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Trabalhadores remotos trocam a casa por resorts enquanto esperam pela vacina

Em vez de ficarem fechados em casa, procuram as comodidades de hotéis ou casas com mais espaço, piscina ou mar.

Photo by Damir Spanic on Unsplash
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Autor: Redação

Em plena pandemia e com o setor do turismo em verdadeira crise, há pontos do globo que estão a escapar à crise, graças aos chamados nómadas digitais. São trabalhadores remotos de vários países que, devido às restrições dos confinamentos, decidiram fazer as malas e mudar-se temporariamente para viver e trabalhar em resorts e hotéis. Os descontos para estadias prolongadas, a reabertura de certas fronteiras internacionais e uma maior consciência sobre os cuidados a adotar nas viagens incentivaram o êxodo na segunda vaga da Covid-19. E agora os clientes não têm intenção de voltar até que haja a promessa de uma data para receberem a vacina.

No Reino Unido e na Europa, os ricos voaram para destinos com climas mais quentes como Dubai, Maldivas e Espanha com o objetivo de escapar do confinamento de inverno, tal como conta a Bloomberg, citando Justin Huxter, fundador da Cartology Travel, com sede no Reino Unido. Os americanos têm mais opções de 'bunkers' tropicais: o Hawai diminuiu as restrições de viagens, e as fronteiras estão abertas no México, Costa Rica, Belize e muitas partes do Caribe. 

"Pessoas cansadas dos confinamentos perceberam que podem continuar a vida em lugares com muito menos stress e muito mais espaço para respirar", disse por outro lado à agência de notícias Jack Ezon, fundador da Embark Beyond, dando nota de que clientes da costa leste dos EUA têm migrado para hotéis e resorts de luxo na Flórida, Carolina do Sul e nas Ilhas Turcas e Caicos, enquanto os clientes da costa oeste fogem para o Arizona e Puerto Vallarta e Cabo no México – tudo lugares com bom clima e wifi. O custo médio, segundo detalha, é de 70 mil dólares por mês, e a maioria dos clientes faz reservas para dois a quatro meses.

Photo by Damir Spanic on Unsplash
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"Em outubro, as pessoas começaram a perceber que enfrentariam outro inverno em São Francisco, sem restaurantes, sem entretenimento, sem escritórios - realmente sem nenhum lugar para ir", relata Leigh Rowan, fundador da Savanti Travel, na Baía de São Francisco, também citado pela Bloomberg e cujos clientes têm comprado passagens só de ida e trabalhado remotamente em casas à beira-mar ou hotéis repletos de amenidades.

Melanie Woods, uma designer gráfica de 39 anos, deixou São Francisco bem antes da notícia do confinamento de inverno. Desde 1 de outubro de 2020 - dia em que o Belize reabriu as fronteiras -, Melanie trabalha remotamente no resort de luxo rústico Turtle Inn, do diretor Francis Ford Coppola, onde a sua mesa fica perto de uma janela com brisa do mar.

"Nado para me exercitar entre as chamadas telefónicas. Aos fins de semana, sinto que estou de férias", refere a nómada digital, entrevistada pela Bloomberg, frisando que "provavelmente não voltarei até o verão, ou quando puder tomar uma vacina".

O Belize exige que viajantes tenham um teste negativo à Covid-19 na chegada, o que tranquilizou Woods. O hotel de 27 quartos, localizado à beira-mar em Placencia, também é quase totalmente ao ar livre, o que facilita comer e socializar em ambientes externos distantes. Os quartos custam a partir de 329 dólares por noite, mas estadias prolongadas trazem descontos de 20% na estadia e na alimentação. Woods está a alugar o seu apartamento para compensar as despesas.

De vazio a ter lotação esgotada: a história de um hotel na Gran Canaria

Também na vizinha Espanha este fenómeno é já uma realidade. Existe mesmo um hotel na Gran Canaria que conseguiu o impossível: estar lotado em plena pandemia. O hotel Playa del Sol, localizado na Avenida Tirajana, na Playa del Inglés alcançou este marco graças ao número de funcionários de diferentes empresas que decidiram trabalhar remotamente, segundo revelou o La Vanguardia. Os hóspedes chegam de várias partes da Europa, como França ou Finlândia.

O hotel em questão oferece a essas pessoas a opção de poder trabalhar remotamente numa piscina, com todas as comodidades e a 25 graus no inverno. Uma fórmula que mistura lazer e trabalho num espaço que passou de fechado a não ter camas livres nos seus 140 quartos em poucos meses. “Em Tarragona já trabalhava online há muitos anos, mas para estar confinado vim para a ilha e tenho sol, uma boa piscina e uma praia aos fins-de-semana”, disse um dos clientes ao jornal espanhol.

No caso deste hóspede, a sua jornada de trabalho consiste numa infinidade de reuniões e consultas remotas que pode resolver a partir do seu portátil e com uma boa ligação à Internet, sem ter de estar num local específico. Está no complexo há mais de um mês, não tenciona mudar de local nos próximos 30 dias e não descarta o prolongamento da sua estadia se a situação na Catalunha não mudar. Refira-se que, para além do conforto proporcionado pelo hotel, adaptado às necessidades destes nómadas, foi criada "uma comunidade, um grupo" em que atuam como vizinhos e realizam atividades.