadores essenciais”.