Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Rendas em atraso nos restaurantes e hotéis a fechar... os efeitos da pandemia na economia real

Inquérito da AHRESP revela quebras de faturação, atrasos nos pagamentos das rendas e salários, agravamento dos despedimentos, e insolvências à vista.

Photo by Kenny Luo on Unsplash
Photo by Kenny Luo on Unsplash
Autor: Redação

Os empresários do setor da restauração e alojamento em Portugal continuam a enfrentar dias difíceis. Desde o início da pandemia, 45% dos arrendatários do setor da restauração está com rendas em atraso, sendo que mais de 65% já tem três ou mais meses de renda por pagar, revela o inquérito mensal da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP). O estudo mostra ainda que 45% dos hotéis estão encerrados devido à pandemia, adiantando que sem apoios diretos à tesouraria”, 48% das empresas de restauração e 32% do alojamento “não resistem nos próximos dois meses”.

No setor da restauração e bebidas, 40% das empresas ponderam avançar para insolvência, dado que as receitas realizadas e previstas não permitirão suportar todos os encargos que decorrem do normal funcionamento da sua atividade, segundo a AHRESP. Para as empresas inquiridas, a quebra de faturação do mês de novembro foi “avassaladora”: 56% das empresas registaram perdas acima dos 60%. Além disso, e como consequência da forte redução de faturação, cerca de 16% das empresas não conseguiram efetuar o pagamento dos salários em novembro e 15% só o fez parcialmente.

Face a esta nova realidade, 46% das empresas já efetuaram despedimentos desde o início da pandemia. Destas, 30% reduziram o quadro de pessoal entre 25% e 50%, e 17% reduziram em mais de 50% os postos de trabalho a seu cargo. Cerca de 17% das empresas assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do ano. Mais de 48% das empresas refere também que, caso não obtenham incentivos a fundo perdido, nos próximos 2 meses não dispõem de tesouraria suficiente para manter os seus negócios.

Cerca de 78% das empresas explora os seus negócios em espaços arrendados, e 62% das empresas já tentaram reduzir o valor da renda mensal. No entanto, 65% dos senhorios não aceitou qualquer redução, revela a associação.

As rendas comerciais pesam, em regra, 20% dos custos de funcionamento, e 45% dos arrendatários já estão em incumprimento (65% já tem três ou mais meses de rendas em atraso).

Alojamento turístico: 45% dos hotéis estão fechados

Durante a apresentação deste inquérito, que decorreu entre 13 de novembro e 2 de dezembro, Cristina Siza Vieira, CEO da associação, revelou, citada pelo ECO, que 45% dos estabelecimentos hoteleiros estão encerrados atualmente”.“Há, de facto, já no início de novembro, uma elevadíssima percentagem de estabelecimentos que estão encerrados e assim continuarão”, disse ainda.

Segundo o estudo, no setor do alojamento turístico (inclui vários tipos de atividade), 39% das empresas não registaram qualquer ocupação no mês de novembro e 32% indicou uma ocupação máxima de 10%. Para o mês de dezembro, cerca de 45% das empresas estimam uma taxa de ocupação zero, e mais de 32% das empresas perspetivam uma ocupação máxima de 10%. Para os meses de janeiro e fevereiro a estimativa de ocupação zero agrava-se, sendo referida por mais de 56% das empresas.

Mais de 18% das empresas também estão a ponderar avançar para insolvência por não conseguirem suportar todos os normais encargos da sua atividade. Para as empresas inquiridas, a quebra de faturação do mês de novembro foi “devastadora” segundo a AHRESP: 39% das empresas registaram perdas acima dos 90%.

Como consequência da forte redução de faturação, mais de 25% das empresas não conseguiram efetuar pagamento de salários em novembro e 9% só o fez parcialmente. Ao nível do emprego, 28% das empresas já efetuaram despedimentos desde o início da pandemia. Destas, 33% reduziram o quadro de pessoal entre 25% e 50%, e cerca de 27% reduziram em mais de 50% os postos de trabalho a seu cargo. Mais de 14% das empresas assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do ano.

E o problema das rendas também se faz sentir neste setor. Cerca de 29% das empresas explora os seus negócios em espaços arrendados. 54% das empresas já tentaram reduzir o valor da renda mensal, mas 64% dos senhorios não aceitou qualquer redução. Segundo a associação, 42% dos arrendatários já estão em incumprimento (60% já tem cinco ou mais meses de rendas em atraso).

Perante o que diz ser a “evidência da forte debilidade deste tecido empresarial“, a AHRESP pede medidas “urgentes” de reforço de liquidez das empresas, de maior proteção do emprego e de alívio no pagamento das rendas comerciais. “Aguarda-se por isso, com natural expetativa, as medidas que o Ministro da Economia possa vir a apresentar no curto prazo”, lê-se no comunicado.