O presidente executivo do BCP, Miguel Maya, concorda com a intenção do Banco de Portugal (BdP) de reduzir a taxa de esforço máxima no crédito habitação, considerando que a medida pode reforçar a prudência na concessão de empréstimos, sobretudo, num contexto de incerteza económica.
O responsável “acha muito bem diminuir a taxa de esforço”, diz em entrevista ao Jornal de Negócios e à Antena 1, frisando que a principal preocupação deve centrar-se na capacidade das famílias suportarem as prestações da casa sem comprometer o equilíbrio financeiro.
“Uma coisa é o financiamento chegar aos 90% ou 100% do valor do imóvel. Outra é garantir que as famílias conseguem pagar ao banco e manter uma vida equilibrada”, defende.
As declarações surgem depois do Banco de Portugal (BdP) ter demonstrado desconforto quanto ao impacto que o recurso à garantia pública para jovens até 35 anos está a ter na qualidade de crédito habitação, estando a ponderar, por isso, apertar as regras de concessão de empréstimos.
Segundo Miguel Maya, no BCP a média da taxa de esforço dos novos créditos ronda os 38%, admitindo que um eventual aperto das regras terá “algum impacto”, embora considere compreensível a posição do supervisor.
O responsável máximo do BCP relativiza os riscos associados aos créditos com financiamento a 100%. Ainda assim, reconhece que o problema da habitação não se resolve apenas pelo lado da procura, apontando a falta de oferta, os atrasos no licenciamento e as limitações da ferrovia e dos transportes como fatores estruturais que continuam a pressionar os preços das casas.
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