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É em 2019 que a prestação da casa sobe de vez?

Gtres
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Autor: Redação

Nos últimos anos, os portugueses viram a prestação da casa baixar. E em 2019 como vai ser? A mensalidade a pagar ao banco pelo crédito à habitação vai subir de vez? Quem já pediu financiamento deverá ver a prestação aumentar, sobretudo no caso da taxa Euribor a 12 meses, que poderá entrar em terreno positivo este ano. E quem está a pensar “endividar-se” terá condições menos favoráveis que em 2018.

O cenário de descida da prestação deve-se, em grande parte, à política de estímulos do Banco Central Europeu (BCE), que colocou – e manteve – a taxa de juro diretora na Zona Euro em mínimos históricos (está em 0% desde março de 2016). A consequência foi a descida das taxas Euribor, principal indexante dos contratos de crédito à habitação em Portugal, que se encontram em terreno negativo, apesar de já terem começado a subir.

Segundo Juan Villén, diretor de idealista hipotecas, quem já pediu dinheiro emprestado ao banco para comprar casa deverá ver a prestação aumentar, nomeadamente no prazo a seis meses, o mais usado em Portugal: “A subida das Euribor afetará quem optou pela taxa variável, mas o maior aumento deverá ocorrer na Euribor a 12 meses, já que os prazos mais curtos, por norma, sobem sempre mais lentamente que os longos. No caso da Euribor a seis meses, o impacto será reduzido, de poucos euros”.

Salientando que é “muito difícil prever a evolução exata” das taxas Euribor, o responsável antevê que a Euribor a 12 meses entre “em terreno positivo no primeiro semestre de 2019”. Deverá manter-se, no entanto, abaixo de 1% nos próximos dois anos. “Antecipamos que a subida da prestação não será radical, pelo que poderá ser suportada sem grande problema pelas famílias”, adianta.

O que esperar dos novos créditos à habitação?

Já quem está a pensar comprar casa em 2019 com a "ajuda" do banco terá condições "provavelmente piores" que as verificadas no ano passado, "fundamentalmente por dois motivos", perspetiva Juan Villén.

"Em primeiro lugar, o Banco de Portugal (BdP) está mais exigente com os bancos no que diz respeito ao acompanhamento da aplicação de critérios prudentes de análise de risco, procurando assegurar a solvabilidade dos requerentes e, por exemplo, reduzindo o prazo máximo dos financiamentos, de 40 para 30 anos. Em segundo lugar, a subida das Euribor, que começou em 2018, continuará este ano, o que implicará uma taxa de juros mais alta", explica o diretor de idealista hipotecas.

De acordo com Villén, o facto dos bancos estarem também a apostar - nos novos créditos à habitação - na Euribor a 12 meses fará com que, num cenário de aumento das taxas de juro, a prestação a pagar ao banco também possa subir mais rapidamente que no caso do prazo a seis meses. "Isso irá notar-se sobretudo nos empréstimos com taxa fixa e prazos longos (30 anos). A combinação destas duas variáveis (aliada ao aumento do preço das casas) fará com que a prestação suba, tornando a habitação inacessível para muitas pessoas enquanto outras tenderão a conformar-se com a ideia de comprar uma casa com menor qualidade ou em zonas mais acessíveis", conclui.