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“Tudo o que eu quero”: 40 artistas portuguesas na Gulbenkian e virtualmente

São mais de 200 obras em exposição até 23 de agosto no Museu em Lisboa. E estão disponíveis na Google Arts & Culture.

Exposição de arte
Imagem de Ryan McGuire por Pixabay
Autor: Redação

A arte portuguesa no feminino. “Tudo o que eu quero” é a exposição que vem mostrar o trabalho de 40 artistas portuguesas reunindo mais de 200 obras desenhadas entre 1900 e 2020. Está em exibição no Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa, desde dia 2 junho até 23 agosto 2021, mas não só. Agora, as obras também podem ser vistas em formato digital, no site ou app da Google Arts & Culture.

Esta iniciativa organizada pelo Ministério da Cultura e pela Fundação Calouste Gulbenkian surge no âmbito da programação cultural da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia 2021. O seu objetivo passa por “contribuir para a reparação do sistemático apagamento a que o trabalho destas artistas – como tantas outras, noutras geografias – foi desde sempre votado”, lê-se na apresentação do projeto na Google Arts & Culture, que conta com a curadoria de Helena de Freitas e Bruno Marchand.

A história destas 40 artistas portuguesas também pode está a ser contada ao mundo. Foi esta terça-feira (dia 15 de junho de 2021), que a Google Arts & Culture passou a disponibilizar a versão online desta exposição, que conta com as obras digitalizadas - algumas delas em exclusivo - e toda as histórias destas mulheres.

Desta forma é possível tornar a “a arte mais acessível para todos", afirma Luisella Mazza, líder global de operações do projeto da Google, em entrevista ao Dinheiro Vivo. Na versão online desta exposição “fica também disponível a opção de realidade aumentada em algumas das obras, que permite, por exemplo, vermos quadros ou outro tipo de obras integrados na nossa própria casa, apenas usando o smartphone e a app", refere ainda.

Exposição
Photo by Ruben Ramirez on Unsplash
A iniciativa vem, assim, dar palco nacional e internacional à “clara afirmação das artistas” que, contra todos os obstáculos, conquistaram o seu lugar “pela força da qualidade das suas propostas”, lê-se na apresentação do projeto na plataforma. “Mas obriga também a que não esqueçamos que, em pleno século XXI, nada está consolidado no que à igualdade de género diz respeito, que estas obras são instâncias de um longo esforço coletivo pelo direito à existência artística plena, e que este esforço deposita no espectador uma esperança e uma responsabilidade acrescidas”, acrescenta ainda.

Também Isabel Mota, Presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, considera que “ainda há um longo caminho a percorrer para alcançar a igualdade de género, mas abrir espaço para falar sobre aquelas que já romperam tantas barreiras para se tornarem artistas é definitivamente um primeiro passo", refere num comunicado enviado às redações.  

Entre as artistas que moldaram e continuam a moldar o património artístico português,  a exposição online da Google Arts & Culture estaca sete:

  • Josefa de Óbidos (1630-1684): uma as principais pintoras barrocas em Portugal;
  • Aurélia de Sousa (1866-1922), que tal como Josefa dedicou-se a pintar “traços detalhados de sentimentos complexos nos rostos das pessoas”;
  • Rosa Ramalho (1888-1977), ganhou fama pela sua arte cerâmica;
  • Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992), uma as principais artistas do movimento expressionista abstrato europeu, em concreto a tendência conhecida como ‘Art Informel’ caracterizada pelo improviso e pela exploração;
  • Lourdes Castro (b. 1930), a artista que pinta com sombras. Nas suas obras são abstratas a recortes que manipulam a própria luz para explorar a natureza instável da realidade. Também criou colagens 3D e esculturas;
  • Paula Rego (b. 1935), “uma verdadeira titã da pintura moderna”. É a artista que está por trás de alguns dos mais poderosos retratos do século XX;
  • Grada Kilomba (b.1968), uma notável artista portuguesa contemporânea, Kilomba cria instalações concetuais e filmes que exploram o pós-colonialismo e os traumas pessoais.

Depois de Portugal, a exposição física e com entrada gratuita vai ser montada em França. Já a galeria na Google Arts & Culture vai continuar online. Esta é uma das 60 exposições que a Fundação Calouste Gulbenkian já incluiu nesta plataforma digital.

Hoje, a Google Arts & Culture conta com 46 parceiros portugueses e 4 mil itens entre museus, arquivos, fundações e galerias. Um dos primeiros projetos em Portugal foi o do Museu do Caramulo, que expõe obras de arte e automóveis antigos. E a expectativa é crescer ainda mais, Helena Almeida explica que a pandemia levou “mais instituições a querer participar e mais utilizadores a aderirem à cultura e à arte em formato digital”.