
Antes de as instituições financeiras concederem um crédito habitação, procedem à avaliação da habitação. E, apesar do contexto de incerteza económica, as casas estão a valer cada vez mais para os bancos. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), esta sexta-feira publicados, indicam que o valor mediano de avaliação bancária na habitação foi de 1.458 euros em dezembro de 2022, tendo subido 13,5% face ao registado no último mês de 2021. Este é mesmo o maior valor alguma vez observado pelo instituto. Já o número de avaliações bancárias tem vindo a diminuir nos últimos sete meses.
“Em dezembro, o valor mediano de avaliação bancária, realizada no âmbito de pedidos de crédito para a aquisição de habitação, fixou-se em 1.458 euros por metro quadrado (euros/m2), tendo aumentado 9 euros (0,6%) face a novembro.”, refere o INE no boletim publicado esta sexta-feira, dia 27 de janeiro.
E como é que evoluiu o valor mediano da avaliação das casas pelas regiões do país?
Face a novembro de 2022, o maior aumento foi registado no Algarve (1,8%) e o menor verificou-se no Alentejo (0,4%). Em comparação com o mesmo período do ano anterior (dezembro de 2021), o valor mediano das avaliações das casas cresceu 13,5%, registando-se a variação mais intensa no Algarve (18,1%) e a menor no Norte (11,6%), indica o gabinete de estatística português.
Importa referir que o número de avaliações bancárias consideradas nesta análise diminuiu pelo sétimo mês consecutivo, situando-se em cerca de 24,2 mil, o que representa uma redução de 20,2% face mesmo período do ano anterior e menos 27,0% que em maio último, mês em que se registou o máximo da série. Em comparação com o período anterior, realizaram-se menos 1.361 avaliações bancárias, o que corresponde a um decréscimo de 5,3%.
A queda no número de avaliações bancárias realizadas nos últimos meses poderá ser explicada pelo abrandamento de novos empréstimos habitação na reta final do ano, uma tendência já identificada pelo Banco de Portugal.
As 24.193 avaliações consideradas para apurar o valor mediano de avaliação bancária na habitação de dezembro distribuem-se do seguinte modo, segundo o instituto:
- 15.369 avaliações dizem respeito a apartamentos;
- 8.824 avaliações bancárias foram realizadas a moradias.
Apartamentos valem mais 15,1% em dezembro de 2022
O valor mediano de avaliação bancária de apartamentos também subiu em dezembro de 2022 face ao mesmo mês de 2021, em concreto 15,1%. Segundo o INE, o valor mediano fixou-se nos 1.633 euros/m2 no último mês do ano passado.
Os valores de avaliação bancária mais elevados foram observados no Algarve (2.026 euros/m2) e na Área Metropolitana de Lisboa (. 939 euros/m2), tendo o Alentejo registado o valor mais baixo (1.057 euros/m2).
“A Região Autónoma da Madeira apresentou o crescimento homólogo mais expressivo (18,5%), ocorrendo o menor (13,2%) no Norte. Comparativamente com o mês anterior, o valor de avaliação subiu 1,4%, registando-se a maior subida na Região Autónoma da Madeira (3,3%) e a menor na Região Autónoma dos Açores (0,9%)”, explicou ainda o instituto.
Assim variou o valor mediano da avaliação para apartamentos consoante a sua tipologia:
- apartamentos T2 subiu 9 euros, para 1.629 euros/m2;
- apartamentos T3 subido 25 euros, para 1 447 euros/m2
No seu conjunto, estas tipologias representaram 76,7% das avaliações de apartamentos realizadas em dezembro.

M2 das moradias valeu 1.148 euros para os bancos em dezembro
Também as moradias passaram a valer mais para a banca portuguesa. Segundo o INE, o valor mediano da avaliação bancária das moradias foi de 1.148 euros/m2 em dezembro, o que representa um acréscimo de 11,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Comparativamente com novembro de 2022, o valor de avaliação manteve-se igual.
Os valores da avaliação bancária das moradias mais elevados observaram-se no Algarve (2.115 euros/m2) e na Área Metropolitana de Lisboa (1.997 euros/m2). Já o Alentejo e o Centro registaram os valores mais baixos (951 euros/m2 e 960 euros/m2, respetivamente).
A Região Autónoma da Madeira apresentou o maior crescimento homólogo na avaliação de moradias (21,7%) e o menor ocorreu no Norte (10,2%). Face ao mês anterior, a Região Autónoma dos Açores teve o crescimento mais acentuado (2,9%), ocorrendo a única descida no Norte (-0,1%).
O valor mediano da avaliação das moradias também variou consoante a sua tipologia:
- moradias T2: o valor mediano desceu 34 euros, para 1.042 euros/m2;
- moradias T3: valor desceu 6 euros, para 1.100 euros/m2;
- moradias T4: avaliação subiu 19 euros, para 1.294 euros/m2.
No seu conjunto, estas tipologias representaram 87,0% das avaliações de moradias realizadas no período em análise.

Qual é o balanço final da avaliação bancária em 2022?
Durante 2022, a avaliação bancária esteve a subir mês após mês – à exceção de agosto e outubro. E, em resultado, o valor mediano da avaliação das casas acabou por aumentar 13,7% em 2022 face ao ano anterior. No final do ano passado, fixou-se em 1.400 euros/m2.
Este aumento da avaliação bancária foi observado em todas as regiões do país, tendo o Algarve apresentado a variação mais intensa (16,7%) e a Região Autónoma dos Açores o menor aumento (8,8%).
E assim variou o valor mediano de avaliação bancária em 2022 por natureza de alojamentos:
- apartamentos: valor aumentou 14,6% para 1.558 euros/m2 (em 2021 foi de 1.359 euros/m2)
- moradias: valor mediano da avaliação subiu 11,0% para 1.116 euros/m2 (foi de 1.005 euros/m2, em 2021).
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