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Hotelaria perde 3,27 mil milhões com a pandemia e reservas para este verão ainda são “tímidas”

Com as condições atuais, quase 40% dos inquiridos admitiram não reabrir portas até ao final deste ano.

Photo by Ty Carlson on Unsplash
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Autor: Redação

O turismo foi um dos setores mais afetados pela pandemia e continua a debater-se com um cenário de incerteza e instabilidade, numa altura em que os estabelecimentos turísticos continuam encerrados e outros sem perspetiva de voltarem a abrir portas. O mercado nacional não passou incólume a esta crise, muito pelo contrário, e os números não deixam margem para dúvidas: a hotelaria perdeu mais de três mil milhões de euros em receitas no ano passado, o que representa uma quebra de 73% face a 2019, segundo o mais recente inquérito da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).

“Fechamos nos 73% [de quebra], ou seja, 3.270 milhões de perda total de receita na hotelaria”, disse a presidente executiva da AHP, Cristina Siza Vieira, durante a apresentação do inquérito "Balanço 2020 & Perspetivas 2021" esta quarta-feira, 3 de março de 2021. Relativamente às receitas de alojamento, a perda total a nível nacional foi na ordem dos 69%. Segundo os dados da AHP, a taxa de ocupação hoteleira anual foi “mísera”, fixando-se nos 26%, tendo sido Lisboa, Açores, Madeira e a zona Norte as regiões mais afetadas. “Dentro do mau relativo […], tivemos o Alentejo com a melhor performance relativa em termos de taxa de ocupação, ainda assim na ordem dos 40%”, revelou a AHP.

Com as condições atuais – fronteiras fechadas, aviões em terra e plano de vacinação em curso – quase 40% dos inquiridos admitiram não reabrir portas até ao final deste ano. “Vai ser um ano muito, muito tímido em termos de aberturas. […] Vai ser um ano ainda pobre em termos de oferta de alojamento, porque, naturalmente, vai haver ainda muito pouca procura”, salientou a presidente executiva.

Atualmente, já há operadores a procurar outras soluções que permitam a entrada de capital para continuar no negócio, tal como noticiou o idealista/news, que ouviu cinco das principais consultoras imobiliárias a operar em Portugal para perceber se a venda de ativos e novos usos serão ou não uma tendência.

Metade das reservas canceladas em 2020

Quase metade das reservas na hotelaria foram canceladas no ano passado, em média a nível nacional, sobretudo no segundo trimestre, quando os cancelamentos subiram para 60% a 100%. Por regiões, naquele período, Lisboa foi a mais afetada pelos cancelamentos, bem como a Região Autónoma da Madeira e o Centro.

“Os cancelamentos são muito sérios e os que não são cancelados, são reservas no papel, porque são reembolsáveis”, disse ainda Cristina Siza Vieira. Segundo os dados recolhidos pela AHP, em 2020 61% dos clientes da hotelaria optou por fazer reservas reembolsáveis.

A responsável sublinhou que “o tempo das reservas ‘non-refundable’ [não reembolsáveis], para já, está metido no congelador, ou terminou”, o que significa que, mesmo quando as reservas são sinalizadas, os hotéis não podem contar com o valor correspondente, que podem vir a ter de devolver. “Isto dá uma instabilidade brutal, quer na operação, […] quer na tesouraria”, sublinhou a presidente executiva da associação.

Reservas para verão de 2021 ainda “tímidas”

Ainda segundo o inquérito, apenas um em cada quatro hotéis disse ter reservas para o verão deste ano. De acordo com a presidente executiva da AHP, apesar de se sentir “algum movimento” nas reservas em estabelecimentos hoteleiros, elas são “de uma timidez confrangedora”, com apenas cerca de 25% dos inquiridos já com reservas para aquela altura.

Assim, para julho, apenas 23% dos inquiridos disseram ter já reservas registadas, para agosto 24% e para setembro 25%.

“Temos aqui um trabalho enorme pela frente, que é perceber o que é que falta para consolidar estas reservas e reparem o risco que isto é: são reservas também reembolsáveis”, sublinhou a responsável.

*Com Lusa

** Artigo atualizado às 7:20 do dia 05 de março de 2021, corringindo o primeiro parágrafo, para "a hotelaria perdeu mais de três mil milhões de euro", em vez de "a hotelaria perdeu mais de três milhões de euros". Aos leitores e aos visados, as nossas desculpas.